sábado, 24 de agosto de 2013

Aspectos da vida quotidiana: o vômito social

Enquanto organismo vivo a sociedade às vezes tem espasmos e vomita, maio de 1968 na França e junho de 2013 no Brasil, são uma prova visível disso.

Vômito é a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. O vômito é ao mesmo tempo um sinal e um sintoma bastante desagradável que pode assustar muito a pessoa atingida. Pode ocorrer nas doenças do labirinto, nas intoxicações, nas obstruções intestinais e como resposta do organismo a dores muito intensas.

A sociedade enquanto ser vivo também vomita. Hoje, o Brasil vive na zona de gatilho. É o momento histórico quando a sociedade sente vontade de vomitar todo o sistema econômico e político presente em suas entranhas. Essa compreensão situa-se fora do domínio (domain) das empresas, dos partidos, da imprensa, daí a dificuldade e até mesmo impossibilidade deles apreenderem o que aconteceu e acontece.

Diante desse quadro, as principais substâncias estimulantes que o Sistema injeta na sociedade doente não configuram nenhuma novidade: é um misto de pão, circo, e ilusões econômicas, espetaculares e políticas: novos partidos, novos candidatos, copa do mundo, olimpíadas, bolsas, auxílios, quotas, que procuram aliviar, não curar, os sintomas da desigualdade crônica. Institutos como bom prato ou mesmo o bolsa família, por exemplo, gerado pelo PSDB à direita e implantado pelo PT à esquerda, funcionam como migalhas dadas a miseráveis enquanto os recursos que poderiam resolver a causa do problema são acumulados em paraísos fiscais e em contas de bancos suíços para usufruto de megaempresários e políticos.

Longe de ser exclusividade no Brasil, todos os países do mundo sofrem dessa peste, que pode ser chamada Capitalismo de Estado (maior parte dos recursos da nação se concentra nas mãos do Estado), ou Capitalismo de Monopólios (maior parte dos recursos da nação se concentra nas mãos de megacorporações). Ambos tiram a autonomia, e os recursos econômicos e políticos básicos dos cidadãos, elementos necessários para a resolução de problemas que afetam a humanidade nos âmbitos local e global. Enquanto não experimentarmos formas de socialismo libertário, essas guerras fratricidas como as que sufocaram a primavera árabe, se estenderão pela Europa, Ásia, Américas. Aí será a Barbárie, que poderá marcar o início do fim do homem nesse belo planeta azul.

1 As causas são basicamente econômicas e políticas
2 Trata-se de pontos de saturação
2 Recursos do povo são gastos em farras de empresários e políticos
3 Jovens são lançados ao fanatismo religioso, desportivo, drogas, sexismo, crime
3.1 Sistema econômico e partidos políticos mantêm ditadura velada ou assumida
3.2 Desequilíbrio e descompensação leva povo ao desespero
3.3 Tragédias se multiplicam
3.4 Ruas apinhadas de punguistas e mendigos
4 A cura não vem de mais empregos, nem mais partidos, ou novos candidatos
4.1 O alívio vem da tomada popular da terra, escolas, fábricas, palácios, parlamentos
4.2 Da total rejeição da hierarquia em favor da acracia e da autonomia.

vômitos partidários - rejeitar partidos não significa abandonar política, pelo contrário, significa o desejo de assumi-la diretamente, sem representantes
vômitos econômicos - falta o essencial para o povo em geral enquanto políticos e megaempresários tornam-se bilionários roubando cofres públicos, num típico patognomônico de estrangulamento.
vômitos biliares - quando apresentam conteúdo de cor amarelo-esverdeado sugestivo de bile. O medo da população procede, este tipo de vômito diz aos generais que o fígado está permeável à instalação de uma ditadura declarada.
vômitos em jato - são vômitos explosivos, que podem denotar aumento da pressão intracraniana e indicar risco de morte iminente. Quando pessoas se suicidam.
vômitos pós prandiais - aqueles que correm após denúncia de corrupção
bulimia nervosa - vômitos induzidos por medo de engordar. Um partido começa acusar outro de corrupção, quando na verdade todos são corruptos
Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antissistema, para abolir as causas da fome e da miséria, toda sociedade se empenha na gestão social via democracia direta.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Acracia! Mobilização popular e verdades do submundo



Por Zumbi


Acracia! Mobilização popular e as verdades dos submundos


O princípio básico de organização da futura sociedade anárquica na prática será o Federalismo interestadual e logo Internacional, o que pode-se dizer também que é o Coletivismo Autogestionário e mesmo Anarquia se preferir podes falar Acracia. Os são contra a Acracia é porque são acostumados a ver e querem apresentar para o povo do Brasil e do mundo uma realidade vista de cima que oculta e finge que não vê as coisas que na verdade se passam e as verdadeiras causas dos problemas sociais e econômicos. A intervenção por meio da futura Revolução que deve ser Política, Econômica e Social é o único meio capaz de solucionar os principais problemas e infortúnios da sociedade. Os governos são impotentes, pois, não podem solucionar esses problemas, talvez teriam mais chance, mas também não conseguiriam se o povo estivesse ao seu lado, só que os interesses de um e de outros se contradizem. O governo tem aversão ao povo, e o olha como rebanho ou qualquer outro coletivo de outra espécie animal e mesmo se quisessem estar do lado do povo, ainda seria impotente. Agora o povo não está do lado dos governos e se estivessem essa mobilização só serviria para se formar um grande exército e formar um Estado forte e tão injusto quanto grande e forte e não seria de impressionar que seria legítimo como hoje o é moléstia pela parte das autoridades judiciais e militar-policias. Os militantes dos partidos políticos caem no erro porque todos eles inclusive os partidos comunistas ditos revolucionários são os partidários do autoritarismo, eis a principal razão pela qual somos contra o seu partidarismo, mas devemos estar abertos a dialogar e persuadir os militantes que possuem o sentimento revolucionário sincero e temos a certeza que o caminho natural de qualquer povo é um convívio de uma maneira antiautoritária que é a maneira mais humana de se viver.


Devemos mover idéias que vem de baixo para cima, assim são as propostas do povo para o povo. Os esforços e investimentos dos partidos e da mídia serão sempre visando a sua ambição pessoal, não diferente de como os governos de direita e esquerda fazem. Da parte dos partidos os seus esforços e seus investimentos serão feitos somente para promover as suas bandeiras, para imprimir panfletos de cadastramento e afiliação “faça parte do nosso partido”. Para eles as idéias para serem postas em prática só poderão surgir da casta de seus intelectuais e todas as suas idéias só visam mover mais papéis nessa constituição legal e burocrática. Os brasileiros do passado, nos séculos passados até mesmo nas décadas passadas poderiam acreditar que todas as decisões políticas, sociais e econômicas deveriam ser centralizadas, burocratizadas e definidas por parte das assembléias e câmaras de representantes eleitos, membros de tais ou quais partidos governando os Estados. Só que está mais que claro que se formos esperar pelos partidos, governos e Estados proporcionarem educação para que todos possam evoluir racionalmente, conviver bem uns com os outros e “crescer na vida” isso nunca acontecerá. Essa é uma mobilização do povo, só o povo sabe os interesses do povo, e isso caberá as pessoas, grupos, coletivos e movimentos sociais, ou seja, caberá ao povo o papel de conscientizar o próprio povo, logo; o povo conscientiza o povo, o povo se auto-organiza, o povo educa o povo, o povo intervém e cria condições de subsistência para cada localidade. Os grandes políticos, boa parte dos partidários políticos, boa parte dos intelectuais não querem isso porque eles querem ser vistos como deuses e heróis pela polução, isso é uma das suas maiores ambições além de tornarem-se a elite, serem muito ricos e carregar medalhas de honra que eles próprios irão criar.


Quando essas coisas e outras vem à tona, eles vem com mais politicagem por cima de politicagem e mergulham em discursos onde recorrem as bases que lhes dão segurança, em especulação dos banqueiros, se precisar procuram por uma cabeça a prêmio para não dizerem que o problema é a própria organização social, mas que seria uma maça podre na polícia, uma maça podre no governo. Fazem o mesmo quando trazemos à tona assuntos como miséria, indigência e criminalidade. Ah! Lembrando que para todos esses e outros problemas a solução deles é “tacar” polícia na rua. Agora com relação a miséria dizem os partidários dessa pretensa esquerda, outro partido de esquerda mesmo também cairia nos erros do autoritarismo, dizem que tiraram milhões de pessoas da miséria com um dinheiro que não paga nem sequer uma compra no supermercado para um mês para uma pessoa, que dirá para uma família, não paga nem um aluguel, que dirá um aluguel e uma compra do mês juntos. Com relação aos que caem na indigência e tornam-se moradores de rua, dizem que as pessoas se encontram nessa situação porque são vagabundos, vadios e desocupados, sendo que todos caem na indigência por falta de oportunidades e condições mínimas que as pessoas deveriam. Dentro disso há os que caem por não poderem pagar suas contas, os que vieram de regiões afastadas por vezes até mesmo de outros países e não encontra oportunidade e caem na indigência, outros que por causa das drogas, mas as drogas foram criadas e lançadas por eles para a população se matar e se deteriorar e está envolvido com a sua própria noção de legalidade e com a sua indústria farmacêutica. Para explicar as causas da criminalidade dizem que os criminosos, ladrões e assassinos, na verdade eles são os piores ladrões criminosos e assassinos, dizem que são assim pela sua própria natureza má. Que certas pessoas têm uma natureza má e propensa a delinqüir e matar


Estamos convencidos de que isso não é verdade, estamos convencidos de que essas pessoas e também nós mesmos somos um produto da sociedade em que vivemos, e esta sociedade encontra-se cega e doente, está se envenenando todos os dias com o individualismo, com o patriotismo, com o autoritarismo, com o fanatismo religioso, porém as pessoas estão empenhadas em mudar essa realidade e para mudar essa realidade e para mudar essa realidade e de maneira real, não hipocritamente como se fez até então a população não deverá mais cair nas ilusões do passado. Podemos ver que mesmo que de uma maneira inconsciente o povo já assimilou essa REVOLTA e a mídia, os partidos e os governos farão de tudo para continuar tentando se passar por deuses e heróis para o povo, sendo que o povo é herói dessa batalha e essa batalha sempre é contra a autoridade regente. Porém devemos fazer mais mobilizações, e de mais jeitos, e mais pessoas, assim isso se tornará claro e o povo aceitará, fará sua parte, contribuirá, complementará e fará ser real o que toda a população deseja, que é a ACRACIA.


