sábado, 19 de fevereiro de 2011
Da Tunísia para o Cairo, do Cairo para Riad?
Por keh adaptado
"Será que essa turbulência chegará até aqui? Preferiria não viver a descobrir" Karen Elliott House
Adaptado a partir de um texto de Karen Elliott House: Da Tunísia para o Cairo, do Cairo para Riad? - WSJ.com
==========
Em qualquer regime autoritário, a instabilidade parece impensável até o momento da turbulência, e isso é verdade hoje na Arábia Saudita. A influência estadunidense no Oriente Médio, já em franca decadência, tende a piorar. Os EUA em breve enfrentarão as consequências surpreendentes da instabilidade na Arábia Saudita, seu mais importante aliado entre os países árabes.
Apesar da crença da inabalabilidade da Arábia Saudita por causa de seus bilhões de dólares em receitas de petróleo. E apesar de seu unipresente sistema de inteligência ter até agora permitido a manutenção do regime comprando lealdade ou intimidando sua população passiva, as coisas podem sair totalmente dos trilhos.
O risco do governo da família al Saud pode ser resumido em uma frase: o fosso entre governantes e os jovens cresce drasticamente na medida em que a lacuna de informação entre governantes e governados aumenta. A média de idade do triunvirato real que decide tudo é de 83 anos, enquanto que 60% dos sauditas têm menos de 18 anos de idade. Graças à televisão via satélite, Internet e meios de comunicação social, os jovens sabem da corrupção nos orgãos governamentais. Além disso, 40% dos sauditas vivem na pobreza e quase 70% não podem adquirir uma casa. Estes sauditas vivem vidas de Terceiro Mundo, sofrem com educação deficiente e não encontram empregos no setor privado, onde 90% de todos os funcionários são não-sauditas importados. Através dos novos meios de comunicação os jovens comparam sua situação miserável com a condição nababa dos sheiks que vivem próximos ao Golfo e no Ocidente.
Ao longo dos anos, a família real, agora com cerca de 7.000 príncipes, permeia todos os cantos da vida na Arábia Saudita, mas perdeu o respeito do público nesse processo. Quase tudo na Arábia Saudita, desde negócios privados a governamentais, é encabeçado ou controlado pelos principes.
Para agravar o problema tais governantes reais estão doentes, velhos, quase todos estão fora do forma. O rei Abdullah teve que afastar-se, há três meses recebe tratamento médico nos EUA e no Reino de Marrocos. O príncipe Sultan, 85 anos, com câncer e Alzheimer, raramente é visto em público. Completando o triunvitato das decisões, o vice-primeiro ministro, príncipe Naif, tem 77 anos e sofre de diabetes e osteoporose.
Quem ocupará o lugar deles? Ninguém sabe. O que assusta muito a família real e muitos sauditas é que a sucessão, que historicamente tem passado de irmão para irmão, em breve terá de saltar para uma nova geração. Isso significa que apenas um ramo da família terá o poder, uma receita para um potencial conflito. Ou seja, 34 das 35 linhas sucessórias do fundador da família podem perder seus privilégios.
Na esteira dos recentes acontecimentos no Cairo, alguns preocupados jovens príncipes sinalizam o desejo de sustar a corrupção, atender demandas da população, e reformar a inútil burocracia governamental. "Estamos unidos na Arábia Saudita e manteremos a cola que mantém essa união", disse um deles.
O que esses príncipes reformistas não conseguem entender -- nem mesmo reconhecer diante de estranjeiros -- é o fato de muitos jovens sauditas não respeitarem nem temerem a família real . Pelo contrário, cada vez mais se ressentem da indignidade inerente de ter de mendigar direito público aos príncipes como se fosse favor.
Frustrados diariamente por estas indignidades, os jovens sauditas experimentam drogas, roubam carros e vandalizam propriedades governamentais. Os sauditas em todos os níveis da sociedade tornam-se cada vez mais iníquos, imitando os seus dirigentes, fazendo o que podem para se safar. Um recente alvo da ira jovem é um novo sistema de vigilância por câmeras. O sistema é repetidamente vandalizado por jovens que afirmam que as multas enriquecem o ministro do Interior, que também é responsável pelas invasivas agências de inteligência no reino. O jovens sauditas protestam contra a corrupção real e contra a intromissão estatal em suas vidas.
De qualquer forma, entre os sauditas, há os que não desejam a democracia. Eles temem que tradicionais divisões tribais, falta de políticas e de organização social, aumentem a desordem, mesmo entre os religiosos conservadores com suas 70.000 mesquitas. Se no Egito, a Irmandade Muçulmana é considerado uma ameaça potencial, o mesmo pode ser dito na Arábia Saudita onde grupos assim campeiam por toda parte.
Os sauditas querem o mesmo padrão de serviços fornecidos pelos governos ricos: boa educação, emprego, saúde decente. Eles reivindicam o direito de intervir nos problemas políticos e econômicos que afetam suas vidas. No entanto, quando um professor de religião na Universidade Imam sugeriu em novembro, via Internet, aos sauditas publicar suas conversas privadas sobre a sucessão, foi preso.
"A diferença entre reforma e reivindicações de nossos jovens é cada vez maior", adverte um príncipe sênior. "É uma corrida contra o tempo porque os jovens cansaram do status quo, cansaram de conversa". A Arábia Saudita não é o Egito. Mas, mesmo aqui, na mais estável e desenvolvida das sociedades árabes, o tempo está se esgotando.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Medica Chora em Bahrein
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Trotskismo & Islamismo
O trotskismo atual — com sua ilusão neoleninista — a cada momento desmentido pela realidade da sociedade capitalista moderna, tanto burguesa como burocrática, encontra naturalmente um campo de aplicação privilegiado nos países "subdesenvolvidos" formalmente independentes, onde a miragem de uma variante qualquer de socialismo estatal e burocrático é conscientemente manipulada (como simples ideologia do desenvolvimento econômico) pelas classes dirigentes locais. A composição híbrida destas classes configura mais ou menos nitidamente um degradado espectro burguês-burocrático.
O seu jogo, em escala internacional, entre estes dois pólos do poder capitalista existente (burgues e burocrático), assim como os seus compromissos ideológicos com o islamismo, exprimem a realidade híbrida da sua base social e acabam por retirar a este último subproduto do socialismo ideológico toda a seriedade, salvo a policial.
Uma burocracia formada pelo enquadramento da luta nacional e da revolta agrária dos camponeses tende, como na China, a aplicar o modelo estalinista de industrialização numa sociedade menos desenvolvida que a Rússia de 1917. Nos 30 anos da ditadura de Mubarak, sua burocracia foi capaz de industrializar o Egito contando apenas com a pequena burguesia e os quadros do exército no poder.
A Argélia ( hoje está em pleno furor revolucionário), que no fim da sua guerra de independência constituíra a burocracia como direção paraestatal durante a luta, procurou um ponto de equilíbrio para fundir-se com a fraca burguesia nacional.
Enfim, as antigas colônias da África negra até hoje abertamente ligadas à burguesia ocidental, americana ou européia, formam uma burguesia formada -- na maior parte das vezes, a partir do poder dos chefes tradicionais do tribalismo -- pela posse do Estado.
Os países onde o imperialismo estrangeiro permanece o verdadeiro senhor da economia, chegaram a um estágio onde os compradores receberam, em compensação da sua venda dos produtos artesanais, a propriedade de um Estado artesanal, independente face às massas locais mas não face ao imperialismo. Neste caso, trata-se de uma burguesia artificial que não é capaz de acumular, mas que simplesmente delapida, tanto a parte de mais valia do trabalho local que lhe cabe, como os subsídios estrangeiros dos Estados ou monopólios que são seus protetores.
A evidência da incapacidade destas classes burguesas a desempenhar a função econômica normal da burguesia ergue perante cada uma delas uma subversão segundo o modelo burocrático mais ou menos adaptado às particularidades locais que quer apoderar-se da sua herança. Mas o próprio êxito de uma burocracia no seu projeto fundamental de industrialização contém necessariamente a perspectiva do seu revés histórico: ao acumular capital ela acumula proletariado num país onde ele ainda não existia.
Esse novo proletariado que, pelo Poder Popular, hoje sacode Marrocos, Argélia, Tunisia, Egito, Líbano, Síria, Jordânia, Yemen, Bahrain, Irã, atropela ideologias trotskistas, neoleninistas ou neoestalinistas, enquanto aterroriza burocracias, burguesias e impérios. Que esse novo proletariado traga a inspiração que falta ao nosso mundo pelo seu exemplo de luta, coragem, determinação e desejo de liberdade.
=========================
Patetuitadas no Egito:
diretodoEgito Brasileiro no Egito
Hj tirei a bandeira da Conlutas na pça. Em 1min, 2 homens de terno chegaram, tiraram uma foto e foram embora sem dizer nada. Terno alinhado
Foram dois aspones de parlamentares do PSTU tirando fotos para ilustrar a manchete na capa do Conlutas: "PSTU derruba Mubarak!"
diretodoEgito Brasileiro no Egito
Mais cedo, carta de solidariedade da CSP-Conlutas foi lida num dos palcos da praça Tahrir para milhares de pessoas #egypt #egito #jan25
10 Feb Favorite Retweet Reply
"para milhares de pessoas". Tu não te manca, cara!
brunocsfa Bruno Alves
http://www.youtube.com/watch?v=FJsg-gXU4ZY cobrindo uma revolução, como fez Jonh Reed, @diretodoEgito @pstu, meu partido é assim
10 Feb Favorite Retweet Reply
Agora ele acha que é o Jonh Reed! E que o partido dele é a mais alta expressão da canalha bolchevique! Só falta o Zé Maria substituindo o Lênin em cima da carroça.
