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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Ao honorável povo e Agências da República Islâmica do Irã
O que aconteceu na sequência da eleição de 12 de junho e especificamente no sábado, dia 20 de junho, usurpou-nos aquele restinho de paz que ainda tínhamos em nossa consciência. Multidões, cuja única intenção era fazer ouvir sua insatisfação com os resultados de uma eleição suspeita, com base no direito de dissidência garantida pelo artigo 27 da Constituição da República Islâmica do Irã, marcharam pacificamente, sem ameaçar a vida ou propriedade, e na maioria dos casos, em silêncio para protestar contra o resultado da eleição. Os milhões de manifestantes, que saíram às ruas pacificamente, provaram de uma vez por todas, que o protesto pacífico é o modo padrão de resistência no Irã, e que se o governo se abstém de suprimir as massas, podemos estar certos de que não haverá desordem e que, melhor do que qualquer policial, é o povo que garante e salvaguarda a segurança da nação. Quão lamentável foi o momento em que, em seguida, forças ligadas ao poder militar decidiram injustificadamente quebrar a segurança desses encontros pacíficos e, até mesmo, atirar com balas reais em multidões. A violência destes dias provou mais uma vez aquilo que o povo iraniano tem experimentado várias vezes: fechar o caminho da resistência não violenta e do exame imparcial das acusações válidas só vicia a legitimidade dos seus governantes. Será impossível reagir de forma pacífica para resolver os problemas que ocorreram após a eleição? O regime não poderia ter assegurado os meios de protesto para o seu povo e facilitado a divulgação da informação, nomeadamente através da mídia nacional, em vez de responder com vigor?
É ainda mais doloroso que estas violações atinjam diretamente os estudantes universitários, professores e estudiosos da nossa pátria. Invadir a esfera dos direitos das universidades e dormitórios estudantis, bem como a detenção de muitos dos estudantes e pensadores do país, apenas indica as origens da mentalidade ossificada dos criadores destas catástrofes, aqueles que não podem tolerar a existência de intelectuais, e expõem seu receio de uma população informada, fechando todas as vias de comunicação. Sem dúvida, os aspectos éticos, jurídicos, religiosos e a culpabilidade dessas ações repressivas refletem oficiais desonestos que comandam forças que assassinam o povo indefeso. Não foi culpando manifestantes e líderes reformistas, cujos slogans convidam resistência não violenta, o mesmo caminho seguido por todos os regimes repressivos para justificar seus crimes em situações semelhantes?
Nós, um grupo desta terra e nutrido por esta terra, que tem trabalhado duro para elevar a honra do nome de nosso país nos diversos ramos da ciência, não podemos mais permanecer em silêncio. Condenamos veementemente esses atos criminosos, bem como solicitamos a cessação da repressão e o incondicional abate do povo indefeso nas ruas e nas universidades. Exigimos que os estudantes recentemente detidos, jornalistas e ativistas políticos sejam libertados e que as pessoas encarregadas de atacar universidades e protestos pacíficos sejam punidos. Acreditamos que a impunidade dos responsáveis pela violência desencadeada há quase 10 anos em 9 de julho de 1999 e nos dias que se seguiram, resultou em menor tolerância para os mais civilizados e pacíficos manifestantes, um comportamento que infringe a propriedade e a vida em uma medida imperdoável. Exigimos que a República Islâmica do Irã pelo seu sistema de radiodifusão ponha termo ao seu comportamento divisionista qualificando os manifestantes como "desordeiros". Esta entidade deve se lembrar de seu papel enquanto mídia nacional e levar a sério a sua missão de divulgação de informações de forma imparcial. Convém lembrar que o seu papel não é plantar as sementes de uma maior agitação nem elaborar mentiras. Ressaltamos que, em nossa opinião, preparar os fundamentos para a livre troca de informações, opiniões e crenças e, sobretudo, a segurança dos estudantes, acadêmicos e intelectuais, são as responsabilidades do governo e são as mais elementares condições para o crescimento científico e social de uma nação.
Na esperança de que nossos funcionários do governo, nossa cultura, e aqueles de nós que estão no estrangeiro, possamos todos aprender essa lição de paciência, silêncio, e não-violência de nossos irmãos e irmãs em todo o nosso querido país.
Julho de 2009
Assinaturas
A pedido do Sr. Frank Steiner - por questões de segurança dos envolvidos - os 302 nomes que compunham as assinaturas foram removidos.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Quem é quem na política iraniana

O Irã vive o momento de maior agitação desde a revolução islâmica de 1979. Com milhões de pessoas nas ruas contestando o resultado das eleições presidenciais, supostamente ganhas pelo atual presidente Ahmadinejad, os protestos já dividem o regime e as consequências são imprevisíveis.