Os políticos, jornalistas, marketeiros, empresários dizem que tudo isso é normal, não só isso, como por exemplo outro assunto como prostituição, falam com tanta naturalidade, são hostis e piadas com essas pessoas. Mas não param para pensar o porque que as pessoas chegam ao ponto de não ter como trabalhar e não ter outros meios de viver, chegam ao ponto de ter de viver da venda do seu próprio corpo. Isso sem contar o tráfico de pessoas, que tem uma relação muito estreita com a prostituição e venda de órgãos, financiado pelos mesmos mafiosos, tão políticos quanto os governantes e tão partidários de autoritarismo quanto eles também possam ser e certamente fazem várias transações. Os outros tráficos são também por eles criados e alimentados como o tráfico de animais, tráfico de madeira, tráfico de drogas. Sim, o mundo como está organizado é podre, mas essas coisas não vem à tona, mundo podre que deteriora e mata as esperanças da maioria que é explorada, e mesmos os privilegiados são cheios de transtornos e rodeados pelo medo. Com outros países pode ser tão diferente, embora não precise ir muito longe para se constatar essas coisas, em cada localidade principalmente nas áreas urbanas vemos isso, e outras coisas dessas mais nas áreas campesinas (rurais) e em cada localidade um forma de realidade lastimável de uma maneira ou outra.


Claro que os que estão do outro lado dessa luta dizem que a realidade não é lastimável; e claro que todo aquele que procurar agarrar-se ao privilégio que já possui, ou que visa o privilégio está no outro lado dessa luta, todo governo se baseia no privilégio. Essas pessoas pensam dessa forma e fecham os olhos para a realidade porque essas pessoas se sentem seguras em suas fortalezas defendidas pela segurança privada, pela polícia e pelo exército. Eles estão bem alojados, bem alimentados, bem aquecidos, cada vez mais capitalizados e bem assegurados por meios legais, então é esse tipo de realidade que nos apresentam a nível mundial, como dignos respeitadores da ONU e desses pretensos direitos humanos. Você está de acordo com essas coisas? Para o que estamos chamando de elite tudo isso é ignorado porque isso não os afeta, isso não está no dia-a-dia deles e para eles isso é normal, inevitável e lucrativo. Sempre que o povo estiver a favor do autoritarismo, estará indo contra as suas necessidades e interesses, e estará indo a favor desses e de outros interesses desse tipo. Sendo assim o povo deve se livrar desses grilhões e isso será feito, e só pode ser feito pelo próprio povo e o povo só poderá encontrar o seu caminho natural e humano e organizando de forma antiautoritária


Porto Alegre, 26 de Julho de 2013

A MUDANÇA QUE O POVO DESEJA

Por Zumbi

O QUE SE ESPERAR DAS LEIS, A MUDANÇA QUE O POVO DESEJA, AS CAUSAS DAS GUERRAS E ÓDIO ENTRE A HUMANIDADE


 A impotência dos governos, aliada a sua avareza e, a própria natureza do privilégio e da autoridade é o que faz com que os governos não encontrem a solução para os problemas políticos, econômicos e sociais. Como estamos vendo, o que poucos sabiam, o que todos deveriam saber mas, que deve vir à tona agora, é que o povo próprio que está se manifestando e, está procurando e, mais ou menos encontrando, mas ele há de encontrar o seu caminho. O povo está se enganando, pois, a maior parte das pessoas está pensando que essa mudança deverá vir de cima para baixo, ou seja, que viram de novas leis emendadas do governo, ou do novo governo ou do “governo reformado” (Reforma Política). Assim como o próprio povo está se movendo e está se articulando, é exatamente isso! O povo vai se organizando, o povo vai se movendo e, a mudança, a principal mudança, a que verdadeiramente nos importa, é a mudança na organização social.

 Para a nova organização social do futuro próximo que já devemos ir construindo, temos que entender verdadeiramente como são as leis da natureza e, as leis da vida social. Os políticos de direita e esquerda pensam conhecer mas não conhecem, o mesmo se passa com os comunistas autoritários, marxistas, lenistas, stalinistas. A própria natureza do Estado e dos governos são algo que ferem e interferem a conformidade das leis da vida social. Só que, estes políticos partidários citados, pensam que as leis da vida social só podem ser garantidas e respeitadas por decretos que se fazem cumprir pela força, pela coerção militar – política. Isso não mudará as coisas, no que diz respeito a desigualdade política social e econômica e, todos os problemas graves ou leves e, até mesmo todas as tragédias e desproporções que existem.

 Essas novas leis para começo de conversa, se são boas e importantes logo serão rejeitadas pelos governos e, mesmo que estas novas leis entrassem em vigor, também seriam impotentes, pois, seriam empregadas de cima para baixo onde o povo estaria fora da prática destas novas regras e, o mais importante, essas leis seriam tão detestáveis e odiadas quanto as antigas, até por se tornar evidente a incapacidade de atingir o seu suposto objetivo ou propósito. Sendo assim as leis fiscais, constitucionais são algo estranho a natureza humana e a vida em sociedade portanto sempre serão odiadas, seguidas a contragosto, serão contra os interesses reais do povo, as pessoas também perdem o interesse porquê tudo cai na burocracia e politicagem larápia, desleal, mentirosa, desigual, desumana, elitista e pode-se portanto dizer sempre em prol dos interesses das elites o que muitos chamam de burguesia.

 Só o que nos apresentam desde nossa infância é que essa é a única maneira possível de se ganhar a vida em sociedade e, os partidos de direita e esquerda, os governos, a mídia, e as pessoas iludidas e enganadas por estes, querem fazer passar as leis oficiais e, governamentais que são vistas como algo bom, que provem dos maiores intelectos como se tudo fosse para o povo e, para o bem do povo, assim se caminha por esses meios legais. Todas essas e muitas mentiras, mentiras de todo tipo e, sempre o governo tentará emburguesar e comprar entidades ( grupos coletivos e movimentos sociais) e, algum dos próprios manifestantes que estiverem a frente com boas ideias. Essa compra ou “emburguesamento” como sempre é feita ao pé-do-ouvido, ou as portas fechadas, onde no fim, se a entidade ou manifestante aceita, o que ele vendeu foi sua própria integridade humana e, a partir de então deixarão de ser povo e passarão para o outro lado que não se importa mas finge que sim com os interesses do povo e, esse lado é o lado dos partidos, mídia, governos e Estado.

 O primeiro motivo da parte dos partidos do porque eles nunca promoverão as mudanças por nós desejadas, as mudanças desejadas pelo povo é pela própria questão dos interesses. Os interesses do povo nunca serão os mesmos, pode-se dizer que sempre serão contrários aos dos governos, que tem sempre o interesse dos partidos incluídos e são sempre movidos por ambição pessoal, sempre se estará do lado dos interesses na minoria seja intelectual ou revolucionária do seu partido, para eles esses são os verdadeiros interesses a serem respeitados e, as únicas metas a serem cumpridas. Da parte dos governos os interesses são o que beneficia e engrandece a elite e o Estado, os governos estão somente do lado da classe alta, que para eles, a população deve ser dividida em classes: A, B, C, D, E. E sempre ao lado das corporações multinacionais, dos bancos, exército, desta forma, seguindo os modelos das outras nações e, eles pretendem e, já fazem reger as ordens da “Elite Global.”

 Por outro lado, o povo que está se manifestando em todo o território chamado Brasil, estão todos mais ou menos na mesma situação e, todos querem com certeza o mesmo objetivo. Só que, todos estão por enquanto iludidos da mesma maneira, porém, todos estão procurando os caminhos, soluções, estão se organizando e o povo há de encontrar o meio certo.

 O povo que está na rua em todo o Brasil quer isso e, o que eles na verdade desejam é Anarquia, mas o povo não sabe que isso é na realidade o que eles desejam é anarquia simplesmente, porque os governos de todos os regimes até mesmo a esquerda revolucionária, se esforçam para que o povo não saiba o que é Anarquia e, o que fala-se dela, o que se ensina tanto pela televisão assim como pelos professores de todos os níveis de educação é que Anarquia é desordem, não existe e, que não tem sequer propósitos. Pelo contrário! A sociedade mais organizada, com um maior nível de organização é a sociedade Anarquista.

 O povo precisa tomar conhecimento destas e de outras informações e, isso só poderá partir do próprio povo, ou seja, das pessoas, grupos coletivos e movimentos sociais. Para os movimentos sociais, coletivos que não sejam anarquistas, eles devem perceber que as pessoas, grupos, coletivos e movimentos anarquistas devem conversar com essas pessoas e, apresentar nossas propostas e todas as outras que estão para serem levantadas. Dizendo para eles que estes protestos, corram paralelamente com as suas reivindicações existentes.

 Todos devem perceber que o patriotismo, seja a autoridade, seja dos reis ou dos governos ou quais forem, as posições sociais, as igrejas de todas as religiões, tudo isso é anti-humano, escravizador, mortificador e, que cria as guerras, o ódio e hostilidades, é que define a humanidade em grupos humanos distintos, que se odeiam entre si. Os grupos humanos, as sociedades se organizando anarquicamente pelo Brasil e, pelo mundo são distintas ainda, isso é natural, mas serão humanas umas com as outras e não se odiarão, toda essa guerra, dominação do imperialismo e, tudo o que foi dito, eis acima as suas causas.