FabricioPSTU VIVA O SOCIALISMO!
Fonte: @diretodoegito #jan25 #Egypt O POVO DEVE GOVERNAR O EGITO! TODO O PODER AOS ORGANISMOS DA PRAÇA #Tahrir
10 Feb Favorite Retweet Reply
Aqui ele troca "todo poder aos conselhos" por "todo poder aos organismos da praça [partido bolchevique]", talvez tenha sido uma troca como essa que, instituída por Trotsky, diluiu os conselhos de Kronstad!
Alguém pergunta
jrpenteado João Ricardo
@diretodoegito mano, ce mora aqui no brasil? e fala árabe? quem que tá te bancando aí?
10 Feb
Patetuitada:
leofreirejr Leôndidas Freire Jr
@
@zemaria_pstu @diretodoEgito Mubarak já foi agora é #ForaReithorLuísJrdaUFPI !!!
11 Feb Favorite Retweet Reply
Talvez o novo reitor agradeça repondo as despesas dessa estúpida viagem ao Cairo.
@noelnit
Rodrigo Noel Souza ✔
@marcellobertolo Concordo em parte. O @diretodoEgito noticiou fatos q nao eram ditos pela midia tradic.,alem de ser o 1o a noticiar a queda!
11 Feb via Mobile Web Favorite Retweet Reply
Merece um Oscar pela melhor cobertura! kkkk!
diretodoEgito Brasileiro no Egito
@
@marcellobertolo @noelnit um problema q tive aqui é o sigilo da direção do mov. Tb estao treinados pra falar só o programa comum.
12 Feb Favorite Retweet Reply
Ele ainda não aprendeu que na revolução a direção vem de baixo para cima e não de cima para baixo como no PSTU e nos golpes militares perpetrados por cães treinados (soldados do exército e polícia)
rosakenny kênia
@
@diretodoEgito impressionante como eles são bons em celebrar sem uma gota de álcool. devíamos aprender com eles, haha
12 Feb Favorite Retweet Reply
Alguém diga a esse pateta que no Islã ninguém toma esse veneno chamado bebida alcoólica
diretodoEgito Brasileiro no Egito
ñ consegui voltar p hotel com o tq de recolher, policia fechou o café. recebi hospitalidade de professores da usp, ótimos camaradas. #Egito
13 Feb Favorite Retweet Reply
Esses professores da USP devem ser os enviados especiais da Reitoria para avaliar os revolucionários. KKK!
O seu jogo, em escala internacional, entre estes dois pólos do poder capitalista existente (burgues e burocrático), assim como os seus compromissos ideológicos com o islamismo, exprimem a realidade híbrida da sua base social e acabam por retirar a este último subproduto do socialismo ideológico toda a seriedade, salvo a policial.
Uma burocracia formada pelo enquadramento da luta nacional e da revolta agrária dos camponeses tende, como na China, a aplicar o modelo estalinista de industrialização numa sociedade menos desenvolvida que a Rússia de 1917. Nos 30 anos da ditadura de Mubarak, sua burocracia foi capaz de industrializar o Egito contando apenas com a pequena burguesia e os quadros do exército no poder.
A Argélia ( hoje está em pleno furor revolucionário), que no fim da sua guerra de independência constituíra a burocracia como direção paraestatal durante a luta, procurou um ponto de equilíbrio para fundir-se com a fraca burguesia nacional.
Enfim, as antigas colônias da África negra até hoje abertamente ligadas à burguesia ocidental, americana ou européia, formam uma burguesia formada -- na maior parte das vezes, a partir do poder dos chefes tradicionais do tribalismo -- pela posse do Estado.
Os países onde o imperialismo estrangeiro permanece o verdadeiro senhor da economia, chegaram a um estágio onde os compradores receberam, em compensação da sua venda dos produtos artesanais, a propriedade de um Estado artesanal, independente face às massas locais mas não face ao imperialismo. Neste caso, trata-se de uma burguesia artificial que não é capaz de acumular, mas que simplesmente delapida, tanto a parte de mais valia do trabalho local que lhe cabe, como os subsídios estrangeiros dos Estados ou monopólios que são seus protetores.
A evidência da incapacidade destas classes burguesas a desempenhar a função econômica normal da burguesia ergue perante cada uma delas uma subversão segundo o modelo burocrático mais ou menos adaptado às particularidades locais que quer apoderar-se da sua herança. Mas o próprio êxito de uma burocracia no seu projeto fundamental de industrialização contém necessariamente a perspectiva do seu revés histórico: ao acumular capital ela acumula proletariado num país onde ele ainda não existia.
Esse novo proletariado que, pelo Poder Popular, hoje sacode Marrocos, Argélia, Tunisia, Egito, Líbano, Síria, Jordânia, Yemen, Bahrain, Irã, atropela ideologias trotskistas, neoleninistas ou neoestalinistas, enquanto aterroriza burocracias, burguesias e impérios. Que esse novo proletariado traga a inspiração que falta ao nosso mundo pelo seu exemplo de luta, coragem, determinação e desejo de liberdade.
=========================
Patetuitadas no Egito:
diretodoEgito Brasileiro no Egito
Hj tirei a bandeira da Conlutas na pça. Em 1min, 2 homens de terno chegaram, tiraram uma foto e foram embora sem dizer nada. Terno alinhado
Foram dois aspones de parlamentares do PSTU tirando fotos para ilustrar a manchete na capa do Conlutas: "PSTU derruba Mubarak!"
diretodoEgito Brasileiro no Egito
Mais cedo, carta de solidariedade da CSP-Conlutas foi lida num dos palcos da praça Tahrir para milhares de pessoas #egypt #egito #jan25
10 Feb Favorite Retweet Reply
"para milhares de pessoas". Tu não te manca, cara!
brunocsfa Bruno Alves
http://www.youtube.com/watch?v=FJsg-gXU4ZY cobrindo uma revolução, como fez Jonh Reed, @diretodoEgito @pstu, meu partido é assim
10 Feb Favorite Retweet Reply
Agora ele acha que é o Jonh Reed! E que o partido dele é a mais alta expressão da canalha bolchevique! Só falta o Zé Maria substituindo o Lênin em cima da carroça.
FabricioPSTU VIVA O SOCIALISMO!
Fonte: @diretodoegito #jan25 #Egypt O POVO DEVE GOVERNAR O EGITO! TODO O PODER AOS ORGANISMOS DA PRAÇA #Tahrir
10 Feb Favorite Retweet Reply
Aqui ele troca "todo poder aos conselhos" por "todo poder aos organismos da praça [partido bolchevique]", talvez tenha sido uma troca como essa que, instituída por Trotsky, diluiu os conselhos de Kronstad!
Alguém pergunta
jrpenteado João Ricardo
@diretodoegito mano, ce mora aqui no brasil? e fala árabe? quem que tá te bancando aí?
10 Feb
Patetuitada:
@diretodoEgito
Brasileiro no Egito
@jrpenteado Oi!sim, no brasil, estudo árabe (aqui dependo + d tradução), e quem banca a cobertura são os trabalhadores que constroem o pstu.
11 Feb
Seria mais honesto dizer: Quem banca são os 62% que meu deputado ganhou de aumento.
leofreirejr Leôndidas Freire Jr
@
@zemaria_pstu @diretodoEgito Mubarak já foi agora é #ForaReithorLuísJrdaUFPI !!!
11 Feb Favorite Retweet Reply
Talvez o novo reitor agradeça repondo as despesas dessa estúpida viagem ao Cairo.
@noelnit
Rodrigo Noel Souza ✔
@marcellobertolo Concordo em parte. O @diretodoEgito noticiou fatos q nao eram ditos pela midia tradic.,alem de ser o 1o a noticiar a queda!
11 Feb via Mobile Web Favorite Retweet Reply
Merece um Oscar pela melhor cobertura! kkkk!
diretodoEgito Brasileiro no Egito
@
@marcellobertolo @noelnit um problema q tive aqui é o sigilo da direção do mov. Tb estao treinados pra falar só o programa comum.
12 Feb Favorite Retweet Reply
Ele ainda não aprendeu que na revolução a direção vem de baixo para cima e não de cima para baixo como no PSTU e nos golpes militares perpetrados por cães treinados (soldados do exército e polícia)
rosakenny kênia
@
@diretodoEgito impressionante como eles são bons em celebrar sem uma gota de álcool. devíamos aprender com eles, haha
12 Feb Favorite Retweet Reply
Alguém diga a esse pateta que no Islã ninguém toma esse veneno chamado bebida alcoólica
diretodoEgito Brasileiro no Egito
ñ consegui voltar p hotel com o tq de recolher, policia fechou o café. recebi hospitalidade de professores da usp, ótimos camaradas. #Egito
13 Feb Favorite Retweet Reply
Esses professores da USP devem ser os enviados especiais da Reitoria para avaliar os revolucionários. KKK!
