Mostrando postagens com marcador Baltasar Garzón marcha manifesto apoio Garzón homenagem vítimas franquismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Baltasar Garzón marcha manifesto apoio Garzón homenagem vítimas franquismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de abril de 2010

Manifesto Contra a Impunidade do Franquismo

Em Madri, ontem, personalidades como o cineasta Pedro Almodóvar e o poeta Marcos Ana, lançaram o manifesto abaixo. Fora do país, também estão previstos protestos em frente a embaixadas espanholas em Buenos Aires, Paris, México, Londres e Lisboa.

Manifesto Contra a Impunidade do Franquismo

Justiça não é só uma palavra formosa.

A justiça é uma condição imprescindível da dignidade humana.

A justiça é também calor, fraternidade, solidariedade com aqueles que sofreram a implacável injustiça do terror.

A sociedade civil saiu esta tarde à rua, em toda Espanha, para assumir a causa das vítimas do terror franquista, e para reivindicar a dignidade das centenas de milhares de homens e mulheres que deram suas vidas pela liberdade e pela democracia de nosso país.

Hoje, tantos anos depois, estamos conscientes do preço que eles pagaram para que possamos reunir-nos livre e pacificamente nesta praça, em nome deles e em nome da liberdade, da justiça e da democracia.

Acima dos tecnicismos, das argucias legais e os labirintos jurídicos, queremos afirmar que hoje, uma vez mais, é a dignidade das vítimas do franquismo o que está em jogo.

As conseqüências de um processo que, em democracia, suja sua memória, despreza a dor de seus filhos, de seus netos, e condena as aspirações de justiça de centenas de milhares de famílias espanholas, e vai além do próprio processo.

Esta causa poderia interpretar-se, e assim o fez a imprensa estrangeira, como uma lamentável prova da menoridade da democracia espanhola, um estado que trinta e cinco anos depois do desaparecimento do ditador, segue acusando os efeitos do terror indiscriminado ao que Francisco Franco recorreu para tiranizar aos espanhóis durante quatro intermináveis décadas.

O fato das diversas iniciativas judiciais de organizações de extrema direita terem conseguido paralisar a investigação dos crimes do franquismo representa um escândalo sem precedentes na história recente de nosso país, repugna à natureza essencial dos princípios democráticos e nos devolve à noite escura dos assassinos.

Ninguém pode ignorar que os 113.000 cadáveres que, ainda hoje, seguem enterrados em valetas e descampados, são a prova de um processo de extermínio sistemático de uma parte da população, que só pode entender-se como um crime contra a Humanidade.

Ninguém pode admitir que o desejo dos filhos, netos, viúvas, que querem recuperar os restos de seus seres queridos para devolver-lhes a dignidade que lhes arrebatou uma morte injusta e reivindicar a memória de sua luta pela liberdade e pela democracia, possa ser objeto de delito.

Ninguém pode sequer compreender que um estado democrático impute um delito de prevaricação a um juiz que assumiu os princípios da verdade, da justiça e da reparação das vítimas, por aplicar na Espanha a doutrina do Direito Penal Internacional que, faz uns anos, permitiu-lhe atuar contra crimes semelhantes cometidos em países como Argentina ou Chile.

Os crimes contra a Humanidade não podem ser anistiados e não prescrevem jamais.

A lei de Anistia de 1977, preconstitucional, não pode prevalecer sobre a própria Constituição, nem sobre os tratados e acordos internacionais assinados por nosso país em matéria de Direitos Humanos.

A Espanha não pode continuar sendo uma exceção para a Justiça espanhola.

Hoje, nesta tarde de abril, a sociedade civil está nas ruas para reivindicar a maturidade de nossa democracia e para fazer sua a causa das vítimas do franquismo.

O impulso democrático que desembocou na aprovação parlamentar da Lei da Memória Histórica deve continuar, e aprofundar-se para impedir que no futuro se reproduzam fatos tão vergonhosos como o ato do juiz Varela.

Em solidariedade com as vítimas, pela justiça universal e pela dignidade democrática da Espanha:

Não à impunidade!

Pesquisar os crimes do franquismo não é delito!