 Por isso temos que estar convencidos de nossos propósitos e, de que toda mentira vinculada pelos partidos, a mídia e governo é nociva para as manifestações e para o povo. Devemos querer e, o próprio povo é que vai fazer um federalismo interestadual, caminhando para o federalismo internacional. Vamos começar sendo o próprio povo o que vai conscientizar o povo, o próprio povo vai se organizar, o povo irá intervir (Revolução Política, Econômica e Social), o próprio povo se liberta e se autogoverna.

 Isso dependerá de todas as nossas mobilizações e, todos os meios que usaremos para difundir nossas ideias e, trazer todas as outras ideias das pessoas, grupos, coletivos e movimentos sociais que também virá à tona para que o povo tome conhecimento dos nossos propósitos, os propósitos humanos, não que os humanos serão “desumanos” com os animais, mas quando digo o que digo, quer dizer é a causa de toda a humanidade.

Porque há tantos crimes?

Por Zumbi

Causas de porque os crimes acontecem frequentemente no dia-a-dia. Porque não queremos a Reforma Política e outras propostas. As pessoas, grupos, coletivos e movimentos sociais: Estamos convencidos de que esta estória de Reforma política é mentirosa, por isso, e até mesmo por motivos anteriores a esse, devemos nos dar conta que o que queremos é Revolução que deve ser Social, Política e Econômica, se não for assim saberemos que a ordem das coisas continuará a mesma. Vamos iniciar como dito em outro escrito com a Revolução nos valores morais e de convívio. Os oportunistas partidários de todos os tipos dizem que o problema é político e que a reforma política daria conta de resolve-los.

Não acreditamos nesta estória porque sabemos que os problemas são nos seguintes âmbitos:

Político, Econômico e Social

Para refutar à tudo isso, como sempre, os governos, a mídia, os partidos como sempre vão querer lançar sob a população algum tipo de onda de medo, confusão e problemas contínuos e falar só disso frequentemente e esperando que o povo volte a mesma monotonia de sempre de joelhos aos pés destes. Um dos exemplos, vocês acham que os ladrões são um problema? Claro, mas eles existem porque são um produto da organização social atual e da própria segregação e marginalização que a sociedade cria sobre classes ou grupos de pessoas. Existem diversos problemas políticos, sociais, e econômicos e é isso que faz com que se exista ladrões e os levam a cometerem esses atos. Realmente, os ladrões são produto da desigualdade e injustiça social e econômica, se não houvesse essas desproporções injustas e um abismo na diferença da realidade entre um e outro, o ladrão não teria razão de existir, exemplo atual, veja na Holanda, claro esse argumento será refutado pelos conservadores assim como qualquer outro, mas temos respaldos tanto teóricos como práticos que nos mostrar claramente a verdade do que está sendo exposto.

O problema não está propriamente nas pessoas que cometem o crime, como nos dizem os jornalistas, políticos, e conservadores e autoritários de todos tipos e de todas as profissões. O problema é a própria organização social, as posições sociais existentes e as desigualdades que são resultados necessários de tudo isso, sendo assim o povo precisa começar a saber disso agora. Com isso e as propostas que já estão sendo lançadas e devemos divulgá-las mais e trazer outras propostas novas ainda, com isso e desde agora passaremos a compreender o porquê o problema é a organização social e as posições sociais, não as pessoas em si na sua própria natureza humana.

Agora as pessoas começaram a ver que não tem como mudar pacificamente e menos ainda pelas urnas, ou se envolvendo com os partidos políticos, a constituição e toda a sua burocracia. Agora todos estão vendo os governantes de todos os partidos estão negando todas as reivindicações feitas pela população logo à priori, exemplos; Corrupção ser crime hediondo. Rejeitaram, sem nem pensar muito. Os pedágios, extinguir ou diminuir. Nem pensar. E assim será com todas as reivindicações, reivindicar não é algo negativo, porém não adianta reivindicar com os governos, temos que por nossos propósitos em prática e mover e unir a população.

Da parte dos partidos, dos governantes, dos empresários, da mídia, dos líderes religiosos, dos militares, a resposta será sempre a mesma, que é a que temos que trabalhar exaustivamente em período integral para enriquecê-los, e em troca mal temos com o que nos sustentar e é dificílimo alcançar a independência para os jovens e até mesmo para as pessoas adultas, graças a remuneração injusta que recebemos. Tudo vai para essas pessoas e eles sempre dizem que não tem dinheiro não podem aumentar nossos salários da parte dos empresários, e o mesmo q que também não podem atender as nossas propostas da parte dos governantes, mas como sabemos bem os empresários, os grandes empresários estão cada vez mais comprando propriedades e os políticos também e cada vez mais desviando dinheiro e fazem o que querem sem problemas, para o que eles querem e é do interesses deles eles sempre tem dinheiro para tudo isso e mais. Se esforçam em pensar meios e de todos os modos possíveis, se usam de todos os meios para nos manterem sempre o suficientemente na ignorância para que não cheguemos a saber disso, e querem que estejamos pacíficos e dóceis nas manifestações por medo de que tomemos as suas riquezas que são fruto da conquista pela força e do roubo diário que nos aplicam em tudo. Ou seja, querem que entreguemos nossas vidas, todos os nossos esforços diários, nossas mentes e tudo em suas mãos. Tudo que vier da parte do povo que seja um interesse real do podo, da parte desses homens será negado, as poucas coisas que a contragosto fizerem e são coisas que não lhes exige muitos esforços, e é por isso mesmo que chegam a fazer, coisas que também não surgem conseqüências relevantes nos âmbitos, político, econômico e social. Sendo assim o pouco, o mínimo que fizerem, isso ainda se fizerem, vão fazer suar trombetas e querer fazer ver aos nossos olhos como as maiores recompensas.

Desse modo, devemos estar convencidos de que as promessas de Reforma Política e de inserirmos novos partidos do povo na Assembléia constituinte será sempre uma farsa hipócrita e ineficaz. Essas mentiras visam encobertar a realidade de toda a violência que acontece, injustiça social e desigualdade social e econômica, a criminalidade e só dizer coisas belas, só lidar com discurso se papéis, e esses discursos são feitos por pessoas especializadas só para fazerem isso. Sendo assim, após atingirem os seus objetivos e durante a sua propaganda, assim como será sempre, as suas medidas para “resolver” e para encobertar a tudo isso é “tacar” a polícia na rua.

Vejam quantas contradições, está em evidência como elas são criadas e como a mídia divulga e nos bombardeia e direcionam drasticamente o imaginário social. Devemos nos desvincular destes meio, certamente não perderemos nada e pelo contrário sim ganharemos, vamos mover ações de conscientização nos demais da população, tanto em massa, como nos seus particulares.

Vamos preparar o povo para o momento que ele deverá intervir diretamente, e saberá que isso é legítimo. Essa hora vai chegar! Só que essa intervenção se chamará Revolução Social, Econômica e Política, só assim conseguiremos, o povo conseguirá dar conta dos seus reais interesses e suas reais necessidades.

Essa e outras propostas devem partir e serem postas em prática pelas pessoas, grupos, coletivos e movimentos sociais. Devemos criar associações, devemos nos informar de como as massas devem fazer para se autogovernarem, e trazer isso à tona para a população. Algumas dessas idéias já estão sendo lançadas, mas é elementar que cada pessoa se instrua e depois compartilhe e exponha esses conhecimentos aos demais. Dentro disso surgirão diversas propostas e é claro que os que não querem que a população se esclareça, ou as pessoas que têm medo de se esclarecer vão tentar polemizar tudo. Nós que temos propostas de cunho anárquico, acreditamos nas coisas que estão sendo expostas porque são propostas aplicáveis, e as pessoas devem passar a tomar conhecimento disso.

Temos princípios que temos que ter prioridade em trazer à tona, um deles são idéias e propostas de como o povo pode fazer para se autogovernar, uma prioridade outra é sobre a abolição de fronteiras por um Federalismo Interestadual, já caminhando para o Federalismo Internacionalista. Temos que pensar nessas coisas e em outras, e já tem sido pensando coisas do como que na sociedade os trabalhadores trabalhassem menos, tivessem mais tempo para o estudo e para o lazer e ainda ganhassem mais, ou que ao invés disso encontrassem outros meios de distribuir as riquezas, Todas essas propostas e outras são aplicáveis, e dependerá de nós, todos os que estiverem de acordo e estiverem ou passarem a se envolver e das mobilizações que moveremos.

Para começar devemos tomar conhecimento disso e estar convencido disso como uma realidade que está para acontecer. Após isso, a ação começará a ser espontânea, faça de todo modo, crie arquivos, imagens, vídeos, musicas, textos, discuta, ensine, aprenda. Quanto mais pessoas fizerem mais fácil fica e mais resultados se terá. Isso será na internet, nas manifestações, escolas, outros lugares públicos, nos bairros. Em breve a população começará a tomar conhecimento de nossa revolta e de nossas propostas, depois disso tudo mudará, em relação principalmente à princípio nas manifestações, e nas próprias relações sociais.

Uma só pessoa fazendo será sempre como um louco que está lutando contra tudo o que é real, agora todos nós nos juntando e cada vez mais pessoas irão compreender, que a verdadeira loucura é a maneira em que vivemos e como as coisas estão organizadas. As pessoas pensam que é irreversível essa condição em que estamos, e vamos mostrar que não. Vamos trazer à vista de todos propostas deste tipo, que são propostas lúcidas e aplicáveis, essas sim, terão a capacidade de mover ações que trarão mudanças sociais e depois disso a Revolução que deve ser Política, Econômica e Social.

São Paulo, 05 de Julho de 2013

sábado, 27 de julho de 2013

Sem Vandalismo ou Sem Pacifismo?

Nem um e nem outro!

E o rapaz mascarado respondeu que "vandalismo é o que fazem nas escolas, cheias de gente sem educação", e depois arrematou que "manifestação pacífica é passeio pela cidade". E está certo!