Chomsky: EUA seguem seu manual no Egito
Em entrevista a Amy Goodman, do Democracy Now, Noam Chomsky analisa o desenrolar dos protestos no Egito e o comportamento do governo dos Estados Unidos diante deles. Na sua avaliação, o governo Obama está seguindo o manual tradicional de Washington nestas situações: "Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome".
Nas últimas semanas, os levantes populares ocorridos no mundo árabe provocaram a destituição do ditador Zine El Abidine Bem Ali, o iminente fim do regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, a nomeação de um novo governo na Jordânia e a promessa do ditador de tantos anos do Yemen de abandonar o cargo ao final de seu mandato. O Democracy Now falou com o professor do MIT, Noam Chomsky, acerca do que isso significa para o futuro do Oriente Médio e da política externa dos EUA na região. Indagado sobre os recentes comentários do presidente Obama sobre Mubarak, Chomsky disse: “Obama foi muito cuidadoso para não dizer nada; está fazendo o que os líderes estadunidenses fazem habitualmente quando um de seus ditadores favoritos têm problemas, tentam apoiá-lo até o final. Se a situação chega a um ponto insustentável, mudam de lado”.
Amy Goodman: Qual é sua análise sobre o que está acontecendo e como pode repercutir no Oriente Médio?
Noam Chomsky: Em primeiro lugar, o que está ocorrendo é espetacular. A coragem, a determinação e o compromisso dos manifestantes merecem destaque, E, aconteça o que aconteça, estes são momentos que não serão esquecidos e que seguramente terão consequências a posteriori: constrangeram a polícia, tomaram a praça Tahrir e permaneceram ali apesar dos grupos mafiosos de Mubarak. O governo organizou esses bandos para tratar de expulsar os manifestantes ou para gerar uma situação na qual o exército pode dizer que teve que intervir para restaurar a ordem e depois, talvez, instaurar algum governo militar. É muito difícil prever o que vai acontecer.
Os Estados Unidos estão seguindo seu manual habitual. Não é a primeira vez que um ditador “próximo” perde o controle ou está em risco de perdê-lo. Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome.
Presumo que é isso que está ocorrendo agora. Estão vendo se Mubarak pode ficar. Se não aguentar, colocarão em prática o manual.
Amy Goodman: Qual sua opinião sobre o apelo de Obama para que se inicie a transição no Egito?
Noam Chomsky: Curiosamente, Obama não disse nada. Mubarak também estaria de acordo com a necessidade de haver uma transição ordenada. Um novo gabinete, alguns arranjos menores na ordem constitucional, isso não é nada. Está fazendo o que os líderes norteamericanos geralmente fazem.
Os Estados Unidos tem um poder constrangedor neste caso. O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda militar e econômica de Washington. Israel é o primeiro. O mesmo Obama já se mostrou muito favorável a Mubarak. No famoso discurso do Cairo, o presidente estadunidense disse: “Mubarak é um bom homem. Ele fez coisas boas. Manteve a estabilidade. Seguiremos o apoiando porque é um amigo”.
Mubarak é um dos ditadores mais brutais do mundo. Não sei como, depois disso, alguém pode seguir levando a sério os comentários de Obama sobre os direitos humanos. Mas o apoio tem sido muito grande. Os aviões que estão sobrevoando a praça Tahrir são, certamente, estadunidenses. Os EUA representam o principal sustentáculo do regime egípcio. Não é como na Tunísia, onde o principal apoio era da França. Os EUA são os principais culpados no Egito, junto com Israel e a Arábia Saudita. Foram estes países que prestaram apoio ao regime de Mubarak. De fato, os israelenses estavam furiosos porque Obama não sustentou mais firmemente seu amigo Mubarak.
Amy Goodman: O que significam todas essas revoltas no mundo árabe?
Noam Chomsky: Este é o levante regional mais surpreendente do qual tenho memória. Às vezes fazem comparações com o que ocorreu no leste europeu, mas não é comparável. Ninguém sabe quais serão as consequências desses levantes. Os problemas pelos quais os manifestantes protestam vem de longa data e não serão resolvidos facilmente. Há uma grande pobreza, repressão, falta de democracia e também de desenvolvimento. O Egito e outros países da região recém passaram pelo período neoliberal, que trouxe crescimento nos papéis junto com as consequências habituais: uma alta concentração da riqueza e dos privilégios, um empobrecimento e uma paralisia da maioria da população. E isso não se muda facilmente.
Amy Goodman: Você crê que há alguma relação direta entre esses levantes e os vazamentos de Wikileaks?
Noam Chomsky: Na verdade, a questão é que Wikileaks não nos disse nada novo. Nos deu a confirmação para nossas razoáveis conjecturas.
Amy Goodman: O que acontecerá com a Jordânia?
Noam Chomsky: Na Jordânia, recém mudaram o primeiro ministro. Ele foi substituído por um ex-general que parece ser moderadamente popular, ou ao menos não é tão odiado pela população. Mas essencialmente não mudou nada.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Algumas diferenças entre revolução proletária e revolução burguesa
A revolução burguesa é violenta. A revolução proletária é pacífica.
A revolução burguesa faz uso da coersão. A revolução proletára faz uso da não colaboração à burguesia e à aristocracia.
A revolução burguesa implementa classes de especialistas, etc. A revolução proletária dissipa todas as classes sociais.
A revolução burguesa promove a disputa entre nações, etnias, grupos, pessoas, comunidades e sociedades. A revolução proletária promove a colaboração entre nações, etnias, grupos, pessoas, comunidades e sociedades.
A revolução burguesa prefere matar a morrer. A revolução proletária prefere morrer a matar.
A revolução burguesa procura corrigir abusos pelo uso da força. A revolução proletária corrige abusos pelo consenso entre minorias e maiorias.
A revolução proletária deixa de ser revolução e deixa de ser proletária ao olhar para trás, ao reeditar os métodos da aristocracia e da burguesia. A revolução burguesa nos promete o futuro repetindo no presente a mesma opressão do passado.
A revolução proletária é simultaneamente presente e futuro, caminho e meta. As práticas no presente já são uma antevisão do futuro, e os caminhos que percorre não são alheios à sua meta. A revolução proletária traz consigo a certeza de que o dia já raiou mesmo que as trevas da noite ainda não tenham sito totalmente dissipadas.
A revolução burguesa reforça o estéril status quo. A revolução proletária restaura a sociedade à profícua comunidade orgânica de relações humanas não-coercitivas, que é a expressão natural da sociedade.
A revolução burguesa aparelha o Estado. A revolução proletária desmancha o Estado.
A revolução burguesa privilegia a ideologia em detrimento da prática. A revolução proletária privilegia a prática em detrimento da ideologia.
Na revolução burguesa prevalece a hierarquia. Na revolução proletária prevalece a acracia.
Na revolução burguesa as celebridades jogam o jogo no campo enquanto as massas assistem das arquibancadas. Na revolução proletária as massas jogam o jogo no campo enquanto as celebridades assistem das arquibancadas.
A meta da revolução burguesa é a tomada do poder. A meta da revolução proletária é a anulação do poder.
A revolução burguesa assemelha-se ao Mar Morto: mata toda vida concentrando poder e riquezas como o Mar Morto mata toda vida concentrando sal. A revolução proletária promove a vida como um Rio Amazonas.
A revolução burguesa envenena o corpo normal da economia destruindo o trabalho local da família humana, diluindo o agrupamento das associações voluntárias. A revolução proletária promove o corpo normal da economia, restaura o trabalho local da família humana, faz proliferar as associações voluntárias.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
As lições do Egito
Os olhos do mundo estão focados nos desdobramentos da Revolução iniciada na Tunísia que - catalizada pela autoimolação de um camelô - ganhou força no Egito, atingiu todo Norte da África e se alastra como fogo em mato seco pelos países árabes. Aqui no Brasil, não há como ficar alheio a esses acontecimentos. Muitos de nós conhecemos perfeitamente os efeitos de uma ditadura. Ainda carrego no lombo algumas de suas marcas.
Lembranças
Como numa viagem no tempo, nos útimos dias - via twitter, facebook, youtube, al jazeera - as cenas vindas do Cairo estão a transportar-me para 47 anos atrás.
Dava meus primeiros passos na puberdade quando os militares tomaram o poder no golpe de 1964, e passaram a perseguir mortalmente seus opositores. Apesar da tenra idade eu tinha uma perfeita consciência do que acontecia. Ouvia notícias pelo rádio e comparáva-as com o que diziam meus vizinhos em suas conversas.
Meu irmão, mais velho do que eu, junto com alguns colegas das classes, passaram a organizar formas de resistência marcando reuniões em suas casas. Lembro-me de ter participado de um desses encontros. Não havia eleição de "mesa" para "dirigir" a reunião, nem cadeiras perfiladas, nem palestra. Na verdade parecia mais uma festa. Todos jovens, cheios de vida. Alguns sentados, outros em pé conversando, grupos de três, quatro, cinco, articulando planos de ação.
