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domingo, 19 de julho de 2009

Chaves e seu "irmão" Ahmadinejad

Chaves e seu "irmão" Ahmadinejad

As reformas sociais organizadas de forma paraestatal sem dúvida favorecem imediatamente os pobres, mas, no sentido de uma reprodução social autônoma, elas permanecem ocas e incertas, na medida em que se baseiam unicamente em uma subvenção obscura sustentada nos petrodólares. E, no contexto de uma "irmanação" com um regime como o iraniano, escurece-se o horizonte ideológico desses esforços.


Os dissidentes e a esquerda são dizimados aos milhares; o novo presidente, Mahmoud Ahmadinejad, fez da eliminação de Israel o seu programa e denomina de "mito ocidental" a aniquilação dos judeus europeus pelos nazistas. Demonstra-se desmoralização intelectual quando Chávez aceita a loucura anti-semita e chama Ahmadinejad de "irmão".

Mas também o caudilhismo messiânico do próprio Chávez apresenta traços duvidosos. A "revolução bolivariana", que na base de uma ideologia nacionalista limitada deve se tornar o paradigma para a América Latina, se encontra em e coincide com sua pessoa.

As reformas sociais organizadas de forma paraestatal sem dúvida favorecem imediatamente os pobres, mas, no sentido de uma reprodução social autônoma, elas permanecem ocas e incertas, na medida em que se baseiam unicamente em uma subvenção obscura sustentada nos petrodólares. E, no contexto de uma "irmanação" com um regime como o iraniano, escurece-se o horizonte ideológico desses esforços.

Por outro lado, a suposta "força" da China se encontra em uma relação recíproca precária com a nova riqueza especulativa do petróleo dos países exportadores. Pois é precisamente a industrialização chinesa voltada à exportação que contribuiu essencialmente para a explosão do preço do petróleo.

Em poucos anos a China se tornou, depois dos EUA, o segundo maior consumidor do petróleo. No entanto o que aparece como ofensiva chinesa na exportação representa ainda menos a função de um programa de desenvolvimento nacional; é antes o maior efeito colateral da globalização até agora.

Essa abundância de exportações se fundamenta na maior parte nos investimentos de conglomerados ocidentais (em primeiro lugar, dos EUA e da União Européia), que, no curso de sua terceirização global, fizeram da China a plataforma e a mesa giratória das cadeias transnacionais de criação de valor. Por isso a China registrou também, depois dos EUA, o segundo maior afluxo de investimentos diretos estrangeiros.

Ou seja, nenhum vestígio de autonomia nacional, somente o resultado do salário extremamente barato e da proscrição jurídica de escravas que trabalham nas zonas de economia exportadora, na maioria jovens e aquarteladas.

Ao mesmo tempo esses investimentos permanecem insulares. A reprodução social na área maior é ameaçada pelo colapso por parte desse mesmo desenvolvimento. É dessa maneira que se constituíram na China os paradoxos de um capitalismo de minoria desenfreado e transnacional, protegido pelo teto político do aparato de poder, comunista à moda antiga e paternalista.

Extraído de artigo de Robert Kurz

Fonte: http://www.exit-online.org/