Mas aqui também cabe algumas considerações:

Quando um grupo sai às ruas com uma causa justa e a polícia baixa o pau, a tendência é a população aderir, e quanto maior a violência policial maior será a solidariedade por parte do povo. E essa postura de sair às ruas em massa revela um desejo de mudança que pode evoluir para assembleias suficientemente massivas a ponto de diluir os poderes da Democracia Representativa e progressivamente instituir a Democracia Direta.

Quando um grupo sai às ruas quebrando vidraças e a polícia baixa o pau, e o grupo corre em debandada, a tendência é a população não aderir. Não se trata aqui de defender o chamado "pacifismo". Pacifismo é coisa de UPPs do Rio. Pacifismo são capacetes azuis da ONU. Pacifismo são tropas do governo dos Estados Unidos invadindo o Iraque. Pacifismo é a tal Guerra Contra as Drogas na América Latina.

Não se trata aqui de defender o chamado "moralismo". Moralismo é coisa de partido político que quer apenas preservar a aparência. Moralismo é coisa de marqueteiro. Moralismo é prática de político profissional que pensa apenas no voto antes da eleição e que depois de eleito pensa apenas em roubar. Moralismo é chamar-se Papa Bergoglio e mudar nome para Francisco. Moralismo é Zé Dirceu dizendo na surdina para Hélio Bicudo que "bolsa família significa 40 milhões de votos".

Não se trata aqui nem de pacifismo nem de moralismo. Há uma diferença diametral entre "manifestação pacífica" e "manifestação não-violenta ativa".

Realmente, "manifestação pacífica" é mesmo um passeio. É simplesmente sair caminhando pela cidade cantando mil slogans diferentes. É como expor uma lente ao sol sem estabelecer um foco. É como dizer ao poder estabelecido que há descontentamento mas sem defini-lo com clareza. É como um bebê chorando de manha. E pior que tudo, pacifismo é sair pelas ruas em 7 de setembro posando para agências de propaganda pagas a peso de ouro, para gravar cenas que serão usadas futuramente na TV no horário eleitoral por candidatos a deputado federal, governador e presidente da república!

Já a "manifestação não-violenta ativa" é completamente diferente. Trata-se de tática. Tática de guerra contra o Sistema. A desobediência ativa não-violenta pode ter mais poder do que mil bombas atômicas! Há um foco bem definido. Pode ser, por exemplo, a exigência de tarifa zero em ônibus, trem e metrô, em todo o município de São Paulo. O grau de organização pode ser tal que já não adianta mais qualquer tipo de repressão policial, bombas de gás, balas de borracha ou de chumbo. A maioria não corre diante da agressão. Há determinação e disposição. Diante da brutalidade policial os manifestantes sentam-se no chão, e por mais que sejam agredidos não saem em fuga. E quanto mais a polícia bater, agredir, ferir, até mesmo matar, mais perto ficará a vitória pois a ideia não morre. Essa tática é simples. Mas como diz o provérbio chines "simples não quer dizer fácil"!

Fácil é juntar-se a um grupo pequeno vestido de preto, cobrir o rosto com uma bandana, e misturar-se ao grupo maior que não tem medo de mostrar a cara, para depois quebrar vidraças, lançar molotov contra a polícia e sair correndo como um cão danado. É espetacular quebrar vidraças? É! É espetacular lançar molotov contra a tropa de choque? É! Mas tudo começa e termina no espetacular. Quando alguém quebra uma vidraça com pedras, barras de ferro, e depois corre, é porque sabe que praticou uma atitude inconsequente. Quando alguém lança um coquetel molotov contra a PM, e depois corre, está apenas fazendo um showzinho para chamar a atenção sobre si mesmo. É uma atitude tão infantil como apertar a campainha das casas e sair correndo. Não muda nada! Não faz a luta avançar! Não atrai adesão em massa!

Se queremos juntar os amigos para mostrar no youtube e dizer: "esse aqui quebrando a vidraça sou eu", ou "esse ali tacando o molotov nos coxas sou eu, cara!". Então continuemos fazendo isso. Quebra e corre. Taca e corre. Junta os amigos e mostra. Até cansarmos ou enjoarmos. Ou até sermos presos.

Mas se queremos de fato virar essa sociedade de cabeça para baixo, derrubar os podres poderes judiciários, legislativos, executivos, midiáticos, e instituir a democracia direta, temos que fazer bem mais do que lançar objetos em coisas ou pessoas e sair em debandada!

Quebrar vidraças apenas aquece a indústria vidraceira e seu comércio. Lançar molotov em policiais apenas fornece desculpas para eles colocarem em prática a única coisa que sabem fazer e para a qual foram treinados: ferir e matar.

Vandalizemos o Sistema Representativo em prol da construção da Democracia Direta. Vandalizemos o Sistema Mercantil Totalitário em prol do controle dos meios de produção e de vida pelo povo soberano.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O ÚLTIMO BASTIÃO: BANDEIRAS, PEDRAS E MOLOTOVS

O ÚLTIMO BASTIÃO: BANDEIRAS, PEDRAS E MOLOTOVS

“Se não podes ser forte e não sabes ser débil, serás derrotado.” Sun Tzu – A Arte da Guerra

Está claro que democracia supõe a livre manifestação das minorias. Está também claro que há limites para a paciência do homem comum, da mesma forma que há um ponto de saturação quando o sal não mais se dissolve na água.

Quando, no 7º Ato Contra o Aumento das Tarifas, em 20 de junho, a multidão na Paulista clamou aos partidos para que abaixassem suas bandeiras partidárias, não o fez no sentido de podar o direito de livre manifestação. Agiu no senso comum de espantar um intruso que saltou sobre os ombros de um movimento que se dirigia em direção oposta à vontade do intruso.

O que motivou a multidão a rejeitar as bandeiras partidárias? 

Foram necessários 6 grandes Atos para que as 4 esferas de poder, municipal, estadual, federal e imprensa, percebessem que a luta pela redução das tarifas havia extravasado espaços geográficos restritos e alcançado todo território nacional. A voz de comando saíra do domínio do MPL, que já sabia disso no dia anterior quando deixou vazar que a batalha pela revogação do aumento da tarifa havia sido ganha, e que dali para a frente o patamar seria outro e o campo de ação mais amplo. Houve até um momento de dúvida sobre a realização o não do 7º ato, que acabou sendo confirmado como um momento de comemoração. A multidão de manifestantes rejeitou bandeiras partidárias no 7º ato porque já vinha sistematicamente fazendo isso nos atos anteriores, num sonoro não ao flagrante oportunismo dos partidos, que, comandados por marqueteiros como João Santana, que não por acaso é conhecido pela alcunha de Tio Patinhas, lançam mão de todo e qualquer artifício para alcançar sucesso em seus projetos de poder sobre o povo. O dístico "IHH, FUDEU, O POVO APARECEU!", passou a ser repetido com entusiasmo por inteligente unanimidade de Norte a Sul e de Leste a Oeste não apenas pelas capitais, mas por todo os municípios do país. Jô Soares disse que essa frase fala por si e que dispensa qualquer interpretação, e estava certo. O aparecimento do povo é o aparecimento do soberano. E diante do soberano naufragam todos os navios dos partidos, como sempre, abarrotados de ratos das mais variadas colorações e possuídos pelos típicos e históricos posicionamentos em relação ao poder.

O que motivou os partidos a alçar suas bandeiras partidárias no 7º Ato Contra o Aumento das Tarifas?

Os grandes derrotados nesse embate pela redução das tarifas foram os 4 poderes acima descritos. Vamos considerá-los um a um. 

1. A midia mainstream até onde pode ridicularizou os manifestantes. Em alguns editoriais chegaram a pedir que a polícia aumentasse a repressão contra "aqueles baderneiros", e nisso foram ouvidos. Indignada, a população sentiu-se ofendida e passou a enviar emails e tweets aos âncoras, comentaristas, editorialistas das TVs relatando os fatos com fotos e videos demonstrando cabalmente quem era de fato o baderneiro: a repressão governamental. 

2. O governo federal, como de praxe, manteve-se distante e indiferente. Agiu como um cão com o osso do poder entre os dentes. Monopolizando o acesso aos cofres públicos, que já acumulavam cerca de R$800 bilhões de janeiro a junho, e usando esse dinheiro em benefício particular. Do ponto de vista do governo, sair às ruas reivindicando supressão de R$ 0,20 ou R$ 0,10 ou R$ 0,30, no aumento das tarifas, era certamente coisa orquestrada por vândalos. 

3. O governo estadual, armado e venerado por PMs assassinos institucionalizados como a ROTA, por policiais civis corruptos cristalizados como o DENARC, não pensou duas vezes antes de brutalizar pessoas que, de forma crescente, desafiaram seu poder nas ruas. 

4. Por último, o governo municipal, o mais derrotado entre os derrotados. Haddad foi eleito numa composição política destituída de todo e qualquer sentido de ética e decência. Abdicação essa que, diga-se de passagem, tornou-se condição sine qua non para qualquer composição ou partido chegar ao poder. Há muito tempo desapareceram os projetos políticos em que a democracia reina e prevalece. O que vale são conchavos, muito, muito dinheiro. Marqueteiro político virou sinônimo de mercenário. Para o mercantilista e para o mercenário o que importa é destruir o concorrente. Quem manda é aquele que "não é fraco". Quem dá as cartas é aquele que tem poder. Quem dá a direção é aquele que tem dinheiro. Nesse campo palavras como ética, integridade, caráter, são motivos de piada. O recém-nascido e tão aguardado governo municipal do PT assumiu caras de natimorto. Ficou patente para a população de São Paulo que não haveria mudança. Haddad revelou-se a liquidificação resultante dos governos Maluf, Marta, Kassab.