Naquele tempo quase todos meus coleguinhas de rua trabalhavam em uma enorme e bem conhecida fábrica de malas, onde a maioria dos empregados tinha entre 12 e 15 anos. Apesar do ambiente terrível, abafado e repugnante, eu temia ser mandado embora, o que aconteceu antes de completar 2 meses de trabalho. Oito horas de trabalho. Salário miserável. Até hoje não sei o que havia naquela fábrica que atraía tanto a molecada, eu inclusive. Talvez o cheiro de cola.
Não éramos ricos nem pobres
Antes do golpe militar de 1964, tínhamos o necessário em nossas casas, opções de lazer, escolas públicas boas, funcionários e professores bem remunerados. Nossos amigos riquinhos, burros como sempre, iam para as escolas particulares, de péssima qualidade, as mães não os deixavam ir para a rua para brincar, muitos tornaram-se efeminados. Domingos pela manhã lotávamos o cinema do bairro, nenhum daqueles meus amigos precisava trabalhar.
Pagar a passagem de trem? Pagava quem queria, não me lembro de guardas. Se havia algum nunca encheu o saco. Pulávamos o muro da estação ferroviária tanto na ida como na volta. Dificilmente disputávamos lugar para sentar. As composições funcionavam como um relógio e eram limpas.
No pós 64 a qualidade de vida piorou e a repressão comeu solta. Pude reconhecer nos cartazes de "PROCURA-SE" colados pela repressão, nas colunas de todas as estações, alguns estudantes dos colégios do bairro, sob o título de "TERRORISTAS".
A mobilização popular contra o golpe e a ditadura militar implantada no Brasil em 31 de março de 1964, teve lugar, óbviamente, não apenas ali entre os estudantes naquele colégio específico onde meu irmão estudava, na Zona Leste de São Paulo, onde morávamos. Agitação similar ocorreu por toda parte, em todos os rincões do Brasil, de norte a sul, de leste a oeste. Em todos os bairros onde havia um jornal para ler apesar das mentiras escritas neles. Em toda vida onde havia um rádio para escutar, apesar das mentiras que eles diziam. Nas grandes e pequenas cidades, no campo, nas indústrias, o povo queria fazer alguma coisa contra aquilo.
Trevas ainda não dissipadas
Os sindicatos, como acontece até hoje, atrelados ao Estado, funcionavam como concessão que pode ser retirada a qualquer momento. O que veio a ocorrer mais tarde com o ato institucional número 5, que em 1969 mergulhou definitivamente todo o país nas mais densas trevas, as quais até hoje não foram totalmente dissipadas. Os articuladores do golpe, torturadores, assassinos profissionais, TODOS, absolutamente TODOS, permanecem impunes, vergonhosamente, ao contrário do que ocorre em outros países vizinhos que igualmente passaram por regimes ditadoriais.
Muito se fala sobre a perseguição implementada a partir de 1969 contra jornalistas, dirigentes sindicais, políticos, alguns deles hoje recebem do Estado até mesmo pensões por terem resistido à ditadura. Mas há um silêncio perturbador pairando sobre os perseguidos durante o período 1964-1969, a esmagadora maioria desses operários, estudantes, camponeses, não falava outro idioma, não pertenciam à classe média ou alta, não tinham contato nem dispunham de apoio de grupos políticos internacionais. Foram pegos nas favelas da periferia das grandes e pequenas cidades. Desde os morros cariocas até as caatingas do nordeste. Foram trucidados e esmagados. Muitos dos familiares dessas vítimas até hoje não sabem nem mesmo onde foram parar os corpos de seus mortos. Esses milhares de proletários espancados, presos sem acusação declarada, sem condenação, sem julgamento, torturados, humilhados, assassinados pela ditadura, permanessem e permanecerão anônimos enquanto não for instalado um tribunal com reconhecimento internacional para apurar tudo, e passar a limpo nossa história.
Conclusão
A revolução no Egito têm muito a nos ensinar, e cabe a cada um de nós, individualmente ou em grupo, refletir sobre o que está acontecendo hoje no mundo. E é o que faço agora do meu jeito, fora das normas, com tropeços, erros, deficiências.
Diante, do que vi pessoalmente em 1990 em minha viagem pela Palestina, Egito, Marrocos, do que vejo hoje à distancia pela internet e noticiários, dos relatos de amigos presentes na Praça Tahir, o olho do furação, cheguei a algumas conclusões:
A revolução coloca em segundo plano toda e qualquer ideologia. Mesmo simpáticos a uma ou outra, seus milhões de participantes estavam dispostos a descartá-las, provisória ou definitivamente, em favor da unidade. Mesmo porque essas grandes massas estavam mais voltadas para coisas práticas do que estudos e disputas teóricas. Nenhuma ideologia política prevalece em favor da busca constante por consenso.
Não havia bandeiras de partidos enroladas ou agitadas como em um estádio de futebol lotado. Nem disputas entre torcidas organizadas ou não organizadas na arquibancada ou nas ruas. A colaboração e o diálogo prevaleceram. A disputa foi descartada. Não havia adeptos ao time A, B ou C. Havia um time único. Um só time contra toda forma de coersão, opressão, corrupção, mentira, corporação, exploração. Havia um só corpo composto por infinitos membros que interagem entre si. Falamos e agimos por nós mesmos.
Não precisaram de classe política, nem de partido político. Nem de composições de siglas partidárias para desenhar o presente e o futuro. Todos, ou a maioria, jogaram. Ninguém, ou quase ninguém, foi galera, espectador, torcedor. Os exploradores da fé popular são repudiados. Cada homem valeu um homem. Houve repúdio aos especialistas da imprensa, da religião, dos sindicatos, dos partidos, da saúde, da justiça, da educação, do poder estatal, à toda exteriorização petrificada, a toda exteriorização do poder.
Enfim, em sua revolução o proletariado egipcio não encontrou nada de positivo fora de si mesmo.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Votar no PCdoB, PSTU, PCB, PCO ou PSOL ajudará melhorar nosso país?
"Nos indivíduos, a loucura é algo raro - mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra" ~ Friedrich Nietzsche.
"Qualquer idiota pode fazer uma regra e qualquer idiota a seguirá" ~ Henry Thoreau
Os partidos leninistas, trotskystas ou estalinistas (PCdoB, PSTU, PCB, PCO, PSOL) argumentam que deveríamos votar neles porque serão capazes de crescer devido ao seu apelo popular, por suas palavras de órdem por mudança, por se considerarem a vanguarda de amplas seções da classe trabalhadora, as quais estarão expostas ao perigo da alienação se votarem nos partidos de centro e direita, que são explicitamente pró-capitalistas.
Argumentam também que os partidos de centro que alçaram maior ou menor gráu de poder nos últimos 20 anos (PSDB, PT, PTB, PMDB) imprimiram em grande parcela da sociedade indignação, revolta, decepção e arrependimento por tê-los colocado no poder. O povo não tem mais ilusões para com esses partidos. Em outras palavras, alçar reformistas ao poder foi um teste de experiência que não deu certo. E na medida em que tais partidos, por manterem o status quo, trairam as expectativas populares, perderão seus partidários que, por sua vez, migrarão para as fileiras dos radicais, as pessoas irão a procura de outros partidos, os verdadeiros partidos socialistas (PCdoB, PSTU, PCB, PCO, PSOL).
Esses argumentos estão completamente equivocados por três razões.:
Primeiro, é uma tática profundamente desonesta esconder as verdadeiras intenções daqueles que apóiam tal tática. Para falar a verdade é um ato contra-revolucionário. Os radicais não deveriam ir até a mídia capitalista contando meias verdades ou torcendo os fatos sobre aquilo que acreditam. Eles não deveriam esconder suas políticas, nem sugerir o apoio a um sistema ou partidos aos quais eles se opõem. Se isso significa perder popularidade, então que assim seja. O capitalismo, as religiões, -- como matriz de hierarquia e autoritarismo bem ao gosto de oligarcas, latifundiários e coronéis, etc. -- aliena as pessoas mas poucos radicais aproveitam a ocasião para soltar o verbo dizendo o que realmente pensam. No final das contas, ser honesto sobre suas idéias é o melhor modo de produzir um movimento que aponta em direção à libertação de um sistema social corrupto. O movimento que começa com meias verdades está sentenciado ao fracasso.
Em segundo lugar, a lógica dessa teoria que fundamenta este argumento é que ao desiludir-se com seus líderes e partidos reformistas, os eleitores procurarão por novos e "melhores" líderes e partidos. Isso, porém, não atinge a raiz do problema, ou seja, a dependência de líderes que uma sociedade hierárquica cria nas pessoas. O grande movimento revolucionário denominado Power of the People (Poder Popular) iniciado na Tunísia, que passou para o Egito e que promete alastrar-se por todo mundo árabe e guiçá, além, chama a atenção do mundo inteiro pela ausência de bandeiras partidárias de qualquer coloração. O grande desejo expresso pelas multidões na Praça Tahir pode ser condensado em poucas palavras: "Rejeitamos não apenas Mubarak e o regime, rejeitamos também todas e quaisquer versões de líderes "melhores", eles querem o poder popular, ou seja o povo governando a si mesmo, gente autônoma, administrando seus próprios interesses e não seguindo um ou outro líder que aparece. Se você seriamente acha que a libertação da opressão é uma tarefa que cabe aos próprios oprimidos (como os leninistas e trotskystas proclamam) então você precisa rejeitar essa tática em favor daquelas que promovam a auto-atividade do proletariado.