O líder supremo, ayatollah Ali Khamenei
O grande ayatollah Sayyid Ali Hoseyni Khamenei é o Líder Supremo do Irã desde 1989, sucedendo ao ayatollah Khomeini depois da morte deste. O cargo de Líder Supremo, criado pela Constituição da República Islâmica, é o mais alto cargo político e a mais alta autoridade religiosa da Nação, superior, portanto, ao de Presidente da República. Aliás, é ele que nomeia seis dos 12 juristas que compõem o Conselho dos Guardiães, que decide quem pode se candidatar à Presidência.
Khamenei foi presidente do Irã entre 1981 e 1989, sendo eleito com mais de 95% dos votos e posteriormente reeleito com 85%. Meses antes, foi vítima de um atentado que terá sido perpetrado pela Organização Mujahedin Khalq, tendo sido ferido no peito e na mão.
A sua presidência foi marcada pela repressão contra os "desvios, o liberalismo e a esquerda" e pela guerra Irã-Iraque (1980-88). Durante quase todo o seu mandato, o primeiro-ministro foi Mir Hussein Moussavi, até que em 1989 esse cargo foi extinto.
Confirmou a validade das últimas eleições e disse que Ahmadinejad é "o presidente de todos os iranianos"
Site oficial: http://www.leader.ir/langs/en/
Mahmoud Ahmadinejad

Engenheiro civil formado pela Universidade de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad foi fundador da Associação Islâmica de Estudantes da Universidade de Ciência e Tecnologia. Durante a guerra Irã-Iraque, participou das forças voluntárias em diferentes frentes de batalha.
Governou as cidades de Makd e Khoy durante quatro anos e foi conselheiro do governador-geral da província de Curdistão. Tornou-se governador da província de Ardabil, em 1993, sendo destituído em 1997 pelo presidente Mohammad Khatami.
Em Junho de 2005, foi eleito presidente, obtendo cerca de 62% dos votos e derrotando na 2ª volta Hashemi Rafsanjani. Disse na campanha que pretendia criar "um governo exemplar para os povos do mundo" e definiu a sua política dentro dos princípios islâmicos e revolucionários. Um dos seus proclamados objetivos foi "pôr o rendimento do petróleo na mesa das pessoas".
Apesar de ser profundamente religioso, foi um dos primeiros não integrantes do clero a ser eleito presidente do Irã desde 1981.
São conhecidas as suas posições linha-dura, opondo-se às reformas das instituições políticas.
Site oficial: http://www.president.ir/en/
Mir Hussein Moussavi

Arquiteto formado pela Universidade de Teerã, é especialista em arquitetura islâmica tradicional e preside à Academia Iraniana de Artes. Foi o quinto e último primeiro-ministro do Irã, de 1981 a 1989. O cargo foi extinto, na mudança constitucional de 1989.
Nos primeiros anos da revolução, foi editor do jornal oficial do Partido Republicano Islâmico, o Jomhouri-e Eslami ("República Islâmica").
Manteve-se fora da política depois de 1989, mas voltou para concorrer à Presidência, contando com o apoio dos ex-presidentes Mohammad Khatami e Hashemi Rafsanjani. A sua candidatura despertou uma onda de entusiasmo e desencadeou a revolta quando foi anunciada a vitória de Ahmadinejad, denunciada como fraudulenta. Moussavi pediu a repetição das eleições e chamou a sucessivas manifestações de protesto.
Mohammad Khatami

Formado em Filosofia ocidental na Universidade de Isfahan, estudou Ciências Islâmicas em Qom, até o mais alto nível, Ijtihad. Foi depois para Alemanha, onde dirigiu o Centro Islâmico de Hamburgo, cargo que ocupou até a Revolução iraniana. Foi deputado de 1980 a 1982 e Ministro de Cultura (de 1982 a 1986, e por um segundo período de 1989 até o 24 de maio de 1992, data em que renunciou).
Em 1997, Khatami foi eleito presidente com cerca de 70% dos votos, e reeleito para um segundo mandato em 2001. O centro da sua campanha foi o império da Lei, a democracia e a inclusão de todos os iranianos no processo de tomada de decisões políticas.
Khatami concorreu inicialmente às eleições de 2009, mas depois retirou-se da disputa e apoiou Hussein Moussavi.
Ali Akbar Hashemi Rafsanjani

Estudou teologia em Qom junto com o ayatollah Khomeini, tornando-se muito próximo deste. Foi presidente do Parlamento de 1980 a 1989. No último ano da guerra com o Iraque, foi nomeado por Khomeini comandante em-chefe das Forças Armadas.
Rafsanjani foi o presidente do Irã entre 1989 e 1997. Em 2005 candidatou-se outra vez, venceu o 1º turno, mas perdeu no segundo turno para Ahmadinejad.
É considerado o homem mais rico do Irã. A sua família possui um vasto império empresarial na área do comércio externo (é o maior exportador de pistácio do país), possui vastas propriedades fundiárias e é dona da maior rede de universidades privadas do país, com 300 campi em todo o país e 3 milhões de estudantes.
Apoiou Moussavi e foi acusado de corrupção por Ahmadinejad. Os seus filhos foram impedidos de sair do país durante a atual crise.
Guarda Revolucionária

O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica do Irã foi criado logo após a revolução para defender o sistema islâmico do país e para oferecer um contrapeso às Forças Armadas. Desde então, tornou-se uma importante força militar, política e econômica no Irã, com fortes vínculos com o Líder Supremo e com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, um de seus ex-membros.
Calcula-se que tenha 125 mil tropas ativas.
A guarda também tem uma presença poderosa em instituições civis e, acredita-se, controla cerca de um terço da economia do Irã por meio de uma série de subsidiárias.
Milícias Basij

A Guarda Revolucionária também controla a Força de Resistência Basij, uma milícia voluntária islâmica com cerca de 90 mil homens e mulheres e capacidade adicional de mobilizar quase um milhão de pessoas.
Em tempos de crise, a Basij, ou Mobilização dos Oprimidos, é chamada com frequência às ruas para acabar com a discórdia por meio da força. Possui núcleos em todas as cidades do país.
Fonte: http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=12457&Itemid=121
quarta-feira, 8 de julho de 2009
IRÃ. Manifestantes aconselhados a levar rosas como armas
Manter a calma em todas as circunstâncias, diz um panfleto orientando para a marcha de quinta-feira, proibida em todas as cidades do Irã.
"A arma mais pesada para transportar é uma rosa na mão", diz.
Os iranianos se preparam para quinta-feira, que poderá ser mais um dia de violentos confrontos entre manifestantes e forças de segurança, incluindo a Basij (milícia pró-governo à paisana), apesar dos apoiadores do candidato da oposição, Mir-Hossein Mousavi, [e não-apoiadores revolucionários]distribuirem instruções para tentar minimizar eventuais atos de violência.
Um vídeo publicado na Internet mostra aos manifestantes como fazer para desativar as motocicletas usadas pelos bate-paus Basiji e pelos milicianos da Ansar-e-Hezbollah.
As marchas, que estão ocorrendo em meio à contínua discórdia política desde 12 de junho na [controversa] eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, marcam o 10º aniversário da violenta invasão aos dormitórios da universidade de Teerã por milícias pró-governamentais e subsequentes semanas de agitação.
O panfleto distribuído aos manifestantes recomenda evitar vestir verde que se tornou a cor oficial da campanha Mousavi ou "visual estravagante", a fim de demonstrar que os participantes da marcha têm sérias intenções.
Sugere aos manifestantes deixar celulares e jóias em casa e levar apenas a carteira de identidade e números de telefone de parentes.
Se o manifestante decidir que é demasiado arriscado participar da marcha, o folheto aconselha-o a circular a pé ou de carro ao redor em seu próprios bairro, mostrando o sinal de "vitória" com os dedos.
"Tenha em mente que o ponto mais importante é o de caminhar para o destino nem que seja por outro caminho", aconselha a mensagem. "Onde quer que você veja a polícia anti-motim ou milícia ... impedindo você mudar o seu caminho ... ... o objetivo é continuar seguindo em frente."
- Los Angeles Times
http://latimesblogs.latimes.com/babylonbeyond/2009/07/iran-protestors-advised-to-carry-roses-as-weapons.html
http://latimesblogs.latimes.com/.a/6a00d8341c630a53ef011570e43a5a970c-pi
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