Diante desse quadro negativo, Rui Falcão, como bom cão obediente aos seus donos, e seguindo as diretrizes vindas de cima, ordenou aos seus vassalos bem alimentados com dinheiro de ONGs e mal alimentados com bolsas família a ir para as ruas num gesto, no mínimo, tresloucado. Regado por marqueteiros, ele arriscou duas possibilidades. A primeira: "Aqueles manifestantes idiotas e despolitizados, felizes com o desconto de R$ 0,20 nas tarifas, nem iriam perceber nossas bandeiras partidárias gerando imagens preciosas na propaganda para as próximas eleições para o governo do Estado e da Federação".. A segunda: "Se nossas bandeiras partidárias forem rejeitadas pelos manifestantes agiremos da mesma forma que fazemos com a imprensa que ousa atacar nossos corruptos. Vamos chamá-los de antidemocráticos, direitistas, golpistas".

As pedras e os molotovs

Do lado dos manifestantes também há que se levantar autocríticas. Ações diretas como lançar pedras contra vidraças de agências bancárias e câmaras de vereadores, saques, etc., ou atirar coquetéis molotov contra as forças armadas do governo corrupto e repressor pode e deve ser encarado como o momento de saturação no qual a sociedade perde a capacidade de diluir e absorver os efeitos da corrupção consequente do crescente estrangulamento do sistema mercantil totalitário.

O fato da sociedade perder a solubilidade implica na ausência de governabilidade. Significa que o sistema representativo faliu. Que o povo disse basta! Mas mesmo diante dessa situação é necessário substituir o sistema fracassado por alguma outra coisa. Afinal, a vida continua. O cadáver da democracia representativa tem que ser enterrado e substituído por algo mais progressista, mais avançado. Essa é a grande questão.

Do ponto de vista tático, nessa altura do campeonato, é inteiramente inútil, quebrar vidraças de bancos ou de lojas. A insatisfação já foi demonstrada e repercutiu até mesmo no exterior. Pelo mundo inteiro ecoou o grande basta! do povo brasileiro. Continuar quebrando vidraças apenas irá aquecer a indústria e o comércio das vidraçarias. Vidraças quebradas não quebram bancos nem abalam parlamentos, palácios de governo ou de "justiça".

Da mesma forma, atirar molotovs contra policiais é tão contraproducente que o próprio Cabral, pelo que tudo indica, ordenou P2 a fazer isso segunda-feira última, para justificar a repressão contra o povo que protesta contra o crônico e incurável desperdício do dinheiro público praticado pelo sistema de governo representativo.

Batalhas importantes podem vencidas mediante a ação direta não violenta ou não-violência ativa, que pode ser implementada tanto por núcleos pequenos de 3 pessoas ou mais, como por multidões auto-organizadas compostas por centenas de milhares a milhões de pessoas.






quarta-feira, 17 de julho de 2013

Taborita responde ao Rick's Café sobre a "Revolta do Vinagre" no Brasil

¿Cuál es la situación real del pueblo brasileño? Tengamos presente que tiene más de 192 millones de personas.

 Como acha que está a situação de um povo que nesta altura do ano já pagou em tributos quase R$830 bilhões (fonte http://www.impostometro.com.br/ ) sem ter quase nenhum retorno? Sendo forçado a

a) comprar automóveis para se locomover, pois o transporte dito público é caro e de péssima qualidade?

b) pagar planos de saúde, médicos, hospitais e laboratórios particulares, pois os serviços de saúde pública são da pior qualidade?

c) pagar escolas particulares, pois as escolas públicas básicas, de primeiro e segundo grau são da pior qualidade?

 ¿Qué problemas cotidianos de salud, educación, vivienda, trabajo y transporte hay en los diferentes estados de Brasil? 

Na área da saúde, há uma epidemia de diabetes e de hipo e hipertensão no Brasil, o que tornou-se uma mina de ouro para a indústria farmacêutica e para os médicos, que ganham comissões para cada remédio que prescrevem em seus receituários. O modelo de medicina no Brasil não é a cura pela eliminação da causa do mal, mas o paliativo através de remédios que além de não curar, agravam ainda mais os problemas.

Na área da educação, enquanto estudantes, apenas nos preparam para responder questões que cairão na prova. Não somos preparados para analisar, discutir, estudar problemas que afetam diretamente nossas vidas. Isso, aliás, foi considerado crime no tempo da ditadura. O autoritarismo foi incorporado pelas nossas escolas, professores e diretores. Some-se a isso os baixíssimos salários e o pouco preparo na área de educação. O resultado é o pior possível.

Na área de habitação, são exatamente aqueles que mais precisam que pagam os juros mais caros na compra de materiais de construção. O proletariado brasileiro, por força da necessidade, aprendeu a construir sua própria casa, mas ainda mora em favelas por não dispor de dinheiro para comprar terreno e material de construção para erguer uma moradia salutar. Há movimentos de ocupação de edifícios abandonados nos grandes centros urbanos, e movimentos de trabalhadores rurais sem terra, mas tais grupos, longe de ser autônomos, estão nas mãos de políticos profissionais que usam tais entidades para fins eleitorais.

As condições de trabalho são as piores possíveis, basta ver o salário mínimo no Brasil de R$678,00 o que equivale a 229 €! Só para ter uma idéia, uma casa com um quarto, na periferia de São Paulo, dificilmente é alugada por menos de R$500,00. Com essa política de miséria estão canalizando nossos jovens em direção às drogas e ao crime.

As condições nos trens, ônibus e metrô, são absolutamente precárias. As massas são transportas como gado. Isso já é crônico. Estou com 60 anos de idade, desde minha adolescência até hoje não vi qualquer melhoria nessa área. Pelo contrário tudo piora e cada vez mais.

Preocupada com a crescente degradação da qualidade de vida aqui em São Paulo, minha esposa viajou ano passado para o Estado de Tocantins para estudar a possibilidade de nos mudarmos para lá. Ela retornou arrasada! Nos municípios do interior onde passou não viu outra coisa senão prostituição infantil, corrupção dos órgãos públicos, fome e miséria generalizada. Diante do que viu pelo interior do Brasil, as condições precárias em que vivemos em São Paulo pareceram o Paraíso. O Brasil está à beira de uma revolução! Após 513 anos de opressão chegamos finalmente a um ponto de saturação. Não há outro caminho senão a reviravolta. Mas essa Revolução e essa Reviravolta não será possível sem que o mesmo ocorra nos demais países do mundo. Nosso inimigo real, grande, verdadeiro, são as megacorporações que tomaram para si cada centímetro cúbico de nosso planeta. A luta não é apenas dos brasileiros, é também dos espanhóis, franceses, estadunidenses, etc.

¿Qué avances reales se han producido en Brasil en circunstancias básicas como la educación, la salud, la vivienda, el trabajo o las infraestructuras en los últimos veinte años?

Na educação não houve avanço, houve retrocesso. Eu, em minha adolescência, tive o privilégio de usufruir o tempo em que escolas públicas eram bem melhores que as privadas. Os ricos, normalmente relapsos, não conseguiam estudar em escolas públicas, o nível de ensino era alto e não conseguiam acompanhar, o que os fazia buscar escolas particulares onde sem esforço conseguiam graduar-se. Com o tempo a situação se inverteu completamente. Hoje, nossas escolas públicas de primeiro e segundo grau estão abarrotadas de analfabetos funcionais. Houve retrocesso também no nível superior, nas universidades. O governo federal, ao invés de construir novas universidades, direciona dinheiro para pagar vagas para alunos em universidades particulares, onde o estudante é considerado mais uma fonte de lucro do que qualquer outra coisa. O ensino médio e superior está mais voltado a satisfazer interesses tecnológicos e mercantis de corporações e megacorporações do que abastecer a juventude de sabedoria e conhecimento, o verdadeiro desafio da Universidade.

Há retrocesso também na saúde. Não há avanço na saúde de uma população quando quase todos os recursos são direcionados para tratar com efeitos da má alimentação, do trabalho extenuante, repetitivo, desagradável, e da má qualidade de vida. Por mais que se construam hospitais, por mais médicos que se formem, sempre serão insuficientes para um povo escravo, que bebe água contaminada, que mora em cômodos onde não bate sol, e que se alimenta de frutas, verduras, legumes, sementes, encharcadas de agrotóxicos.

Não vejo avanços no setor de habitação. Os planos de habitação que martelam todos os dias em jornais, revistas e TV, não saem do papel pois são concebidos apenas para serem superfaturados pelas empreiteiras, enganar o povo e gerar votos no dia da eleição. A maior parte dos trabalhadores no Brasil é pobre demais para poder comprar uma casa, e rico demais para poder ter direito a um apartamento ou casa construído pelo governo para as classes menos favorecidas. Então ou vivem apertados na casa dos pais ou sofrem pagando aluguel.

Como pode ter avanços no trabalho se o salário mínimo no Brasil continua sendo um dos mais miseráveis do mundo? È necessário levar em conta também que tanto no interior do Brasil como nas grandes capitais não são raras as notícias sobre a exploração do trabalho escravo.

No que toca a infra-estruturas logísticas, energéticas, etc., elas são voltadas exclusivamente para atender as necessidades do sistema mercantil totalitário. Não há qualquer canal aberto à participação popular nessas discussões. Tratam rios, florestas, praias como se fosse tudo propriedade particular, para uso e usufruto do capital.

De 1964 até 1985, houve retrocesso, claro. Vivíamos debaixo de uma ditadura. Todo povo sofreu, mas a classe que mais sofreu foi o proletariado. Muitos artistas, políticos, militares e intelectuais que foram perseguidos ou exilados, hoje recebem gordas indenizações. Mas aqueles que resistiram nas favelas, cortiços e nas regiões distantes no interior do Brasil, nunca são nem mesmo lembrados.