A terceira razão é que essa tática sempre falhou. O que a maioria de seus partidários parece não notar é que os eleitores vem colocado muitas vezes no poder os mesmos partidos reformistas (o PSDB primeiro e depois o PT, governaram o país durante 16 anos, foram 16 anos de ataque e investidas contra o proletariado) e não houve nenhuma radicalização no sentido de avanço na luta. Tanto Lenin como Trotsky sugeriram essa tática há 70 anos atrás e não houve nenhuma radicalização da população por esse método, nem mesmo na militância dos partidos reformistas. Na realidade, de forma bem irônica, a maioria destes ativistas acaba mesmo abandonando seus partidos quando eles chegam ao poder desgostosa pelas tentativas do partido de parecer "realístico" para ganhar mais votos nas próximas eleições! E este descontentamento muitas vezes acaba em desmoralização do próprio socialismo, em vez do partido.
Na medida em que consideramos as razões pelas quais rejeitamos essa tática, o total fracasso dela não surpreende. Se essa tática não ataca a hierarquia, não combate a dependência de líderes, nem se contrapõe ao processo e à ideologia eleitoral, obviamente não representa uma real alternativa à população votante (que vê as eleições como a única opção disponível, desprezando a ação direta como a que se vê agora no mundo árabe). Além disso, a visão dos denominados governos "socialistas" ou "radicais" administrando o capitalismo, impondo cortes, reprimindo greves, e geralmente atacando aqueles que os apoiaram provocará um sério dano à credibilidade de qualquer espécie de socialismo, levando a população a desacreditar de todas as idéias radicais e socialistas. Na verdade, a experiência do governo Lula no Brasil nos últimos 8 anos resultou no crescimento da direita que capitalizou essa desilusão dos votantes.
A recusa em aceitar o fato de que nenhum governo "está de nosso lado", por parte de uma parcela de radicais que vive incitando-nos a votar "sem ilusões" em reformistas, acaba mesmo contribuindo para desarmar as pessoas que ouvem suas teorias. O proletariado, surpreso, confuso e desorientado pelas constantes "traições" dos partidos da esquerda acabam simpatizando com os partidos da direita (que podem subir ao poder via eleições) no intuito da manutenção da estabilidade. Em vez de votar ou incentivar a participação no processo eleitoral os radicais deveriam inspirar-se no exemplo que vemos há 17 dis na Praça Tahir, a prática da ação direta. O ato de votar, longe de nos aproximar de uma solução ou melhorar nossas vidas, apenas agrava nossos problemas.
Quantas vezes temos que eleger o mesmo partido, passar pelo mesmo processo, sofrer as mesmas traições, até percebermos que essa tática não funciona? Ora, se o problema é experimentar algo que nunca foi experimentado antes, poucos socialistas estatais encaminham este argumento a uma solução lógica. Nós raramente os ouvimos argumentar que é necessário que o proletariado passe pelo inferno do fascismo ou do estalinismo para que possa aprender "por si mesmo" o que essas coisas representam.
O exemplo da revolução árabe, em contraste, diz que nós podemos elevar nossa voz tanto contra ditadores como contra políticos reformistas, manter distancia, e ao mesmo tempo incitar as pessoas a não votarem neles. O fato de defender a abstenção significa ajudar a armar teoricamente o povo que entrará em conflito com esses partidos tão logo alcancem o poder. Defender a abstenção significa que todo governo necessariamente será forçado a nos atacar (devido às pressões do capital e do estado) e que temos que responder a esse ataque com nossa própria organização, temos que acumular poder para a autodefesa, temos que promover a autoconfiança da classe trabalhadora em sua própria habilidade, e encorajar a rejeição ao capitalismo, ao estado, à liderança hierárquica. Temos que encorajar o proletariado ao uso da ação direta.
Além disso, nós podemos somar. Somar não significa radicais participando da farsa eleitoral para que as pessoas aceitem suas idéias. As massas verão a prática da ação direta, verão nossa ação, verão as alternativas que criamos, verão e terão acesso à nossa propaganda. Não precisamos nos associar à ação parlamentar para alcançar as multidões.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Não é o Islã radical que preocupa os EUA - é a independência
Publicado no The Guardian em 4 de fevereiro de 2011
texto de Noam Chomsky
"O mundo árabe está em chamas", destacou a Al-Jazeera na semana passada, enquanto em toda a região, os aliados ocidentais "perdem rapidamente sua influência". A onda de choque foi desencadeada pela dramática insurreição na Tunísia, que expulsou um ditador apoiado pelo Ocidente, com repercussões especialmente no Egito, onde manifestantes são brutalmente oprimidos pela polícia de um ditador.
Os observadores compararam os acontecimentos com a queda dos domínios russos em 1989, mas há diferenças importantes. Fundamentalmente, não há nenhum Mikhail Gorbachev entre as grandes potências apoiando ditadores árabes. Em vez disso, Washington e seus aliados mantem o princípio bem estabelecido de que a democracia só é aceitável na medida em que está de acordo com objetivos estratégicos e econômicos: boa em território inimigo (até certo ponto), mas não no nosso quintal, por favor, se não for devidamente domesticada.
Uma comparação de 1989 tem alguma validade: na Romênia, onde Washington mantém seu apoio a Nicolae Ceausescu, o mais cruel dos ditadores do leste europeu, até a fidelidade tornou-se insustentável. Em seguida, Washington elogiou sua derrubada, enquanto o passado foi apagado. Esse é o padrão: Ferdinand Marcos, Jean-Claude Duvalier, Chun Doo-hwan, Suharto e muitos outros gangsters úteis. Pode estar em curso, no caso de Hosni Mubarak, juntamente com os esforços de rotina, tentar garantir um regime sucessor não distante do caminho aprovado. A esperança atual parece ser o legalista Omar Suleiman, general de Mubarak, que acaba de ser nomeado vice-presidente do Egito. Suleiman, o antigo chefe dos serviços de inteligência, é desprezado pelo público rejeitado quase tanto como o próprio ditador.
Um refrão comum entre os especialistas é que o medo do islamismo radical exige (relutante) oposição à democracia, por razões pragmáticas. Embora não sem algum mérito, a formulação é enganosa. A ameaça geral sempre foi a independência. Os EUA e seus aliados têm apoiado regularmente islamitas radicais, às vezes, para evitar a ameaça do nacionalismo secular.
Um exemplo conhecido é a Arábia Saudita, o centro ideológico do islamismo radical (e do terror islâmico). Outro em uma longa lista é Zia ul-Haq, o mais brutal dos ditadores do Paquistão e favorito do presidente Reagan, que realizou um programa de islamização radical (com financiamento saudita).
"O argumento tradicional apresentado dentro e fora do mundo árabe é que não há nada de errado, tudo está sob controle", disse Marwan Muasher, um ex-funcionário da Jordânia e hoje diretor do centro de pesquisas do Middle East research for the Carnegie Endowment. "Com essa linha de pensamento, as forças entrincheiradas argumentam que os adversários e os de fora pedem reformas exagerando as condições no terreno".
Assim o público pode ser dispersado. Isso vale para todo o mundo, inclusive no território dos EUA. Em caso de agitação, mudanças táticas podem ser necessárias, mas sempre com um olho para reassumir o controle.
O movimento vibrante de democracia na Tunísia foi dirigido contra "um estado policial, com pouca liberdade de expressão, de associação e de graves problemas de direitos humanos", governado por um ditador, cuja família era odiado pela sua venalidade. Isso foi dito por Robert Godec, embaixador dos EUA, em um cabo de Julho de 2009 divulgado pelo WikiLeaks.
Portanto, para alguns observadores do WikiLeaks "esses documentos devem criar um sentimento de conforto no público americano de que os funcionários não estão dormindo no ponto" - na verdade, os cabos são tão favoráveis às políticas dos EUA que é quase como se Obama estivesse vazando-os por si mesmo (assim Jacob Heilbrunn escreve em The National Interest.)
"A América deve dar uma medalha a Assange", diz a manchete do "Financial Times", onde Gideon Rachman escreve: "A política externa dos Estados Unidos aparece íntegra, inteligente e pragmática ... a posição pública tomada pelos EUA sobre determinado assunto é geralmente é também a posição privada".
Nessa visão, o WikiLeaks mina os "teóricos da conspiração" que questionam os motivos nobres que Washington proclama.
O cabo Godec apóia essas decisões - isso se não for mais longe. Se fizermos isso, conforme os relatórios do analista de política externa Stephen Zunes no Foreign Policy in Focus, achamos que, com as informações de Godec na mão, Washington forneceu 12 milhões de dólares em ajuda militar para a Tunísia. Quando isso aconteceu, a Tunísia foi um dos cinco beneficiários estrangeiros: Israel (rotina); as duas ditaduras do Oriente Médio, o Egipto e a Jordânia, e a Colômbia, que há muito tempo tem o pior histórico de direitos humanos e a maior parte da ajuda militar dos EUA no hemisfério.