De 1986 até maio de 2013 o povo brasileiro descobriu que ainda está debaixo de uma ditadura. A anterior declarada. A atual velada. O povo brasileiro descobriu que assim como os Generais da Ditadura nunca o consultava sobre o que fazer ou sobre como aplicar os recursos arrecadados com impostos, da mesma forma, os políticos “democraticamente eleitos” também não o consulta sobre o que fazer ou sobre como aplicar os recursos arrecadados com os impostos. O povo brasileiro -- e isso foi demonstrado ontem (11) na fracassada jornada promovida por partidos e centrais sindicais, onde pessoas pobres foram contratadas por R$50,00 para portar bandeiras partidárias e vestir camisetas sindicais na marcha – já não mais aceita representantes. O povo brasileiro quer a democracia direta. E está buscando meios para vê-la funcionar na prática.

Cómo se encuentran los diferentes grupos sociales concienciados y cuál es la fuerza de su unión y participación ante los problemas comunes del pueblo brasileño.

No início da década de 1980, diferentes grupos sociais organizados nas áreas de habitação, trabalho, saúde, abastecimento, democracia direta, transporte, educação, cultura, foram formados, inclusive no bojo da resistência à ditadura, mas não durou muito tempo para que tais grupos fossem aparelhados pelos sindicatos e partidos políticos e direcionados exclusivamente para fins eleitorais. Restaram pouquíssimas organizações políticas independentes que, embora conseguissem sustentar-se em guetos, não conseguiram alcançar as massas. Na medida do possível, mesmo com parcos recursos, não cansaram de denunciar a manipulação e o aparelhamento da luta por parte das forças conservadoras que diziam representar os trabalhadores.

Como persona que te dedicas a investigaciones, ¿qué se está haciendo bien en el sistema judicial brasileño, qué carencias o errores se cometen y cómo es su lucha contra los casos de corrupción?

Embora possua bacharelado em Administração, considero-me autodidata e repudio toda e qualquer especialização nas áreas do conhecimento. O sistema judicial brasileiro, que compõe o 3º Poder, consegue ser mais corrupto que o poder Legislativo e Executivo. E essa afirmação foi endossada por um jurista respeitado, que combateu esquadrões da morte em São Paulo, o Dr. Hélio Bicudo. Embora os tribunais trabalhistas tendam a favorecer os trabalhadores em suas demandas, ainda está longe de considerar-se isento e justo. Ultimamente surgiram juristas corajosos como Eliana Calmon no Superior Tribunal de Justiça e o Ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, denunciando “ladrões togados”. Mas ambos representam uma inexpressiva minoria em meio ao oceano de lama do Poder Judidiário.

Hace poco, podían ver los lectores del Rick´s Café y de las redes sociales un documental poco conocido sobre la represión a las manifestaciones pacíficas de ciudadanos para reivindicar que sus derechos sean respetados. Tres preguntas, la primera, ¿cómo han reaccionado las personas que participaron en esas manifestaciones pacíficas después de verse agredidas o coaccionadas?

Na cidade de São Paulo houveram 7 grandes atos pela revogação do aumento na tarifa de transportes. Só não participei do 1º e 2º ato. Foi um exemplo típico de que quando a causa é justa, a repressão provoca um efeito contrário. O número, ânimo e disposição de participantes se multiplica exponencialmente. As pessoas que participaram dessas manifestações pacíficas reagiram com indignação. Como não havia líderes a repressão tomou como principais alvos os jornalistas. Até então os jornais, rádio e TV ridicularizavam os manifestantes, mas quando viram seus fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas brutalizados pela polícia militar, mudaram de lado e passaram a narrar o verdadeiro sentido das manifestações. No sétimo ato na Avenida Paulista (a Wall Street de São Paulo) a adesão da população foi praticamente total.

La segunda, ¿qué importancia está teniendo en la concienciación del resto del pueblo brasileño para que se vayan sumando a esa lucha para mejorar las condiciones de vida personales, intergeneracionales y colectivas?

A conscientização do resto do povo está ocorrendo pela progressiva participação direta. Pessoas que nunca antes haviam se somado voluntariamente a qualquer ato político aos poucos convencem a si mesmos que não haverá mudança se deixarem suas lutas nas mãos de sindicatos e de políticos profissionais.

La tercera, ¿qué repercusión estáis viendo que haya tenido a nivel internacional?

Fora as manchetes nos jornais em várias partes do mundo, vejo apatia e desinteresse por parte dos movimentos sociais, especialmente na Europa. Suspeito que há até uma certa antipatia por parte dos tradicionais grupos de esquerda, que se acostumaram a ver a si mesmos como líderes e não como iguais, quando se juntam às massas. A esquerda brasileira que aparelhou os sindicatos e que tomou o poder em Brasília e em quase metade dos municípios do Brasil, revelou-se tão corrupta quanto o centro e direita, com os quais fez profundas alianças, e passaram conjuntamente a apropriar-se de recursos bilionários e a ostentar luxos extraordinários, pensando que, órfão de líderes, o povo jamais sairia às ruas como aconteceu.

¿Qué visión se percibe en Brasil de fenómenos humanos, intergeneracionales y cívicos como el 15 M en España, o las reacciones de los pueblos en buena parte de Europa?

O Brasil acompanha atento, interessado, entusiasmado, cada lance das grandes movimentações populares desde o 15M na Espanha. Eu diria até que a Revolta do Vinagre no Brasil, guardadas as devidas proporções e diferenças, inspirou-se na Primavera Árabe, no 15M na Espanha, no Occupy Wall Street e no recente levante na Turquia.

Uno de los grandes recursos de Brasil es su naturaleza, su medio ambiente, siendo el Amazonas uma de sus maravillas. ¿Qué se está haciendo para preservarlo debido a las ya conocidas deforestaciones?

Como ocorre em todo o mundo, o Sistema Mercantil Totalitário tomou as rédeas no Brasil, e em nome do lucro fácil e rápido vem numa velocidade estonteante envenenando nossos rios, e derrubando nossas florestas. São tantas as denúncias e tantos os descalabros que ficaria extenso e extenuante descrevê-los aqui um a um. Deixo a vosso cargo estudar o trabalho impecável de Telma Monteiro sobre o tema.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Esporte: Espetáculo da Mentira

Esporte

O esporte é a segunda grande diversão, distrai, entretém, brilha intermitente, decepciona, ilude, enfim, é um truque social que atrai a atenção do povo no ocidente. Talvez os leitores pensem que técnica nada tem a ver com esporte. Estão errados. A técnica joga um duplo papel. Em primeiro lugar, no esporte, a técnica transforma sua prática pelo seu rigor. Em segundo, a técnica faz do esporte o espetáculo ideal da televisão e assim o transforma. Mencionaremos simplesmente o primeiro aspecto de passagem, pois seu estudo na sociedade tecnológica não é tão relevante aqui. Os esportistas profissionais estão quebrando constantemente recordes conforme as técnicas melhoram. Enquanto procuram continuamente por resultados melhores, as técnicas se transformam e suas exigências se estendem a todos os aspectos da vida (regimes, etc.). O resultado é profissionalismo. Mas a aplicação maior da técnica no esporte depende do discurso tecnológico. Se a competição fosse simplesmente uma brincadeira, um jogo (como é feito usualmente no esporte), e se fosse simplesmente uma questão individual (como no golfe), não haveria a aplicação de técnicas extremas. O discurso tecnológico transformou o esporte em um gigantesco espetáculo, em campeões fabricados, estrelas, e ídolos do estádio.

       A difusão maciça pela mídia e pelo poder da propaganda sobre as massas muda o esporte. O discurso tecnológico o transforma em uma questão nacional e global onde se faz pouco caso de suas regras áureas: honestidade, lealdade, jogo limpo.

       Para se ter uma idéia de como o público foi cativado pelo esporte basta apenas considerar o lugar de destaque que ocupa na mídia. Na televisão, em todos os canais, não há um dia sequer que não dedique vários minutos ao esporte. Os jornais permitem-lhe mais espaço. É impressionante como durante todo o ano algo sempre está acontecendo nos esportes a cada dia: futebol, basquete, tênis, fórmula I, onde aparece gente disputando, nadando, correndo, etc.. Cada dia o público tem que ter sua dose de emoção e de paixão. Os campeonatos e os jogos televisionados internacionais. As pesquisas mostram que 50 por cento de todos os televisores ficam ligados em jogos televisionados ao vivo. O que é equivalente a três grandes redes mostrando fa mesma coisa ao mesmo tempo. Na França o preço para o direito de transmissão em 1985 era 500.000 francos (aproximadamente $100.000) por tais jogos podem render anualmente até 3.500, 000. francos ($700.000).  

       Naturalmente, uma transmissão nesta escala é permeada de propaganda. Os sinais são colocados todos os ambientes. Os anúncios colocaram nos franceses uma paixão pelas marcas patrocinadoras das equipes, e as torcidas carregam as marcas das empresas. Estes logos custam milhões, e naturalmente, anunciar pesado no esporte proporciona cada vez mais retorno. Isso não seria possível se a televisão e o rádio não inculcasse constantemente o esporte na linha de frente de toda a transmissão francesa como algo indispensável.

       Alguns jornais provincianos devotam suas primeiras páginas aos eventos, ostentando-os com fotografias coloridas. O jogo do dia é mais importante do que um acordo internacional ou uma tentativa de assassinato. O jogo é a notícia mais importante. Como sempre, há uma ação recíproca, porque a mídia focaliza os eventos esportivos, o que resulta em que mais pessoas se interessem aumentando a demanda. A mídia pode então aumentar a quantidade, a intensidade e a exaltação dos esportes, porque promovem uma demanda pública.

       Mas o que acontece com o esporte assim tecnizado e tornado espetáculo? Primeiramente, temos uma transição ao profissionalismo total. O profissionalismo não é coisa nova, mas devido ao forte suporte financeiro torna-se exclusivo. O esporte foi inventado para ser uma brincadeira. As pessoas se envolveriam quando fora do trabalho. Pouco a pouco o profissionalismo ganhou terreno. Hoje o único esporte "verdadeiro" é o profissional. Temos assim um fenômeno duplamente notável. Por um lado os jogadores são comprados. O clube mais rico terá os melhores jogadores. A soma paga para comprá-los chega aos milhões. Muitos clubes entram em débito. Assim eles têm que levantar o dinheiro. Algumas cidades os subsidiam pesadamente devotando muito mais dinheiro a seus clubes do que à prevenção social ou à reabilitação de prisioneiros. Há anúncios constantes visando trazer mais espectadores. Torna-se necessário construir novos estádios e os recursos da cidade são novamente direcionados nesse sentido. O imposto pago por cidadãos que não se interessam por tais coisas é direcionado para pagar essas despesas malucas.

       Assim, aqueles que não são fortes nem capazes de praticar hábeis performances não são completamente normais. O profissionalismo torna o perfeccionismo técnico possível. Mas trás também algumas conseqüências sérias. Meninos de quatorze anos sem tais habilidades são treinados excessivamente até oito horas por dia, de modo que aos dezoito possam começar a jogar em público, mas sua carreira se encerra quando se aproxima dos trinta. Não saberão então fazer nada mais, não terão nenhuma outra habilidade, e não serão capazes de qualquer outra coisa. Durante cerca de dez anos de atividade esportiva eles poderão fazer uma fortuna que lhes permita viver sem trabalhar o resto de suas vidas. Tanto para os clubes como para os atletas, o esporte transformou-se em uma questão de dinheiro. Em nome do tecnicismo esportivo, e em nome daqueles que se entregam ao discurso tecnológico, o esporte, bem como os deuses do estádio, todos tornaram-se súditos do rei dinheiro. O socialismo é não melhor, porque está sob as mesmas pressões. Pode haver menos competição financeira entre clubes mas há uma competição mais burocrática!

       Outro efeito do mercantilismo profissional pode ser visto na composição das equipes.  Na Formula I, em escuderias como a Renault, Fiat, ou Porsche, as equipes podem ser compostas por pessoas de qualquer país: brasileiros, africanos, italianos, portugueses, etc.  Originalmente, o time de uma cidade era composto por gente dessa cidade, de tal forma que uma cidade realmente disputava contra outra.  Mas o que é que acontece hoje?  Simplesmente, o clube ganhador é aquele que contrata os melhores profissionais do mercado pagando mais por eles!

       Se no esporte vale tudo, então não haverá nenhuma hesitação em aplicar a mais extrema brutalidade. Em cada partida televisionada que eu vejo, fico cada vez mais impressionado pela brutalidade nas partidas.  Vemos isso até mesmo na natação!  Isso é mais patente, naturalmente, no boxe, que há muito deixou de ser uma arte para transformar-se em mero desencadear da violência. Vemos isso também no tênis. Ficamos espantados com a pancada da raquete. Parece ferreiros no trabalho. Não é por acaso que os campeões de tênis recebem nomes como "foguete" e "dinamite". Mas onde está o tênis do dia-a-dia com sua graça e leveza? Borotra, Lenglen, e Tilden não jogaram como açougueiros, brandindo suas raquetes como clavas. Essa brutalidade é ligada à violência da competição e também à transmissão para milhões de espectadores, porque a brutalidade é visualmente muito mais lucrativa. Não é por acaso que a brutalidade dos jogadores afeta o público, gerando milhares de fanáticos obsecados, que não são mais esportistas do que eu, mas que por causa das partidas que assistem, acabam finalmente, como vemos repetidas vezes na televisão, super excitados, violentos, e quebrando tudo pelo caminho. Eles simplesmente foram contaminados pelos deuses do estádio e pelo poder televisivo do espetáculo, em que eles próprios repentinamente se tornam os atores.
 
       Acredito que quanto maior a propagação do tecnicismo esportivo, mais quebra-quebra veremos nos estádios, apenas pelo fato de haver conflitos violentos entre grandes rivais, sejam lá quais forem suas cores. Os torcedores mostram-nos o resultado do total fascínio em suas manifestações.

       Em contraste com o que escrevi, é bom recordar a maneira como uma sociedade tradicional pôde integrar e controlar o mais violento de todos os esportes, a tourada. Uma luta entre o "bruto" e o homem, que poderia degenerar mais facilmente em bestialidade total. Mas isto não aconteceu. O jogo bárbaro foi ritualizado, de forma que a violência ocorre de forma precisa, onde a brutalidade é substituída por um elegante controle, e o comportamento coletivo é ajustado dentro de um tipo de ética comunal. O que era um massacre transformou-se numa arte nobre. Mas hoje vemos o oposto. Assim, a falha principal da técnica e do discurso tecnológico, que envolve a primazia do sucesso, está no fato de desencadear o fanatismo popular.

       O fato do esporte ser agora um espetáculo é patente em todos os níveis. Me vem na mente agora a ridícula gesticulação dos jogadores. Quando mudam o placar, por exemplo, ele caem de joelhos, invocam os céus com gestos exagerados, urram junto com os demais membros da equipe, abraçam e felicitam uns aos outros enquanto a multidão ruge. Aquilo torna-se mais importante que qualquer evento político. Mas gesticulam assim apenas porque há câmeras mostrando-os em milhões dos televisores. Ou seja, todos os jogadores sabem que trata-se de uma exibição, e se comportam de acordo com a absoluta necessidade de divertir o público. É o resultado do princípio: "joguem, joguem, do resto a gente cuida".

       Chamo a atenção para outras três conseqüências do discurso tecnológico. Primeiramente, a decepção dos esportes. Temos como um exemplo a celebração do que são chamados "Jogos Olímpicos". Mas os jogos olímpicos reais eram algo completamente diferente. Não eram apenas um evento espetacular; incluíam canto, teatro, leitura de poesia, etc.. Eram também uma ocasião em que as cidades gregas se congregavam, mesmo em tempos de guerra. Durante os jogos havia uma trégua, um cessar fogo, a unidade grega era restaurada, e eu suponho que as conversações diplomáticas aproveitavam da ocasião para resolver problemas. Mas nossos "Jogos Olímpicos" são o oposto disso. São uma ocasião para sanções contra países, para divisões, para expressões de conflito. Alguns países recusam ir ao país que sedia os jogos, e assim por diante. Este ou aquele país é excluído (por exemplo, Irã ou Coréia do Norte). Ou seja os jogos viram uma modalidade de combate. Transformam-se assim em uma grande demonstração da tremenda transformação que o esporte sofreu devido à tecnologização da sociedade (não a sua politização, porque nunca o mundo foi tão político quanto o mundo grego). Os adversários devem ser esmagados a todo o custo. Esta é a cruel e corrupta lei da técnica e agora também do esporte, esse esporte tornou-se parte da trágica mística do público expectador e que é exaltado por toda a mídia, que cobre figurões esportistas com honras antes reservadas a generais, e glória nunca antes vista, de modo que os jogos claramente não são mais vistos como jogos mas como competições mortais, encontro cruéis, uma verdadeira batalha maniqueísta. Nossos Jogos Olímpicos hoje, portanto, não são jogos olímpicos reais de paz e de diálogo mas jogos de feroz rivalidade. Esta é a lei da técnica e também do esporte moderno. O discurso tecnológico exalta o poder do esporte, que é o poder de um país como um todo. O esporte é tão importante que o presidente de França tem que adiar um discurso para permitir que os cidadãos prestem atenção ao campeonato europeu na tela da televisão!

       Um segundo efeito é que a importância do esporte é tão dominante que um evento esportivo é transmitido quando não há nada para exibir na programação diária. Não há um único dia em que o público passe sem shows e espetáculos. Monstruosidades são criadas, como o rally de Paris a Dacar, por exemplo, um desperdício absurdo e um insulto a países onde a fome é abundante, exibindo o poder ocidental diante da pobreza do terceiro mundo, um exemplo de completa vaidade. Não me entenda mal; Eu não estou contestando a coragem, a resistência, a habilidade, ou a energia dos participantes. O que eu destaco é que em um mundo em que a coragem, a inteligência e a resistência podem ser mostradas em milhares de maneiras adequadas, é totalmente absurdo e mesmo odioso desperdiçar tais qualidades em coisas assim tão imbecis. Por que estes desbravadores tão cheios de energia não trabalharam em prol do terceiro mundo, transportando necessárias provisões ao coração de África em rotas tão difíceis quanto as de Dacar? Por que não navegam em navios do Greenpeace? Ano passado um repórter de televisão que cobria o rally com a missão importante de emitir imagens para milhões de telespectadores foi morto em um helicóptero tornando-se assim o foco das atenções com um enfoque heroico. A única coisa sadia foi dita por Cavanna sob o título: "morreu como um idiota para o Paris-Dacar".

       Finalmente, um bom artigo sobre a corrida de barcos de Rhum publicado no periódico Réforme destaca como o público mobilizado para este evento (500.060 assistiram à abertura em St. Malo). O texto chamava a atenção ao fato de que este esporte é realmente uma proeza no campo da publicidade com os patrocinadores arcando com as despesas dos barcos, e com uma enorme pesquisa técnica para melhorar seu desempenho (como no caso dos carros da fórmula I, um típico desperdício por parte de uma sociedade com pesados distúrbios econômicos), e a técnica que ocupa um lugar proeminente na corrida com satélites e computadores é usada para certificar-se de que todos os telespectadores não deixem de acompanhar o mais ligeiro incidente. Este é um bom exemplo de sublimes meios usados para alcançar ridículos resultados, o esporte é uma brincadeira sem nenhuma particular importância fora de seu contexto. Mas porque este artigo excelente recebeu o título: "tecnologia a serviço da fantasia"? Vale a pena analisar este título. A "tecnologia" não está a serviço de tudo. Dominou, despertou e impôs sua própria fantasia. Neste ponto estamos com Castoriadis (L'Institution imaginaire de la société). Na medida quem que a fantasia se isntitucionaliza, ela hipnotiza, fascina, diverte, e vicia através do espetáculo, esvaziando todo o significado que lhe é próprio, roubando sua finalidade, desprovendo seu valor, não criando nada, sendo algo puramente passivo, alimentado como mercadoria, e a sociedade como um todo não obtêm outro resultado a não ser a poeira e a fumaça que se dispersa tão rapidamente quanto a imagem emocionante mas insignificante do esporte. Enfim, é de pouca importância o fato de que o esporte se transformou em um instrumento do grande capital. "Necessitamos expor e denunciar a mitologia mistificadora do esporte, que, para o benefício de grandes investidores se transformou em um travesti das brincadeiras de circo".