Heilbrunn é o apoio dos árabes para as políticas dos EUA visando o Irã, revelado por cabos e vazado. Rachman também aproveita este exemplo, como fez a mídia em geral, saudando essas revelações encorajadores. As reações mostram quão profundo é o desprezo pela democracia entre os cultos e educados.
Não é mencionado o que a população pensa - coisa que pode ser facilmente descoberta. De acordo com pesquisas divulgadas pelo Brookings Institution, em agosto, alguns árabes concordam com Washington e comentaristas ocidentais de que o Irã é uma ameaça: 10%. Em contraste, eles consideram os EUA e Israel como as principais ameaças (77%, 88%).
A opinião dos árabes é tão hostil às políticas de Washington de que a maioria (57%) acha que a segurança regional poderia ser aumentada, se o Irã tivesse armas nucleares. Ainda assim, "não há nada de errado, tudo está sob controle" (como descreve Muasher, a fantasia dominante). Os ditadores nos apoiam. Seus temas podem ser ignorados - a menos que quebrem suas cadeias, aí a política deve ser ajustada.
Outros vazamentos também parecem dar intusiástico apoio à nobreza de Washington. Em julho de 2009, Hugo Llorens, embaixador dos EUA em Honduras, informou Washington de uma investigação da embaixada de "questões jurídicas e constitucionais em torno da remoção forçada do presidente Manuel 'Mel' Zelaya em 28 junho.
A embaixada concluiu que "não há dúvida de que o tribunal militar, supremo e congresso nacional conspiraram em 28 de Junho, no que constituiu um golpe ilegal e inconstitucional contra o Poder Executivo". Muito admirável, exceto que o presidente Barack Obama começou a romper com a quase totalidade da América Latina e na Europa, apoiando o regime golpista e minimizando as atrocidades subseqüentes.
Talvez as revelações mais notáveis do WikiLeaks tenham a ver com o Paquistão, segundo o analista politico Fred Branfman em Truthdig.
Os cabos revelaram que a embaixada dos EUA está bem ciente de que a guerra de Washington no Afeganistão e no Paquistão não só intensifica o desenfreado anti-americanismo, como também "os riscos de desestabilização do estado paquistanês" e ainda levanta uma ameaça de pesadelo: que as armas nucleares podem cair nas mãos de terroristas islâmicos.
Novamente, as revelações "devem criar uma sensação de conforto ... de que os funcionários não estão dormindo no ponto" (palavras de Heilbrunn) -, enquanto isso Washington marcha para o desastre.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O ANTI-estatismo de Marx e o estatismo da burguesia
Marx em "Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas": Os democratas pequeno-burgueses acham também que é preciso opor-se ao domínio e ao rápido crescimento do capital, em parte limitando o direito de herança, em parte PONDO NAS MÃOS DO ESTADO O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE EMPRESAS.
Marx em "CRÍTICA AO PROGRAMA DE GOTHA": Em que pese a toda sua fanfarronice democrática, o programa está todo ele infestado até a medula da fé servil da seita lassalliana no Estado; ou - o que não é muito melhor - da superstição democrática; ou é, mais propriamente, um compromisso entre estas duas superstições, nenhuma das quais nada tem a ver com o socialismo.
Na sua primeira citação Marx nos diz que estatismo é uma prática burguesa e pequeno burguesa (burguesia e pequeno burguesia que compunha o "partido democrático" alemão de 1850, conforme Marx nos diz no Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas), ou seja, é capitalismo estatal, já na segunda ele nos diz que o socialismo nada tem a ver com o Estado e com a democracia, aliás para ele democracia também é coisa de burguês.
Com se vê, com Marx nos mostrando na 1º citação, o capital (representado nessa citação de Marx pelo partido democrático alemão de 1850, uma coligação de burgueses e pequeno-burgueses) pode usar a total estatização para sobreviver em uma forma não privada e não concorrencial, o estatismo é uma das formas do capitalismo, não tendo nenhuma contradição com o mesmo.
O estatismo não aboli o trabalho assalariado, que por sua vez gera a mais valia, que por sua vez gera e reproduz o capital. Capital (empresa) privado ou estatal, não importa, ambos são capital.
Karl Marx anarquista? Deixo que o próprio Marx responda: "Todos os socialistas entendem por Anarquia o objectivo do movimento proletário, uma vez alcançada a abolição das classes, o poder do Estado, que serve para manter a grande maioria produtora sob o jugo de uma minoria exploradora pouco numerosa, desaparece, e as funções governamentais transformam-se em simples funções administrativas." (As Pretensas Divergências na Internacional)
Segue abaixo trecho do 18 de Brumário sobre a destruição do Estado ou poder estatal, com seu aparelho:
"Todo interesse comum (gemeinsame) ERA IMEDIATAMENTE CORTADO DA SOCIEDADE, contraposto a ela como um interesse superior, geral (allgemeins), retirado da atividade dos próprios membros da sociedade e TRANSFORMADO EM OBJETO DA ATIVIDADE DO GOVERNO, desde a ponte, o edifício da escola e a propriedade comunal de uma aldeia, até as estradas de ferro, a riqueza nacional e as universidades da França. Finalmente, em sua luta contra a revolução, a república parlamentar viu-se forçada a consolidar, juntamente com as medidas repressivas, os recursos e a centralização do poder governamental. Todas as revoluções aperfeiçoaram essa máquina, ao invés de DESTROÇÁ-LA. Os partidos que disputavam o poder encaravam a posse dessa imensa estrutura do Estado como o principal espólio do vencedor."
Segue agora trecho de carta de Marx a Ludwig Kugelmann, de 12 de Abril de 1871:
"Se você reexaminar o último capítulo do meu '18 Brumário', vai constatar que declaro como próximo intento da Revolução na França, não mais como antes, o ato de transferir a maquinaria burocrático-militar de uma mão para outra, mas sim DESPEDAÇA-LA (no original alemão 'zerbrechen', despedaçar, quebrar, fraturar, destruir etc). E essa é a pré-condição de toda e qualquer verdadeira revolução popular no continente. É também a tentativa que nossos heróicos companheiros da Comuna de Paris estão empreendendo."
Há essas e muitas outras citações que não deixam duvidas do anti-estatismo de Marx.
Comentário extraído de http://goo.gl/qkbiI
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Mundo árabe: A maldição da estabilidade
Por enquanto a "estabilidade" é a base fundamental sobre a qual o regime egípcio repousa para justificar a sua existência e sua continuidade, tanto interna como externamente. Após sete dias da revolução egípcia, tal estabilidade não é mais aceitável para os egípcios, que repudiam a política do regime sitiado tanto quanto sua propaganda.
Tudo começou com a retirada da segurança das ruas, da frente dos bancos, das prisões que foram abertas para a fuga de criminosos para que alcançassem as ruas, para alarmar especialmente os círculos da classe média que querem restabelecer e manter o status quo.
Este cenário também inclui os meios de comunicação que dão imensa amplificação para qualquer incidente, mesmo pequeno, para atrair a atenção para longe da exigência revolucionária no Egito: as pessoas querem derrubar o regime, querem liberdade, democracia, fim da corrupção, solução das questões sociais e redirecionamentos políticos em favor dos pobres.
O cenário pretende glorificar a estabilidade para permitir que os serviços degradados, públicos e privados, especialmente no que diz respeito à transferência de bens alimentares, à produção de pão, à limitação do horário de trabalho e as quantidades fornecidas pelos postos de gasolina.
O fato é que esses cenários são clássicos nos momentos de vibração que precedem a decadência dos regimes ditatoriais. Os egípcios viram na televisão, alguns dias antes de sua revolta, rigorosamente o mesmo cenário na revolução da Tunísia. No ano de 1973 no Chile, os generais aliados ao empresariado e à CIA prepararam a derrubada de Salvador Allende democraticamente eleito pela população: favorecendo o banditismo, impedindo motoristas de caminhão de trasportarem alimentos do campo à cidade, fechando lojas para colocar pressão sobre os cidadãos e empurrá-los para o desespero.
No momento em que os defensores da mudança e suas famílias começam a pensar numa forma de se proteger da morte ou de saque, garantir comida e água, ou mesmo conseguir dinheiro suficiente em suas contas bancárias para que possam suprir suas necessidades diárias, aparentemente são atacados por esses demônios e passam a defender e glorificar a antiga estabilidade: "Deus nos deu o que temos, talvez sejamos pessoas abençoadas, devemos dar valor à estabilidade", dizem eles, um tanto quanto confusos.
A realidade é que os frutos dessa estabilidade -- pobreza, deterioração da educação e da saúde, opressão, domínio hereditário, saque da riqueza em benefício dos empresários, dos corruptos, em detrimento da vida das pessoas e do seu futuro -- empurraram as pessoas para as ruas, incluindo empresários e dirigentes de empresas, juízes e outras pessoas que estão nas categorias de base da ciência política.
Até mesmo aqueles que estão melhor posicionados economicamente reconhecem o estado de insatisfação da maior parte da população, essa situação não favorece ninguém, e é contra isso que todos estão gritando agora.
No final dos anos oitenta e noventa, milhares de famílias nos centros de Fayoum foram despejados de suas casas pela suspeita de que uma família pertencer ao Movimento Islâmico. Arrancaram as pessoas nuas de suas casas e depois espalharam destruição nas ruas da vila de Tjerishm. Os corpos de islamitas mortos foram colocados em cima de caminhões abertos para circularem pelas ruas da cidade para estabelecer o pânico no coração da população após a liquidação física da organização Alhawkiin.
Após a queda do movimento islâmico, o mais envolvido com os interesses dos mais pobres e dos camponeses, os jornais pararam de noticiar detenções ou torturas sofridas por esse segmento, e voltaram sua atenção para estratos sociais mais altos, isso tornou-se um procedimento básico seguido mesmo em casos criminais. Não há situação pior do que perder a capacidade de proteger a si e a sua família da crueldade do Estado só porque você é pobre e não tem como proteger-se.
O que dizer de Khaled Said, torturado até a morte nas mãos de dois policiais que queriam revistá-lo usando a lei de emergência, a partir da perspectiva de sua família e amigos? Do "caos" em suas vidas? Da sensação de insegurança em suas vidas? O que dizer sobre todos aqueles que foram mutilados ou mortos sob tortura nas prisões e delegacias de polícia?
No que diz respeito à alimentação. A estabilidade que eles querem nos obrigar a voltar, os preconceitos, os outros inconvenientes, são semelhante ao caos que criam para nós agora. Quanto ao pão, a crise chegou ao ponto de pessoas se matarem mutuamente, a fim de obtê-lo. A luta por alimentos é vivida pelo país ano após ano, deixando mortos e feridos. Falar sobre o caos? Não há maior confusão do que os milhões que moram em favelas em condições sub-humanas. Enquanto isso o governo, preocupa-se com o consumo recreativo de alguns poucos, direciondo para eles a maior parte dos recursos.
Ano após ano os graduados universitários terminar seus estudos, e dão de cara com o caos do desemprego. Se conseguem um parente ou amigo que lhes arranja um emprego, este mal dá para cobrir as despesas básicas, muito menos as de um casamento, de habitação, ou outros.
Há caos maior do que o analfabetismo na metade da população? Há caos mais amplo que as fraudulentas estatísticas patrocinadas pelo governo? Há caos mais profundo do que baixos valores de eficiência e de produção em favor do clientelismo e da lealdade para com os governantes?
A verdadeira fonte do caos é um sistema baseado nessa estabilidade e na estabilidade desse sistema, que não é desejada agora nem mesmo por seus aliados no exterior. As massas, os manifestantes do campo e da cidade, os mártires, a solidariedade, a humanidade, o entusiasmo na promoção da liberdade, tudo isso abre para nós uma janela de energia e luz em direção a uma outra comunidade onde não haja lugar para a glorificação dos defensores da "estabilidade" e do regime.
Texto adaptado de http://khoyout.blogspot.com/2011/02/blog-post.html?spref=tw
l
Tudo começou com a retirada da segurança das ruas, da frente dos bancos, das prisões que foram abertas para a fuga de criminosos para que alcançassem as ruas, para alarmar especialmente os círculos da classe média que querem restabelecer e manter o status quo.
Este cenário também inclui os meios de comunicação que dão imensa amplificação para qualquer incidente, mesmo pequeno, para atrair a atenção para longe da exigência revolucionária no Egito: as pessoas querem derrubar o regime, querem liberdade, democracia, fim da corrupção, solução das questões sociais e redirecionamentos políticos em favor dos pobres.
O cenário pretende glorificar a estabilidade para permitir que os serviços degradados, públicos e privados, especialmente no que diz respeito à transferência de bens alimentares, à produção de pão, à limitação do horário de trabalho e as quantidades fornecidas pelos postos de gasolina.
O fato é que esses cenários são clássicos nos momentos de vibração que precedem a decadência dos regimes ditatoriais. Os egípcios viram na televisão, alguns dias antes de sua revolta, rigorosamente o mesmo cenário na revolução da Tunísia. No ano de 1973 no Chile, os generais aliados ao empresariado e à CIA prepararam a derrubada de Salvador Allende democraticamente eleito pela população: favorecendo o banditismo, impedindo motoristas de caminhão de trasportarem alimentos do campo à cidade, fechando lojas para colocar pressão sobre os cidadãos e empurrá-los para o desespero.
No momento em que os defensores da mudança e suas famílias começam a pensar numa forma de se proteger da morte ou de saque, garantir comida e água, ou mesmo conseguir dinheiro suficiente em suas contas bancárias para que possam suprir suas necessidades diárias, aparentemente são atacados por esses demônios e passam a defender e glorificar a antiga estabilidade: "Deus nos deu o que temos, talvez sejamos pessoas abençoadas, devemos dar valor à estabilidade", dizem eles, um tanto quanto confusos.
A realidade é que os frutos dessa estabilidade -- pobreza, deterioração da educação e da saúde, opressão, domínio hereditário, saque da riqueza em benefício dos empresários, dos corruptos, em detrimento da vida das pessoas e do seu futuro -- empurraram as pessoas para as ruas, incluindo empresários e dirigentes de empresas, juízes e outras pessoas que estão nas categorias de base da ciência política.
Até mesmo aqueles que estão melhor posicionados economicamente reconhecem o estado de insatisfação da maior parte da população, essa situação não favorece ninguém, e é contra isso que todos estão gritando agora.
No final dos anos oitenta e noventa, milhares de famílias nos centros de Fayoum foram despejados de suas casas pela suspeita de que uma família pertencer ao Movimento Islâmico. Arrancaram as pessoas nuas de suas casas e depois espalharam destruição nas ruas da vila de Tjerishm. Os corpos de islamitas mortos foram colocados em cima de caminhões abertos para circularem pelas ruas da cidade para estabelecer o pânico no coração da população após a liquidação física da organização Alhawkiin.
Após a queda do movimento islâmico, o mais envolvido com os interesses dos mais pobres e dos camponeses, os jornais pararam de noticiar detenções ou torturas sofridas por esse segmento, e voltaram sua atenção para estratos sociais mais altos, isso tornou-se um procedimento básico seguido mesmo em casos criminais. Não há situação pior do que perder a capacidade de proteger a si e a sua família da crueldade do Estado só porque você é pobre e não tem como proteger-se.
O que dizer de Khaled Said, torturado até a morte nas mãos de dois policiais que queriam revistá-lo usando a lei de emergência, a partir da perspectiva de sua família e amigos? Do "caos" em suas vidas? Da sensação de insegurança em suas vidas? O que dizer sobre todos aqueles que foram mutilados ou mortos sob tortura nas prisões e delegacias de polícia?
No que diz respeito à alimentação. A estabilidade que eles querem nos obrigar a voltar, os preconceitos, os outros inconvenientes, são semelhante ao caos que criam para nós agora. Quanto ao pão, a crise chegou ao ponto de pessoas se matarem mutuamente, a fim de obtê-lo. A luta por alimentos é vivida pelo país ano após ano, deixando mortos e feridos. Falar sobre o caos? Não há maior confusão do que os milhões que moram em favelas em condições sub-humanas. Enquanto isso o governo, preocupa-se com o consumo recreativo de alguns poucos, direciondo para eles a maior parte dos recursos.
Ano após ano os graduados universitários terminar seus estudos, e dão de cara com o caos do desemprego. Se conseguem um parente ou amigo que lhes arranja um emprego, este mal dá para cobrir as despesas básicas, muito menos as de um casamento, de habitação, ou outros.
Há caos maior do que o analfabetismo na metade da população? Há caos mais amplo que as fraudulentas estatísticas patrocinadas pelo governo? Há caos mais profundo do que baixos valores de eficiência e de produção em favor do clientelismo e da lealdade para com os governantes?
A verdadeira fonte do caos é um sistema baseado nessa estabilidade e na estabilidade desse sistema, que não é desejada agora nem mesmo por seus aliados no exterior. As massas, os manifestantes do campo e da cidade, os mártires, a solidariedade, a humanidade, o entusiasmo na promoção da liberdade, tudo isso abre para nós uma janela de energia e luz em direção a uma outra comunidade onde não haja lugar para a glorificação dos defensores da "estabilidade" e do regime.
Texto adaptado de http://khoyout.blogspot.com/2011/02/blog-post.html?spref=tw
l
Mundo Árabe: Calendário da Revolução
Uma calendário da revolução árabe está sendo divulgado online, com as potenciais datas marcado para revoluções no Sudão, Síria, Argélia, Líbia e Marrocos. As datas são 30 de janeiro (estudantes sudaneses já estão marchando pelas ruas de Cartum), 05 de fevereiro, 12 de fevereiro e 13 de março, respectivamente.
No Baréin, a data que está sendo sussurrada é 14 de fevereiro e a conversa no Twitter é também a de dar lances sobre as mudanças na Arábia Saudita e no resto do mundo árabe.
Após a Tunísia, que pegou as pessoas de surpresa, a pergunta na mente de todos era: poderia esta bem sucedida derrubada de um ditador se repetir em qualquer outro país[?] Dez dias depois, os egípcios se levantaram, primeiro exigindo reformas políticas e econômicas e, agora, pedindo a cabeça do presidente Hosni Mubarak, que os governa há 30 anos.
Reações no Twitter vão da descrença à completa solidariedade com a mudança, alguns até desejando que as ondas da revolução cheguem a suas costas. A conversa é internacional, com os usuários do Twitter em todo o mundo dando suas opiniões.
fonte:
http://pt.globalvoicesonline.org/2011/02/02/mundo-arabe-calendario-da-revolucao-2/
No Baréin, a data que está sendo sussurrada é 14 de fevereiro e a conversa no Twitter é também a de dar lances sobre as mudanças na Arábia Saudita e no resto do mundo árabe.
Após a Tunísia, que pegou as pessoas de surpresa, a pergunta na mente de todos era: poderia esta bem sucedida derrubada de um ditador se repetir em qualquer outro país[?] Dez dias depois, os egípcios se levantaram, primeiro exigindo reformas políticas e econômicas e, agora, pedindo a cabeça do presidente Hosni Mubarak, que os governa há 30 anos.
Reações no Twitter vão da descrença à completa solidariedade com a mudança, alguns até desejando que as ondas da revolução cheguem a suas costas. A conversa é internacional, com os usuários do Twitter em todo o mundo dando suas opiniões.
fonte:
http://pt.globalvoicesonline.org/2011/02/02/mundo-arabe-calendario-da-revolucao-2/
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Revolução e Poder Popular: começo do fim dos estados capitalistas e comunistas?
Qualquer criança que observar um mapa do norte da África notará algo peculiar nas fronteiras entre os países. A impressão que se tem é que os territórios da Argélia, Mauritânia, Mali, Nigéria, Líbia, Egito, Tunísia, Iemen, Sudão, Chade, etc., foram desenhados com o uso de uma régua. O mais estranho é que estes traços contínuos em lina reta não foram delineados pelos povos africanos, mas pelos estados europeus em suas guerras colonialistas e de conquista de territórios.
O poder estatal age sempre dessa forma, desde a macro escala mundial, até a micro escala do município onde moramos. Não importa se o regime é uma ditadura escancarada como a do Egito ou Irã. Não importa se o regime é uma ditadura maquiada por um ou dois dias de eleições a cada conjunto de anos como ocorre no Brasil, Estados Unidos, ou em quase toda parte. O resultado é sempre o mesmo, os traços contínuos em linha reta não são delineados pelo povo mas pelos políticos profissionais em suas guerras por dinheiro, fama e poder.
Embora as antigas colônias africanas tenham conseguido libertar-se em suas guerras de independência, não conseguiram ainda libertar-se dos laços e das influências colonialistas que transformaram quase todo continente negro, apesar de sua imensa riqueza de recursos, na região mais miserável da terra.
As Revoluções em curso na Argélia, Tunísia, Iemen e principalmente no Egito, inauguraram um novo momento político e pela força e pelo apoio popular que vem recebendo por toda parte, promete se alastrar guiçá, além do continente. Já não há mais países europeus lutando entre si e contra os povos africanos pelo controle de colônias. Já não há mais blocos capitalistas ou comunistas lutando entre si e contra os povos africanos pelo controle político, ideológico e econômico. O muro de Berlim caiu e os dois reis, Estados Unidos e Rússia, ficaram nús.
A mensagem que vem das ruas do Cairo e de Alexandria é clara e o recado ao mundo é preciso: Não somos mais colônia européia, e a era de bonecos capitalistas ou comunistas impostos pelos Estados Unidos e pela Rússia acabou.
Esse momento de virada histórica em busca por liberdade e autodeterminação já passou para o outro lado do Mar Vermelho, do Iémem pode contagiar a Arábia Saudita, Iraque, Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, e até mesmo chegar à superpopulosa ìndia, com seu 1,21 bilhão de habitantes.
Não dá para prever as consequencias de tal tisuname político e econômico para a Europa, Ásia e Américas. Alguns daqueles países detêm os maiores poços de petróleo e consequentemente, uma das maiores concentrações de riqueza no mundo.
A era do colonialismo passou e a luta fraticida entre estados capitalistas e comunistas está com seus dias contados. O poder popular pode finalmente fazer sucumbir o poder do Estado em todos os rincões do planeta.
BBC News - People power builds momentum in Egypt
Philippine People Power in Egypt
Unprecedented show of people power at Egypt's Tahrir Square
Egypt's youth at forefront of 'people power' movement
O poder estatal age sempre dessa forma, desde a macro escala mundial, até a micro escala do município onde moramos. Não importa se o regime é uma ditadura escancarada como a do Egito ou Irã. Não importa se o regime é uma ditadura maquiada por um ou dois dias de eleições a cada conjunto de anos como ocorre no Brasil, Estados Unidos, ou em quase toda parte. O resultado é sempre o mesmo, os traços contínuos em linha reta não são delineados pelo povo mas pelos políticos profissionais em suas guerras por dinheiro, fama e poder.
Embora as antigas colônias africanas tenham conseguido libertar-se em suas guerras de independência, não conseguiram ainda libertar-se dos laços e das influências colonialistas que transformaram quase todo continente negro, apesar de sua imensa riqueza de recursos, na região mais miserável da terra.
As Revoluções em curso na Argélia, Tunísia, Iemen e principalmente no Egito, inauguraram um novo momento político e pela força e pelo apoio popular que vem recebendo por toda parte, promete se alastrar guiçá, além do continente. Já não há mais países europeus lutando entre si e contra os povos africanos pelo controle de colônias. Já não há mais blocos capitalistas ou comunistas lutando entre si e contra os povos africanos pelo controle político, ideológico e econômico. O muro de Berlim caiu e os dois reis, Estados Unidos e Rússia, ficaram nús.
A mensagem que vem das ruas do Cairo e de Alexandria é clara e o recado ao mundo é preciso: Não somos mais colônia européia, e a era de bonecos capitalistas ou comunistas impostos pelos Estados Unidos e pela Rússia acabou.
Esse momento de virada histórica em busca por liberdade e autodeterminação já passou para o outro lado do Mar Vermelho, do Iémem pode contagiar a Arábia Saudita, Iraque, Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, e até mesmo chegar à superpopulosa ìndia, com seu 1,21 bilhão de habitantes.
Não dá para prever as consequencias de tal tisuname político e econômico para a Europa, Ásia e Américas. Alguns daqueles países detêm os maiores poços de petróleo e consequentemente, uma das maiores concentrações de riqueza no mundo.
A era do colonialismo passou e a luta fraticida entre estados capitalistas e comunistas está com seus dias contados. O poder popular pode finalmente fazer sucumbir o poder do Estado em todos os rincões do planeta.
BBC News - People power builds momentum in Egypt
Philippine People Power in Egypt
Unprecedented show of people power at Egypt's Tahrir Square
Egypt's youth at forefront of 'people power' movement
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Uma mensagem para o Governo dos Estados Unidos
Para os membros do governo dos Estados Unidos da América:
Os olhos do mundo atualmente repousam sobre a reforma democrática em curso na República Árabe do Egipto. Como bem sabem, o desenrolar dos acontecimentos não contempla tua vantagem estratégica ou política. Em contraste com tua administração, nós, membros do Anonymous, apoiamos a revolução egípcia. Pedimos que façam o mesmo. Solicitamos que eliminem imediatamente toda ajuda militar e política ao regime de Hosni Mubarak. Pedimos que prestem apoio ao povo do Egito durante a luta contra a tirania (apoio à plataforma de independência, liberdade e democracia que pretende se instalar daqui para a frente).
Embora tua administração, numa tentativa de proteger os interesses norte-americanos, hesite reconhecer atos de um ditador assassino, o povo do Egito está determinado em sua luta pela liberdade.
Vocês forneceram financiamento e instrumentos de repressão para um regime autocrático, ajudando a suprimir os direitos humanos básicos dos cidadãos. Após tais ações abomináveis, não esperem que os cidadãos do Egito apoiem seus interesses. No uso da Declaração Universal de Direitos Humanos para protestar, conforme fixado pela Organização das Nações Unidas em 1948, o povo egípcio é atacado por bombas de gás lacrimogêneo "Made in EUA". Não esperem que o povo do Egito respeite teu país, quando vocês contribuem para sua opressão.
O povo do Egito já se manifestou, e a ditadura de Mubarak será expulsa. Agora é hora de reavaliar teus interesses, no Egito. Vocês vão continuar a apoiar a tirania, ou reverter tal postura e lutar pelo povo? É o povo que finalmente decide o destino de uma nação. Seu governo segue a filosofia da soberania pública? O poder é sempre do povo.
"Uma revolução está chegando - uma revolução que será pacífica se formos suficientemente sábios, compassivos, interessados; terá sucesso se tivermos suficiente sorte -, mas diante de uma revolução não podemos afetar o seu caráter. Não podemos alterar a sua inevitabilidade". - Robert F. Kennedy
Somos Anônimos
Somos uma legião
Não perdoamos
Não esquecemos
Estamos a caminho
-Anonymous
Assinar:
Postagens (Atom)