       Carece também de grande importância o fato do esporte ser controlado pelo estado, cimentado pela ideologia da classe média, e governado por relações de produção, vocacionado como sub estrutura capitalista. Esta crítica cheirando a dogmatismo esquerdista, embora tenha o mérito de destruir o papo idealistico e humanístico sobre os virtudes do esporte, comete o erro de confiar em análises da sociedade de 1900. Os grandes investidores de hoje, que têm certamente uma influência decisiva, não são mais tão radicais quanto à técnica, o mesmo ocorreu nos falecidos países socialistas. O fator dominante no esporte é agora o discurso tecnológico, a droga indispensável da mídia ocidental, o esporte tornou-se meramente uma ferramenta de ganhar mais dinheiro. E o esporte tem que curvar-se às necessidades deste discurso, tem que submeter-se aos imperativos dos grandes investidores, que lucram por ele, o mesmo ocorreu nos falecidos estados socialistas!

Traduzido e adaptado do livro “Le bluff technologique” de Jacques Ellul,

www.oocities.com/projetoperiferia

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Cusparada de Rui Falcão


Algumas ponderações sobre as palavras de Henrique Canary: “[Anarquistas] cumpriam um papel verdadeiramente vergonhoso” e “tentam proibir, inclusive por meio da força física, que os militantes dos partidos políticos exerçam uma liberdade elementar.”. E de Valério Arcary, em Estratégia e Análise: “Não deixem abaixar as bandeiras vermelhas”

Não quero aqui entrar no mérito de disputas ideológicas, disputas essas que em muito se aproximam das disputas entre torcidas organizadas.

No que diz respeito a torcer por um time, acho mais saudável e interessante brincar, jogar futebol, uma atividade comum entre muitos de nós, especialmente os da periferia, no tempo em que ainda haviam terrenos baldios, e ruas de terra sem carros, onde podíamos fincar estacas, arrumar uma bola, e escolher dois times um a um dos melhores para os piores, de forma que ninguém ficasse de fora.

No que diz respeito a disputas político-ideológicas, acho mais saudável e interessante ficar fora de toda essa discussão, acho mais profícuo e produtivo avançar na luta real e concreta do dia a dia, na luta nossa cotidiana contra governantes municipais, estaduais e federais que, apesar de só no ano passado sugarem dos trabalhadores -- é do nosso bolso que sai esse dinheiro -- R$1,56 trilhão em impostos municipais, estaduais e federais, raramente vemos qualquer mudança naquilo que afeta às nossas necessidades mais básicas: moradia, locomoção, educação, alimentação, requisitos estruturais para uma boa saúde.

Venho atendendo há anos as chamadas contra o aumento das tarifas nos transportes em São Paulo, lembro quando Kassab tomou posse e tempos depois anunciou aumento nas tarifas de ônibus. Lembro da enorme quantidade de policiais, e lembro também de uma tirada dos manifestantes em coro dizendo aos policiais que “aumento de passagem é problema social”, não caso de polícia. E se fosse caso de polícia o criminoso seria o prefeito que não fez seu trabalho, não o povo de onde saem os recursos.

Este ano, o prefeito mudou, tomou posse o prefeito da bandeira vermelha, bandeira que aliou-se a Maluf e outras repugnâncias. E veio o anúncio da nova tarifa, e novamente saímos às ruas, fiquei sabendo já na 3ª marcha, e atendemos, fazendo questão de carregar, junto com mais 6 ou 7 jovens, a bonita e enorme faixa pela tarifa zero, debaixo de chuva, enquanto ela esteve estendida.



E veio a 4ª marcha, e veio a 5ª marcha, todas crescendo em número e entusiasmo, apesar da também crescente violência policial. Nesses anos todos nessas marchas pela tarifa zero vi rostos de deboche, que me fizeram lembrar das palavras de Mahatma Gandhi,  “Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois te brutalizam, e então você vence....”

É importante ressaltar que em nenhuma dessas marchas via-se bandeiras de partidos políticos. E isso era absolutamente natural. Seria surreal se na marcha contra o aumento de tarifas nos transportes, quando Kassab elevou o valor das passagens, encontrar ali uma bandeira do partido do Prefeito. Ao senso comum isso beiraria as raias da loucura. Não foi o prefeito apenas que elevou a tarifa, foram também aqueles que o alçaram ao poder, essas pessoas podem até não gostar, mas não podem se desvencilhar da responsabilidade de tê-lo eleito!

A sexta marcha seria a marcha da vitória na batalha, não na guerra. A vitória na guerra seria a tarifa zero, e essa tarifa zero poderia ser alcançada se a tática da ausência de bandeiras partidárias tivesse continuidade. Eu disse tática, não estratégia, nem entrave ideológico! A notícia da tarifa zero nos transportes na cidade de São Paulo, certamente se espalharia como fogo em palha seca por todos os municípios do país. Afinal, dos trabalhadores brasileiros só em 2012 foi sacada a quantia monumental de R$1,56 trilhão! Impossível que uma verba de tal monta não possa atender a um dos direitos constitucionais básicos da população!

Ver a bandeira do partido do prefeito sendo empunhada na marcha de comemoração, após uma sucessão de 5 marchas contra o aumento de tarifa anunciada pelo prefeito cujo partido a marcha -- pela lógica dos posicionamentos opostos -- hostilizava, evidentemente causava estupor e indignação. O que veio depois foi consequência, a causa foi a ausência de discernimento, de qualquer sinal de seriedade ou caráter, deste reaça Rui Falcão que contrapôs seu imundo pedaço de pano eleitoral à uma luta vitoriosa, se bem que ainda parcial, por conquista de direitos.

O gesto oportunista e tresloucado desse "falcão" virado em galinha cega, foi uma cusparada não só nos manifestantes que debaixo de chuva, frio, bombas e balas de borracha enfrentaram prisão e violência policial, mas também nos trabalhadores e estudantes de São Paulo como um todo. O povo nas ruas já começou a dar uma resposta a este sujeito e aos que o apoiam. A cidade não mais pertencerá a megacorporações e seus serviçais: polícia, políticos, governos, mas ao povo consciente e lutador, o legítimo soberano e dono de tudo. Não esqueceremos! Voltaremos fortalecidos! Nos aguarde!

Share photos on twitter with Twitpic
Clique e veja video do catracaço, CPTM Morumbi, São Paulo, junho de 2013

A POLÍTICA ANTIDEMOCRÁTICA DOS POLÍTICOS PROFISSIONAIS E DAS CENTRAIS SINDICAIS

Se política é participação, antipolítica é a negação dessa participação. Desse panorama podemos ver partidos políticos e centrais sindicais oficiais como antidemocráticos e antipoliticos, pelo monopólio da participação.

Eles aparecem em redes de TV fazendo discurso e propaganda das idéias deles, às vezes diametralmente opostas à vontade popular, fazem discursos que nem de longe contemplam os desejos e aspirações de 230 milhões de brasileiros, que também querem expor seus pontos de vista, mas que nunca tiveram canais para isso.

A única opção que os políticos profissionais oferecem ao povo é votar em nomes escolhidos por lobbyes formados por megacorporações onde o interesse particular sufoca o interesse público. Sindicatos apenas rifam mão-de-obra e usam trabalhador como trampolim para eleger seus chefes.

O grande recado da Revolta do Vinagre, que desencadeou a Primavera Brasileira que se espalha por todo o país, é: o povo despertou, disse basta! E quer voz e vez. Quer decidir sem intermediários o destino dos impostos que paga, se é que tem mesmo que pagá-los.

Na Islandia a internet deu os meios para a horizontabilização da política. Qualquer pessoa pode expressar-se, discutir idéias de seu interesse, decidir, e colocá-las em prática no âmbito da administração da sociedade, quebrando de vez com o monopólio, com a política antipolitica dos políticos profissionais, e com a peleguice e intermediação dos sindicatos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quem Controla o Governo e Como

AOS MANIFESTANTES


O foco nas reclamações sobre o governo deve ser ampliado para uma discussão sobre quem controla o governo e como.

As mesmas famílias que dominam o capital global, são as donas dos bancos e megacorporações que financiam ambos os lados da "democracia" no Brasil, nos EUA, e na maioria dos países. 

São eles quem controlam os produtos alimentícios, o petróleo, os recursos naturais, a indústria farmacêutica, a mídia, a produção de armas, o tráfico de drogas e tantas outras atividades que exploram o povo.

Vamos acordar juntos e fazer a verdadeira revolução consciente e pacífica, deixando de alimentar este sistema.

Por: Mautama






domingo, 23 de junho de 2013

O Último Discurso de Charles Chaplin adaptado para a Revolta do Vinagre no Brasil

O Último Discurso de Charles Chaplin adaptado para a Revolta do Vinagre no Brasil

AOS QUE QUEREM GOVERNANTES E SALVADORES DA PÁTIRA

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador, um presidente, um governador, um prefeito, nem mesmo representar o povo como senador, deputado, vereador, o povo nas ruas e nas praças sabe falar por si mesmo. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, palestinos, ateus, amarelos, índios, negros, brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem, levantou no mundo as muralhas do ódio, e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

AOS QUE ME PODEM OUVIR

A internet, a aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora, milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores e governantes sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

AOS SOLDADOS

Soldados! Não vos entregueis a esses governos brutais, que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina!
Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar, os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!

AOS POVOS DO MUNDO

No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, como os tunisianos, egípcios, turcos, brasileiros estão fazendo, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

AOS GOVERNANTES

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os governantes em geral e os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

AOS MISERÁVEIS

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos.