sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Confissão Schleitheim

Prólogo

Silenciosamente, cada vez mais marcam presença em várias partes do mundo em nossos dias. Não precisam de presidentes, prefeitos, governadores, Ministério de Planejamento, departamentos de propaganda, chamadas na tv e no rádio, institutos de previdência social, economistas, bombeiros, oficiais de justiça, nem sobem em palanques para convencer ninguém de nada. Não necessitam de guerrilheiros nem de homens bomba. Não promovem nem participam das necessidades executivas e legislativas da política e lá nem existe política, nem registram contratos em cartórios, e lá nem existem cartórios.

Mesmo seguindo a risca os ensinamentos de Cristo, foram severamente perseguidos pelo clero, tanto católico, como protestante. Mesmo exercendo a democracia absoluta, real e direta, foram duramente perseguidos pelos governantes europeus e dos Estados Unidos da América. Embora comunistas exemplares foram perseguidos pelos governantes da extinta União Russa Socialista Soviética. Embora anarquistas práticos nunca precisaram ler Proudhon. Eles nunca precisaram ler teorias revolucionárias de Marx ou Bakunin, porque a teoria deles se aperfeiçoa e se desenvolve na prática do dia-a-dia. O único poder terrestre ao qual se submetem é o poder da palavra que sempre é cumprida.

Labutam como jardineiros no Éden, e muitas de suas comunidades são ricas, pelo próprio suor, pois não admitem explorados nem exploradores. Não precisam de tribunais, funcionários públicos, nem soldados, nem delegados de polícia, nem postos de saúde, ou hospitais, médicos, engenheiros, advogados, enfermeiras e empregados subalternos. Lá não há classes sociais, nem classe política, nem classe alguma.

Eles mesmos educam suas crianças em suas próprias escolas, mantidas e dirigidas por eles mesmos. Cada homem vale um homem e cada mulher vale uma mulher. Eles tem um fundo comum mas esse dinheiro não circula escondido em cuecas e meias de parlamentares e empresários, está sempre acessível às necessidades reais da comunidade como um todo e de cada um individualmente, e nem mesmo um centavo é desviado. Nessas comunidades não há prisões, entre as casas não há cercas. A luz enganosa do espetáculo não brilha ali, em seu lugar à noite desfila a lua e as estrelas e durante o dia reina o sol soberano. No "ruspringa" os jovens são incentivados a sair e visitar o "parque de diversões do diabo", nome que deram ao mundo onde nós vivemos, são raríssimos os que não retornam. Lá não há necessitados nem viciados em crack perambulando como cães pelas ruas. Ninguém depende de migalhas lançadas de cima pelos serviços sociais do governo. Não entregam seus filhos para a guerra, nem pagam impostos de espécie alguma.

Mas esse salutar estilo de vida custou um alto preço, muitos foram presos e mortos queimados em fogueiras, afogados, ou trespassados por tridentes e pela espada, mas o movimento continuou e está mais vivo do que nunca.

Escrita há exatos 482 anos, a Confissão Schleitheim, o documento singelo que teve o poder de agregar pessoas para o projeto acima, é mais do que o documento mais importante dos remanescentes anabatistas, é também, pelo que representa, um monumento à verdadeira cristandade, uma luz de esperança para o presente e para o porvir. Vale para todas as raças, todas as culturas, todos os povos. Um oásis de paz e simplicidade em meio a uma terra atribulada pela mentira, seca de amor e encharcada de ambição e ódio.

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A Irmandade de Schleitheim

(Brüderlich Vereinigung etzlicher Kinder Gottes seiben Artikel betreffend . . . )

"The Legacy of Michael Sattler" por John Howard Yoder, Herald Press, 1973. Fonte digital em inglês: http://tiny.cc/vykky


Traduzido por Railton Sousa Guedes



Introdução

Que a alegria, a paz, a misericórdia de nosso Pai - por meio da Expiação [31] do sangue de Jesus Cristo, juntamente com os dons do Espírito que são enviados pelo Pai a todos os crentes para força, consolação e constância em toda a tribulação até o fim, amém - estejam com todos os que amam a Deus e com todos os filhos da luz, que estão espalhados por toda parte, onde quer que eles possam ter sido colocados [32] por parte de Deus nosso Pai, onde quer que se reúnam em unidade de espírito no Deus e Pai de todos nós. Que a graça e a paz do coração estejam com todos vós. Amém. 

Amados irmãos e irmãs no Senhor, em primeiro lugar estamos sempre preocupados com o seu consolo e com os protestos da sua consciência (que esteve em algum momento confusa), para não estarem sempre separados de nós como estrangeiros e por direito quase completamente excluídos, [33], mas que vocês possam tornar-se verdadeiros membros implantados de Cristo, armados com paciência e conhecimento de si e, assim, reunirem-se novamente conosco no poder de um espírito cristão devoto e zeloso para com Deus. 

É patente a multiplicidade de astúcias que o diabo vem usando para nos desviar, para poder destruir e subjugar o trabalho de Deus que em nós misericordiosa e graciosamente começou parcialmente. Mas o verdadeiro Pastor das nossas almas, Cristo, que começou essa obra em nós, vai nos dirigir e ensinar [34] o mesmo até o fim, para a Sua glória e nossa salvação, amém.

Queridos irmãos e irmãs, reunidos no Senhor em Schleitheim nas [colinas] de Randen [35] façamos saber, em pontos e artigos, a todos os que amam a Deus, que estamos unidos [36] e permanecemos firmes no Senhor, como filhos obedientes de Deus, filhos e filhas, que estão e permanecerão separados do mundo em tudo o que fazemos e deixamos de fazer, e (louvor e glória a Deus somente) sem contradição por todos os irmãos, completamente em paz.[37] Nistas coisas percebemos a unidade do Pai e do nosso Cristo, presente entre nós em seu espírito. Porque o Senhor é Deus de paz e não de brigas, como Paulo indica. [38] Para que vocês compreendam em que pontos isto ocorre, vocês devem observar o seguinte:

Uma enorme ofensa foi introduzida por alguns falsos irmãos entre nós, [39] fazendo com que vários desviassem da fé, julgando praticar e respeitar a liberdade do Espírito e de Cristo. Mas por ficaram aquém da verdade e (para sua própria condenação) [40] se entregaram à lascívia e à licença da carne. Eles acham que a fé e o amor pode fazer e permitir tudo e que nada pode prejudicar nem condená-los, pois eles são "crentes". 

Notem bem, vocês membros [41] de Deus em Cristo Jesus, que a fé no Pai celestial através de Jesus Cristo não se forma assim: ela nâo produz e nem traz essas coisas que esses falsos irmãos e irmãs praticam e ensinam. Estejam atentos e precavidos com tais pessoas, pois elas não servem nosso Pai, mas o pai deles, o diabo. 

Mas vocês não são assim, porque os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com todos os seus desejos e anseios [42]. Vocês me entendem [43] bem, e sabem o que queremos dizer. Apartai-vos deles porque são pervertidos. Orem ao Senhor para que eles possam ter conhecimento para o arrependimento, e por nós para que possamos permanecer e perseverar no caminho que trilhamos, para a glória de Deus e de Cristo, Seu Filho. Amém. [44]


A Confissão Schleitheim(*)

Aprovada pela Conferência dos Irmãos Suíços em 24 de fevereiro de 1527.
Sete Artigos Deliberados pela União Fraternal de Vários Filhos de Deus.

Os artigos que discutimos e que por unanimidade concordamos são estes:




1. Batismo;
2. O Banimento;
3. Partir do pão;
4. Separação da Abominação;
5. Pastores da Igreja;
6. A Espada;
7. O Juramento.

Artigo I. Observações sobre o batismo

O batismo deve ser dado a todos aqueles que se arrependem e mudam de vida, e que verdadeiramente acreditam que seus pecados são levados por Cristo, e a todos aqueles que andam na ressurreição de Jesus Cristo, e que desejam ser sepultados com Ele na morte, para que possam ser ressuscitados com Ele, e para todos aqueles que, com esta compreensão, o pedem a nós e o procuram para si. Isso exclui todo batismo infantil, a maior e principal abominação do Papa. Nele temos as razões e o testemunho dos apóstolos.[46] Queremos mantê-lo com simplicidade, mas com firmeza e segurança.

Artigo II. Sobre o banimento deliberamos o seguinte:

O banimento deve ser empregado a todo aquele que, apesar de se entregar ao Senhor, seguir [Cristo] [47] nos seus mandamentos; ser batizado no corpo de Cristo e ser chamado de irmão ou irmã, escorregou e caiu no erro e no pecado, mesmo inadvertidamente.[48] O mesmo deve por duas vezes ser admoestado em segredo e na terceira vez abertamente disciplinado ou banido diante de toda congregação [49] de acordo com o mandamento de Cristo (Mateus 18).[50] Mas isso deve ser feito de acordo com a regulação do Espírito antes de partir do pão,[51] para que possamos todos em um espírito e em um amor, partir e comer de um pão e beber de um copo.

Artigo III. Sobre o partir do pão

Concernente ao partir do pão, nos tornamos um e concordamos [52] que: Todo aquele que deseja partir o pão em memória do corpo partido de Cristo e deseja beber como lembrança do sangue derramado de Cristo, deve ser previamente unido [53] no corpo de Cristo que é a igreja de Deus e cuja cabeça é Cristo. Porque não podemos, como Paulo assinala, [54] ao mesmo tempo beber o cálice do Senhor e o cálice do diabo. Ou seja, todos aqueles que têm comunhão com as obras mortas das trevas não têm parte na luz. Portanto, todos os que seguem o diabo e o mundo não têm parte com aqueles que são chamados por Deus para fora do mundo. Todos os que se encontram no mal não têm parte no bem.

Por isso, é e deve ser assim: Quem não foi chamado por Deus a uma só fé, um só batismo, um só Espírito, um só corpo, com todos os filhos da igreja de Deus, não pode ser feito um só pão com eles. E deve ser feito em verdade, se a pessoa deseja realmente repartir o pão de acordo com o mandamento de Cristo. [55]

Artigo IV. Estamos de acordo sobre a separação efetiva

Estamos de acordo sobre a separação efetiva do mal e da maldade que o diabo plantou no mundo, assim simplesmente; não devemos ter nenhum companheirismo com eles, [56] e não colaborar com eles na confusão de suas abominações. Ou seja: uma vez que todos aqueles que não entraram na obediência da fé, nem se uniram a Deus para fazer Sua vontade são uma grande abominação diante de Deus, então nada pode realmente crescer ou vir deles a não ser coisas abomináveis. Agora não há nada no mundo e em toda a criação além de bem ou mal, crentes e descrentes, escuridão e luz, o mundo e os que estão [saíram] fora do mundo, o templo de Deus e templos de ídolos. Cristo e Belial, e nenhum terá parte com o outro.

A nós, então, o mandamento do Senhor é também óbvio, por meio dele Ele nos ordena ser e nos tornar separados do mal, e assim Ele será nosso Deus e nós seremos seus filhos e filhas.[57]

Mais adiante, Ele nos previne sair da Babilônia e do Egito terrestre, para que não sejamos partícipes no tormento e sofrimento que Deus trará sobre eles.[58]

A partir disso, devemos aprender que tudo o que não está unido [59] com nosso Deus em Cristo não pode ser outra coisa senão uma abominação que devemos evitar.[60] Por abominação se entende toda idolatria [62] e serviços eclesiais católicos e protestantes [61], reuniões e frequência à igreja, [63] chás nas casas, juramentos e compromissos de incrédulos, [64] e outras coisas desse tipo, que embora altamente respeitadas por todo mundo, são carnais ou praticadas em evidente contradição com o mandamento de Deus, e de acordo com toda a injustiça que está no mundo. De todas essas coisas devemos estar separados e não ter parte com elas, pois elas não são outra coisa senão abominação, e elas são a causa de sermos odiados como antes o foi Jesus Cristo, que nos libertou da escravidão da carne e proveu-nos para o serviço de Deus através do Espírito que Ele nos deu.

Assim também devemos [65] abolir de nosso meio [66] as diabólicas armas da violência – como a espada, armaduras e similares, e todo uso delas para proteger amigos ou contra inimigos – em virtude da palavra de Cristo: "você não resistirá ao mal".[67]

Artigo V. Quanto aos pastores na igreja de Deus, concordamos o seguinte:

Quanto aos pastores na igreja de Deus, concordamos o seguinte: O pastor na igreja será uma pessoa de acordo com a regra de Paulo, [68] plena e completamente, que tenha um bom discernimento com relação aos que estão fora da fé. Essa função inclui ler, admoestar, ensinar, advertir, disciplinar, banir da Igreja, e corretamente dirigir os irmãos e irmãs em oração, e no partir do pão, [69] e em todas as coisas cuidar do corpo de Cristo, para que cresça e se desenvolva para que possamos louvar e honrar o nome de Deus, e calar a boca do caluniador.

Ele será apoiado, no que ele precisar, pela congregação que o escolheu, de forma que aquele que serve o Evangelho viva do Evangelho como o Senhor ordenou. (1 Cor. 9:14). [70] Mas, se um pastor fizer algo merecedor de reprimenda, nada será feito contra ele sem o depoimento de duas ou três testemunhas. Se eles pecarem serão repreendidos publicamente, de forma que outros possam temer.[71]

Mas se o pastor tiver que ser afastado ou conduzido ao Senhor pela cruz [72] na mesma hora outro deve ser nomeado [73] para o lugar dele, de forma que o pequeno povo e o pequeno rebanho de Deus não possa ser destruído, mas seja preservado pelas advertências e seja consolado.

Artigo VI. Concordamos com o seguinte sobre a espada:

Concordamos com o seguinte sobre a espada: A espada é uma ordenação de Deus fora da perfeição de Cristo. Ela pune e mata os maus e guarda e protege o bem. A lei da espada foi estabelecida [74] contra os ímpios para punição e morte, e os governantes seculares foram estabelecidos para usá-la.

Mas, dentro da perfeição de Cristo, apenas o banimento é utilizado, para a advertência e exclusão de quem pecou, sem a morte da carne, [75] é simplesmente aviso e mandamento para não mais pecar.

Agora, muitos, que não entendem a vontade de Cristo para nós, vão perguntar se um cristão pode ou não usar a espada contra os ímpios para a proteção e defesa do bem, ou por causa do amor.

Nossa resposta unânime é: Cristo nos ensina e nos ordena a aprender com ele, pois Ele é manso e humilde de coração e assim acharemos descanso para nossas almas. [76] Agora, Cristo diz, com relação à mulher que foi apanhada em adultério, [77], que ela não deveria ser apedrejada segundo a lei de Seu Pai (e sobre isso diz: "O que o Pai me ordenou, eu faço") [78], mas, com misericórdia e perdão, advertiu-a para não mais pecar, dizendo: "Vai, não peques mais". Exatamente assim também devemos proceder, de acordo com a regra do banimento.

Segunda questão relativa à espada: se um cristão deve participar de disputas e contendas em assuntos mundanos como os incrédulos fazem entre si. A resposta: Cristo evitou decidir ou emitir julgamento entre irmão e irmão sobre herança, se recusou a fazê-lo. [79] Então, devemos também fazer assim.

Terceira questão relativa à espada: se o cristão poderia ser um magistrado caso fosse indicado. Essa pergunta é respondida assim: Cristo seria feito Rei, mas Ele evitou e não discerniu [isso] na ordem do Seu Pai [80]. Assim também devemos fazer como Ele fez e segui-lo, assim não andaremos nas trevas. Pois ele mesmo diz: "Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me". [81] Ele mesmo ainda proíbe a violência da espada, quando diz: "Os príncipes deste mundo têm poder sobre elas, etc, mas entre vocês não será assim." [82] Além disso, Paulo diz: "A quem Deus pré-conheceu, ele tem também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho", etc [83] Pedro também diz: "Cristo sofreu (não governou), deixando-lhes exemplo para que sigam seus passos". [84]

Enfim pode-se ver nos seguintes pontos que não convem a um cristão ser um magistrado: a regra do governo é segundo a carne, a dos cristãos segundo o espírito. As casas onde moram permanecem neste mundo, a dos cristãos está no céu. A cidadania deles está neste mundo, a dos cristãos está no céu. [85] As armas de batalha deles são carnais, e somente contra a carne, mas as armas dos cristãos são espirituais, contra a fortificação do diabo. O mundano está armado com aço e ferro, mas os cristãos estão armados com a armadura de Deus, com a verdade, justiça, paz, fé, salvação e com a Palavra de Deus. Em suma: Cristo é a nossa cabeça, e os membros do corpo de Corpo de Cristo devem ser conduzidos por Ele, para que não haja divisão no corpo pela qual seria destruído. [86] Desde então, Cristo é o que Dele está escrito. Assim, devem Seus membros também ser, de modo que seu corpo possa permanecer inteiro e unificado para seu próprio avanço e edificação. Pois todo reino dividido contra si mesmo será destruído. [87]

Artigo VII. Concordamos o seguinte sobre juramento:

Concordamos o seguinte sobre juramento: O juramento é um compromisso entre aqueles que estão disputando ou fazendo promessas. Na Lei é ordenado que seja feito em nome de Deus, verdadeiramente, não falsamente. Cristo, que ensina a perfeição da lei, proíbe a Seus [discípulos] todo juramento sobre algo ser verdadeiro ou falso; nem pelo céu, nem pela terra, nem por Jerusalém, nem pela nossa cabeça; e Ele explica a razão, "porque vocês não podem tornar um cabelo branco ou preto". Como vêem, todo juramento é proibido: não podemos executar o que prometemos ou juramos, pois não podemos mudar a menor parte de nós mesmos. [88]

Agora há alguns que não dão crédito ao mandamento simples de Deus, e dizem: "Mas o próprio Deus fez promessas a Abraão, porque Ele era Deus (prometeu estar com ele, prometeu ser o Deus dele caso guardasse Seus mandamentos). Por que então eu não deveria também prometer algo a alguém?" Resposta: Ouça o que diz a Escritura: "Deus, pois, queria mostrar mais abundantemente aos herdeiros a imutabilidade de sua promessa, inserindo uma promessa. (Por ser impossível a Deus mentir), poderemos ter uma forte consolação". [89] Observe o significado desta passagem: Deus tem o poder de fazer o que Ele proíbe para nós, pois tudo é possível para Ele. Deus fez uma promessa a Abraão, diz a Escritura, para mostrar que Seu conselho é imutável. Ou seja, ninguém pode resistir, nem impedir seus desígnios. Mas nós não podemos, como Cristo disse acima, cumprir ou executar nossos juramentos, portanto, não devemos prometer nada.

Outros dizem que o juramento não pode ser proibido por Deus no Novo Testamento pois foi autorizado no Velho, apenas foi proibido jurar pelo céu, pela terra, por Jerusalém, e por nossa cabeça. Resposta: Ouvi a Escritura: Aquele que jura pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está assentado. [90] Observe: se é proibido jurar pelo céu, que é apenas o trono de Deus: quanto mais pelo próprio Deus! Insensatos e cegos, quem é maior, o trono ou aquele que nele está sentado?

Outros dizem: se é errado usar o nome de Deus para confirmar a verdade, então os apóstolos Pedro e Paulo também juraram [91]Resposta: Pedro e Paulo apenas testemunharam o que Deus prometeu a Abraão, e que nós também temos recebido. Mas quando alguém testemunha, a pessoa faz isso interessada no que está presente, se é bom ou mal. Simão falou de Cristo para Maria e testemunhou: "Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel". [92]

Cristo nos ensina de forma semelhante quando diz: [93] "Deixe sua palavra ser sim, sim; não, não, porque tudo o que é mais do que isso provém do mal". Ele diz que seu discurso ou palavra deve ser sim e não, de forma que ninguém poderia entender que Ele tenha permitido isto. Cristo simplesmente é sim e não, e todos aqueles que O buscam simplesmente entenderão a Palavra dele. Amém. [94]

Os 7 artigos de Schleitheim
Cantão de Schaffhausen, Suíça,
24 de fevereiro de 1527

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Nota explicativa sobre a relação do documento abaixo com a Confissão de Schleitheim:

Para a Compreensão Fraterna, que nas duas gerações passadas veio ser reconhecida amplamente como um marco teológico, nós juntamos outro texto que poderia ter sido na ocasião igualmente significativo. Este conjunto de instruções concernentes à ordem congregacional e ao culto foi divulgado em 17 de abril de 1527, junto com o texto de Schleitheim, aparentemente conjuntamente com o texto de Bern da União Fraterna. Deve ter sido juntado então ao mesmo tempo em abril, dentro das seis semanas do encontro em Schleitheim. Há bases circunstanciais para ser considerado ligado a Schleitheim e Sattler. É o mais antigo texto que se conhece que trata desse assunto, e nunca foi previamente publicado integralmente. --JHY


Ordem Congregacional [99]

Uma vez que o eterno, poderoso e misericordioso Deus fez sua maravilhosa luz brilhar neste mundo e [nesta] época perigosa, nós reconhecemos o mistério da vontade divina, que a Palavra nos seja pregada de acordo com o ordenamento adequado do Senhor [100] por meio da qual fomos chamados para a Sua comunhão. Portanto, de acordo com o mandamento do Senhor e os ensinamentos de Seus apóstolos, no ordenamento cristão, devemos observar o novo mandamento, [101] no amor mútuo, de modo que o amor e a unidade possa ser mantida, o qual todos os irmãos e irmãs de toda a congregação devem concordar em manter:

Os irmãos e irmãs devem se reunir pelo menos três ou quatro vezes por semana, para se exercitar [102] no ensinamento de Cristo e seus apóstolos e cordialmente exortar uns aos outros para permanecerem fiéis ao Senhor, como prometeram.

Quando os irmãos se reunirem, devem trazer algo para ler juntos. [103] Aquele a quem Deus deu melhor compreensão deve explicar, [104], os outros devem prestar atenção e ouvir, de modo que não hajam dois ou três travando uma conversa privada, incomodando os outros. O Saltério deve ser lido diariamente em casa. [105]

Que ninguém seja leviano na igreja de Deus, nem em palavras nem em ações. A boa conduta deve ser mantida por todos e também perante os pagãos. [106]

Quando um irmão vê seu irmão cometer um erro, ele deve adverti-lo de acordo com o mandamento de Cristo [107] e repreendê-lo de uma forma cristã e fraterna, pois todos estão vinculados e obrigados a fazer por amor.

No conjunto dos irmãos e irmãs desta congregação ninguém terá alguma coisa própria, mas, como os cristãos no tempo dos apóstolos terão tudo em comum e, especialmente, armazenados num fundo comum do qual pode-se ajudar os pobres, de acordo com a necessidade de cada um, [108] e, como no tempo apóstolos, não permitir que nenhum irmão passe necessidade.

Toda glutonaria deve ser evitada entre os irmãos que estão reunidos na congregação; sirva uma sopa ou um mínimo de vegetais e carne, pois comer e beber não é o reino dos céus. [109]

A Ceia do Senhor deve ser realizada sempre que os irmãos se reunirem, [110], anunciando a morte do Senhor, e assim instando cada um a relembrar como Cristo deu a Sua vida por nós e derramou seu sangue por nós, para que possamos também estar dispostos a dar o nosso corpo e nossa vida por amor de Cristo, o que significa pelo bem de todos os irmãos.

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Conclusão (Bênção)

Queridos Irmãos e Irmãs no Senhor: estes são os artigos que alguns irmãos previamente entenderam de modo errado, diferente do verdadeiro significado. Assim muitas consciências fracas ficaram confusas, pelo fato do nome de Deus ter sido caluniado foi necessário chegarmos a um acordo [95] no Senhor. A Deus seja dado o louvor e a glória!

Agora que você compreendeu plenamente a vontade de Deus revelada por nós neste momento, você deve realizá-la com convicção, persistência e fidelidade. Para que você saiba bem qual a recompensa do servo que conscientemente peca.

Tudo que você fez inadvertidamente e que agora confessa ter agido injustamente está perdoado. Nessa reunião com fé suplicamos, por causa de todas nossas faltas e culpas, pelo gracioso perdão de Deus, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Afaste-se de tudo que não se enquadre na simplicidade da verdade divina que foi declarada por nós nesta carta em nossa reunião, de forma que todos possamos ser governados pela regra da proibição, para que daqui em diante a entrada de falsos irmãos e irmãs entre nós possa ser prevenida.

Afastem-se de tudo que é mau, e o Senhor será seu Deus, e vocês serão Seus filhos e filhas. [96]

Queridos irmãos, lembrem-se do aviso que Paulo deu a Tito: [97] "A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nessa era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras". Pensem nisto, e coloquem isso em prática, e o Deus de paz estará com vocês.

Que o nome de Deus seja sempre e grandemente bendito e louvado, Amém. Que Deus possa lhe dar-lhe Sua paz, Amém.

Schleitheim, dia de São Mateus, [98] 1527.

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Introdução de John Howard Yoder, em
The Legacy of Michael Sattler, Classics of the Radical Reformation, Vol. 1, Herald Press, 1973



No começo de 1527 o movimento dos Irmãos Suíços corria sério perigo de desintegração. A repressão pelos protestantes alcançara pela primeira vez o nível da pena de morte, com a execução de Felix Mantz em Zürich, em 5 de janeiro. No Leste da Suiça, onde o movimento alcançara uma onda inicial de sucesso popular, foi duramente esmagado cidade de St. Gall, mas as autoridades continuaram tendo dificuldade na zona rural circunvizinha, especialmente no cantão de Appenzell onde a combinação de pressão governamental, liderança inadequada, e o fermento socioeconômico daquele tempo conduziu enormemente para a desordem que Conrad Grebel provavelmente estava tentando controlar quando morreu doente no verão de 1526. Strasbourg era o lugar onde havia maior probabilidade de abertura para um entendimento, ou pelo menos a possibilidade de alcançar um contínuo diálogo entre os anabatistas e a Reforma oficial; mas esta possibilidade teve que ser abandonada após a visita de Sattler a Strasbourg. [1]

Strasbourg foi a melhor e também a última chance para estabelecer um acordo sério com os "líderes" do Movimento da Reforma. Entre os principais reformadores, Martin Bucer foi o mais dotado de espírito ecumênico e pastoral, Capito era mais aberto a idéias radicais, e o governo de Strasbourg era mais cauteloso e tolerante. Quando as conversações se romperam lá, quase dois anos depois da primeira fratura em Zürich, ficou definitivamente claro que o anabatismo teria que seguir em frente sozinho, não apenas nos territórios que permaneceram estritamente católicos, mas em todos os lugares.

Isto marca o fim do investimento de Sattler nas "relações intereclesiásticas". Ele abandonou o esforço para convencer os líderes reformadores; ao mesmo tempo em que abandonou a possibilidade de estender seu movimento nos territórios protestantes onde seria um tanto mais fácil (devido à corrente simpatia pelas suas preocupações) e mais seguro (devido à perseguição ligeiramente mais moderada). Dali em diante ele atuaria nas cidades menores da Floresta Negra. Parte desta área era controlada pela soberania austríaca (ou seja, fielmente católica), sob a administração de Statthalter de Ensisheim da Austria, e sob o controle dos aliados e vassalos da Áustria, como Count Joachim von Zollern de Hohenberg, que veio a ser o juiz de Sattler.

Esta área de zona rural católica, sem cidades proeminentes entre Ulm e Freiburg ou entre Tübingen e Schaffhausen, poderia ser qualificada como o polo crescente do movimento dos Irmãos Suíços. No triângulo Schaffhausen/Waldshut/Zürich cujo território cruzava com a ala sulista, Sattler e Wilhelm Röubli/Reublin foram os únicos líderes proeminentes nesta primeira fase.

Sattler tinha muita consciência do pouco tempo que dispunha para consolidar o movimento que plantara. Da mesma maneira que o período de outubro a dezembro de 1523 marcou a primeira autoconsciência dos radicais de Zürich e o período de dezembro de 1524 a janeiro de 1525 abriu a primeira violação formal, o início de 1527 deve ser reconhecido como a maturidade de um companheirismo distinto, visível com uma responsabilidade de longo alcance pela sua ordem e pela sua fé.

A pressão do exterior, a confusão no interior, a falta de influência diretiva (que nunca era especialmente clara ou determinante) dos fundadores de Zürich, e a crescente percepção de que em vez de aceitar uma visão de renovação difusa o jovem movimento teria que aceitar uma continua separação combinada com uma identidade sofredora, para possibilitar a afluência de todo movimento para fora do solo.

Foi esta necessidade que gerou o encontro de Schleitheim. Nada sabemos sobre como a reunião foi convocada, sobre o que precisamente fez com que ela fosse realizada naquele momento, ou quem participou. A tradição aponta Michael Sattler como a liderança espiritual na reunião, e o autor do documento reproduzido acima, tão difundido quanto confiável, [2] embora nenhuma das primeiras tradições tenha emitido relatos de testemunhas oculares. Esta tradição é confirmada por paralelos óbvios entre o pensamento e fraseado de Schleitheim e outros documentos definitivamente reconhecidos como escritos por Sattler.

Os Sete Artigos que são o coração do texto, foram presumivelmente discutidos, reescritos, e aprovados no curso da reunião. Aqui a contribuição de Sattler pode ter sido alguma elaboração antes da reunião. Os Sete Artigos são encaixados em uma carta escrita na primeira pessoa, depois da reunião, que presumivelmente saiu completamente da caneta de Sattler.

Os pesquisadores durante algum tempo divergiram sobre qual seria o foco primário desta reunião. Jan Kiwiet expressou o forte argumento de que o foco polêmico primário estava relacionado às ameaças ao movimento anabatista, representadas pelas mentes de homens como Hans Denck na Alemanha, com sua crítica à rigorosa disciplina do movimento irmãos suíços. [3] A força dessa interpretação não reside nos Sete artigos em si, mas na carta de apresentação, e no espírito de alguns dos outros escritos dessa coleção [4].

Outra interpretação começa com a observação de que, diferindo de um credo ou catecismo equilibrado, Schleitheim destaca pontos onde os irmãos diferiam do resto do Protestantismo. Foi, assim, um manual do homem comum de distintos anabatistas. Esta interpretação é fundamentada pelo conteúdo dos próprios Sete Artigos, que circulou freqüentemente sem a carta de apresentação. Este foi o modo como este texto foi compreendido pelos Reformadores [5] e é apoiado hoje por Beatrice Jenny. [6]

O presente editor não vê nenhuma real necessidade de escolher entre as duas interpretações. Se houvesse pessoas competindo pela liderança dentro do jovem movimento anabatista, a direção mais óbvia que seguiriam, em conflito com a orientação fixada pelos iniciantes de Zürich e por Michael Sattler, tenderia para uma espiritualização das distintas congregações anabatistas visíveis, com o efeito de maior subserviência, pelo menos superficialmente, para com as autoridades da igreja estatal, e maior conformidade para os padrões de comportamento que eles requeriam. Os documentos posteriores nesta coleção confirmam que o traço do "falso profeta" e do "mal-feitor" é a participação em encontros que justificam a igreja estatal. [7] Até mesmo a antinomiana "liberdade carnal" dos que defendiam que a pessoa que está em Cristo pode fazer qualquer coisa sem dano [8] para sua fé, pode ser aplicada a argumentos em conformidade com a igreja estatal, sobre externalidades como embriaguez ou relações sociais desordenadas. A idéia de que sendo crente a pessoa pode fazer qualquer coisa sem nenhum dano para sua fé não foi uma invenção peculiar e licenciosa de algum anabatista marginal; foi (pelo menos de acordo com a interpretação da mente popular) mais uma das elaborações da pregação luterana se adequando aos desejos dos ouvintes. [9]

Não há nenhuma razão para decidir por um dos dois argumentos acima. [10] A evidência clara que distingue o movimento dos Irmãos Suíços das igrejas protestantes e católicas foi a sólida defesa contra a confusão e propósitos dúbios nas fileiras das irmandades que começavam a tomar forma como um movimento autônomo.

A importancia estratégica da realização de Schleitheim é bem demonstrada pela circulação rápida e ampla de seu texto. Zwinglio recebeu sua primeira cópia em abril pelas mãos de Johannes Oekolampad em abril, o qual, por sua vez, a recebera de Johannes Grell, um pastor do interior perto de Basel. Logo ele recebeu outra cópia de Berchtold Haller em Berna. Esta cópia fora obtida pela polícia de Berna no curso de uma investigação nas casas, na trilha de um esforço de quatro anabatistas para conversar com Haller. Haller chamou-a de "seus objetivos e razões". Zwinglio respondeu imediatamente com uma refutação. [11] até Zwinglio escrever seu Elenchus pelo verão daquele ano, ele já tinha em mãos quatro cópias diferentes que chegaram a ele de muitas fontes diferentes. Inspecionamos acima [l2] o número de reimpressões e traduções com a União Fraterna, juntamente com alguns dos outros materiais seguintes, comparando-os a estes panfletos foi o texto de Schleitheim que apareceu primeiro e que deu seu nome à página que titula a coleção inteira.

De acordo com Zwinglio, "não há quase ninguém entre vocês que não tenha uma cópia de seus mandamentos tão bem fundamenados". [13] Calvino descreve o esboço como "sete artigos aos quais todos anabatistas aderem em comum. . . o qual eles asseguram ser uma revelação que desceu do céu". [14] A autoridade que veio ser designada aos Sete Artigos dentro do movimento anabatista é demonstrada por um lado pela aceitação quase universal das posições que representa, visíveis até mesmo na repetição de frases e argumentos em documentos posteriores. Isso é especialmente verdadeiro com relação aos artigos VI e VII, sobre a espada e o juramento, e resulta em um número relativamente grande de uniformidade de posições anabatistas sobre estas questões dali em diante. [15] Algum tempo mais tarde, em 1557, na conferencia de Strasbourg, vemos a importancia da reunião sendo destacada referindo-se a um homem em cuja casa o acordo foi tirado. [16] O texto de Schleitheiltl também pode ser citado explicitamente. [17]

A base textual da presente tradução desenvolvida pelo Dr. Heinold Fast em sua edição de Täuferakten para a Suíça oriental, graciosamente nos foi passada antes de publicação. O esforço de submeter o texto original a uma conjetura crítica deve funcionar com quatro fontes: (a) o Elenchus de Zwinglio dentro do qual o texto é integralmente traduzido em latim com base nas quatro copias que Zwinglio tinha em mãos. Esta foi a base para as primeiras traduções em inglês. [18] (b) O manuscrito preservado no Berner Staatsarchiv, [19] reproduzido uma vez parcialmente por Ernst Mueller, der de Geschichte Bernischen, Fraueneld, 1895, Taufer, 38 ff., e mais completamente mas ainda não com precisão completa (cf. Fast), por Beatrice Jenny, Bekenntnis. Há boas razões para acreditar que este foi um dos quatro textos que Zwinglio teve acesso, mas nem sempre coincide com a tradução latina dele e alguns vezes a outra leitura refletida nas traduções dele parece preferível. (c) A primeira impressão reproduzida por Bohmer em 1912. [20] (d) A primeira impressão reproduzida por Kohler em 1908. [21]

As duas primeiras impressões são bem parecidas. Elas foram a base para todas as impressões posteriores, para as traduções no francês e holandês, e para as cópias manuscritas preservadas pelos Irmãos Hutteritas e depois reimpressas por Wolkan, [22] Beck, [23] e Lydia Miiller. [24] A reimpressão de Kohler é a base da tradução inglesa extensamente usada por J. C. Wenger. [25]

Desde seu reconhecimento pelo historiador holandês, Cramer, talvez a primeira testemunha moderna a reconhecer o profundo significado de Schleitheim, comentários do texto e de sua importância passaram a ser frequentes. [26] Vários resumos da história do texto estão disponíveis. [27] Traduções modernas estão sendo desenvolvidas em inglês [28] e francês [29] e Heinold Fast publicou uma versão alemã moderna como também uma reedição do original. [3O]

Ao Entendimento Fraternal que nas duas gerações passadas vem sendo amplamente reconhecido como um marco teológico, nós juntamos outro texto que, na ocasião, pode ter sido igualmente significante. Este documento que fixa instruções relativas à ordem congregacional e à adoração estava circulando em 17 de abril de 1527, junto com o texto de Schleitheim, aparentemente na mesmo calhamaço do texto de Bern da União Fraterna. Portanto, deve ter sido juntado aos demais, na mesma época, em abril, no prazo de seis semanas do encontro Schleitheim. Há provas circunstanciais para ser considerado no contexto de Schleitheim e de Sattler. É o texto conhecido mais antigo sobre esse assunto, e ainda não publicado por completo.


Extraído de John Howard Yoder, Introduction to "The Schleitheim Brotherly Union," (Chapter 2), The Legacy of Michael Sattler, Herald Press, 1973, pp. 27-34.

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Ponto de vista de Jan Gleysteen

Schleitheim

No caminho da famosa Floresta Negra da Alemanha para a espetacular Catarata do Reno na Schaffhausen Suíça há um despretencioso vilarejo chamado Schleitheim. A maioria dos viajantes passam apressadamente por esse caminho preocupada com as grandes cenas à frente.

Para nós, a cidade e o nome de Schleitheim detem um maior interesse, pois foi aqui que, em fevereiro 1527 que ocorreu uma importante reunião dos anabatistas suíços e alemães. De acordo com tradição Michael Sattler pediu e presidiu a reunião. O jovem movimento anabatista corria o perigo de desintegrar-se sob a pressão da violenta perseguição de fora e da nítida diferença de opiniões de dentro.

No curso da assembléia as várias facções chegaram a um acordo e publicaram suas visões em um folheto chamado A União Fraternal (ou Acordo), uma confissão de fé.

Com este documento o livre e espiritual movimento dos Irmãos Suiços foi moldado em um ordeiro e bem organizado movimento. Se esta reunião não tivesse acontecido naquela época o movimento anabatista poderia ter morrido bem como a visão de seus líderes. Agora, os anabatistas tem uma plataforma para resistir à perseguição sangrenta das nações cristãs, à calúnia bem escrita de seus oponentes do clero e do estado, e ao desvio de fanáticos tentando usar o movimento para seus próprios fins.

Texto extraído e traduzido de Purpose, February 6, 1977, pp. 4-5.
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Notas de Rodapé


1. JF Gerhard Goeters, (Ludwig Hatzer, espiritualista e Antitrinitariano, 1957, p. 94), defende a hipótese de que, quando esteve em Estrasburgo, Sattler ainda tinha alguma esperança de trabalhar junto com Bucer e Capito, ou seja, de conquistá-los e conduzir o movimento de reforma in loco em direção ao Anabatismo. Goeters sublinha que os vinte artigos de Estrasburgo diferem dos sete artigos de Schleitheim, principalmente porque os de Estrasburgo não reconhecem a necessidade de um gabinete pastoral, enquanto Schleitheim reconhece. Isso sugere que até o início de 1527 ainda havia esperança de acordo com os reformadores.

2. O testemunho mais antigo que explicita essa tradição está em um documento de Leopold Scharnschlager que cita o artigo VI sobre o governo (ARG, 1956, p. 212). Ver também H. Stricker, MGB, 21, 1964, p. 15.

3. Ian Kiwiet, Pilgram Marpeck, Kassel, 1957, pp. 43FF.; Cf. também Huntston George Williams, The Radical Reformation, Filadélfia, 1962, p.182, cf. abaixo p. 48, nota 33.

4. Veja abaixo pp. 126 e ss.

5. "Em Sete Artigos eles resumiram o que é contrário tanto a nós como aos papistas. . ." Calvin, Brieve Instruction, op. cit., p. 44.

Assim, foi muito adequado a Calvino tomar este texto como esboço de sua própria refutação. Zwinglio igualmente considera os sete artigos um esquema mais adequado para refutação, imediatamente após o recebimento do primeiro manuscrito de Berchtold Haller de Berna, ele respondeu longamente com uma carta, respondendo ponto por ponto, em 28 de abril de 1527 (Z, vol. IX, carta n º 610, p. 108), novamente o uso dos sete artigos em Zwingli's Elenchus testemunha seu caráter representativo. Não pretendemos aqui entrar no mérito destas refutações pelos Reformadores ou das diferenças entre eles, mencionamos aos textos de Zwinglio e Calvino apenas como elementos auxíliares na crítica textual.

6. Beatrice Jenny, Das Schleitheimer Tauferbekenntnis, Thayngen, 1951, p. 39.

7. Veja abaixo especialmente pp. 60, 127 e ss.

8. A ênfase é evidente especialmente nos parágrafos introdutórios da carta de cobertura de Michael Sattler. A referência a uma preocupação semelhante pode ser vista também nas negociações posteriores (abaixo pp. 108 ss). 149.170.172).

9. Zwinglio aponta para o mesmo perigo em seu posicionamento de dezembro de 1524, "Wer gibt Ursache zu Aufruhr" (Z, Ill, pp. 374 ss). A principal fonte de instabilidade social, diz Zwinglio, vem daquelas pessoas que interpretam mal a pregação do evangelho como um afrouxamento da voz das exigências morais. Este tema mais tarde se tornaria uma das discordâncias candentes entre anabatistas e o clero protestante. (cf. Harold Bender, "Walking in the Resurrection", MQR, XXXV, abril de 1961, pp. 96 Se.). A popularidade de ética contextual no protestantismo americano na década de 1960 testemunha que tal posição é completamente impensável nos círculos protestantes.

10. Cf. abaixo nota 39 mais uma referência a este tema.

11. Cf. nota 5.

12. Note above survey of printing, 13 f.

13. Z, VI, pág. 106. O tratado principal dele, Contra Catabaptistarum Strophas Elenchus, "Refutation of the Catabaptists' Knaveries" (1527), foi a palavra final de Zwinglio sobre a questão anabatista, o único escrito latino dele neste assunto. Além dos Sete Artigos refuta também o "confutation booklet", escrito talvez por Conrad Grebel e especificamente dirigido contra o próprio Zwinglio (Yoder, Gesprache, pp. 91 se.). O Elenchus está disponível em tradução inglesa; veja debaixo na nota 28.

O termo catabaptist usado aqui predominantemente por Zwinglio foi pedido emprestado de Oekolampad, mas não pegou, sendo substituído progressivamente por anabatista. O prefixo alemão "wider" pode significar "contra" ou "re"; assim o widertauff do título pode suportar três ou quatro possíveis significados: (a) anti-batismo no sentido de ser praticado em oposição ao batismo infantil tradicional; (b) anti-batismo no sentido de ser uma perversão ou uma paródia do verdadeiro sacramento; (c) re-batismo; (d) poderia significar "imersão" e até mesmo (kata - também"meios" "abaixo" ou "debaixo de"). Assun parece ter sido compreendido por Oekolampad. O uso de Zwinglio de "kata" é pretendido por preservar a força da polivalência no singificado de certas palavras da lingua alemã, com o acento no sentido da perversão (vide b acima). Cf. nota extensa explicativa de Fritz Blanke, Z, que VI, pág. 21, nota I.

14. CR, XXXV, p. 54.

15. James M. Stayer que escreveu sobre essa temática em "The Doctrine of the Sword in the First Decade of Anabaptism", Cornell PhD dissertation 1964, dá grande atenção ao desenvolvimento cronológico, detalhando-o em períodos " antes e depois do impacto de Schleitheim".

Clarence Bauman, Gewaltlosigkeit 1m Tiiufertum, Leiden, 1968, qualifica Schleitheim como "o documento mais importante desde a fundação do anabatismo" (p. 45).

Hans J. Hillerbrand, Die Politische Ethik des Oberdeutschen Tiiufertums, Leiden/Koln 1962, e "The Anabaptist View of the State" (MQR, XXXIL April IQ58, pp. 83 If.), dá pouca atenção ao aspecto do desenvolvimento cronológico e destaca textos posteriores e mais longos.

16. Blaupot ten Cate, Geschiedenis der Doopsgezlnden in Groningen, emz. 1842, L pp. 258 If., and Hulshof, Geschiedenls van de Doopsgezinden te Straatsburg van 1525 tot 1557, Amsterdam, 1905, p. 229. Esta é parte de uma carta que descreve a conferência anabatista principal em Strasbourg em 1557, um dos marcos principais da relação entre os anabatistas do sul da Alemanha e os Menonitas do Países Baixos. A carta foi traduzida para o holandês antes de 1587, e só foi preservado naquela versão.

17. Cf. nota 2 acima.

18. Z, VI, pp. 107-155. Vide tradução abaixo na nota 28.

19. UP SO.

20. The print identified above 13 as A.

21. The print identified above 13 as B.

22. Rudolf Wolkan, Geschichtsbuch der Hutterischen Bruder, Vienna, 1918, p. 42.

23. Josef Beck, Die Geschichtsbucher der Wiedertiiufer. . . ,Vienna, 1883, pp. 41 ff.

24. Lydia Muller, Glaubenszeugntsse Oberdeutscher Taufsgesinnten, Leipzig, 1938, p.37.

25. Primeira impressão em MQR, XIX, No.4, outubro de 1945, pp. 247 ff., and then in Wenger's Doctrines of the Mennonites, Scottdale, 1952; reproduced from Wenger by Harry Emerson Fosdick: Great Voices of the Reformation, New York, 1952; John H. Leith, Creeds of the Churches, Garden City, 1963; and Robert L. Ferm, Readings in the History of Christian Thought, New York, 1964, pp. 528 ff.

26. "Desta forma tão breve, tão clara, tão facil de assimilar, eles prestaram um serviço aos anabatistas de seu tempo e do porvir, pelo qual eles não podem ser suficientemente gratos. Certamente eles fizeram o que fizeram com toda simplicidade de coração, sem idéias de conquista mundial. Eles foram dirigidos por nenhuma outra meta a não ser a responsabilidade para com a igreja deles, de acordo com o que Deus queria para ela. Eles realmente não tiveram nada para ver com ideais elevados; pois eles definiram regras, prescrições e proscrições por meio das quais a igreja presente poderia seguir em frente e continuar o que haviam começado. Assim eles executaram um bom trabalho no interesse de um futuro ao qual eles quase nem imaginavam. Eles trouxeram firmeza e definição no movimento espiritual no qual eles tinham sido colocados. Eles o salvaram do perigo de se tornar uns caos de instabilidade, confusão, e idéias obscuras, de grupos flutuantes, fomentados por dez das mais variadas tendências, principalmente contraditórias, ainda [fossem] na maior parte (nem sempre) pessoas bem-intencionadas. Através de sua formulação desenharam as fronteiras de seu movimento e tornou possível que um companheirismo integrado, uma organização, modesta como era, viesse a existir. Através da criação de tais formas sólidas para o cristianismo original, a irmandade deles, Sattler e os anciões da mesma categoria dele preservaram o movimento da desintegração, o que ajudou nos dias sombrios de perseguição sangrenta, e garantiu-lhe um futuro. Não há uma única característica da 'União Fraternal' que não seja encontrada novamente mais tarde nos Irmãos Menonitas. Dificilmente há uma frase que não se repita". Cramer, Berna, V. 1909, p. 593. A primeira declaração de Cramer sobre o significado do Schleitheim é encontrado em seu artigo Mennoniten em RPTK vol. XII, p. 600.

A nossa própria estimativa da importância da reunião foi primeiramente indicada, independentemente da Cramer, em Gesprache, pp. 98 f.: "Que isso pudesse acontecer, que no decurso de uma reunião homens pudessem mudar suas opiniões e chegar à unidade, não é apenas uma raridade impressionante na história da Reforma, é também o mais importante evento em toda a história do anabatismo. Se não tivesse acontecido, o anabatismo de Grebel, Blaurock, Mantz e Sattler, teria morrido junto com seus fundadores. Mas assumiu uma forma viável e assumiu condições de resistir à licenciosidade dos fanáticos, a coação dos governos cristãos e o poder de persuasão dos pregadores".


Uma conclusão muito semelhante é feita por W. Kohler: "Não menos importante, o significado dos artigos Schleitheim foi a criação de uma ordem para as pequenas comunidades, que, em sua luta contra a igreja estabelecida poderia facilmente desintegrar-se na anarquia e no fanatismo". Flugschrlften, p. 285. Na ocasião da inauguração de um monumento a Sattler em 1957 na igreja da aldeia em Rottenburg, Dean N. van der Zijpp, então decano dos historiadores menonitas europeus, disse: "Sattler, como Menno Simons, não foi fundador, mas sim organizador dos anabatistas. Para ambos foi necessário liderar um movimento espiritual, vivo, fervoroso, profético, efervescente, para o caminho de uma igreja organizada. Para um movimento espiritual, como aquele em Zurique, em 1525-1526, não poderia continuar sendo 'movimento' se não estivesse disposto a enfrentar o perigo para não acabar em um grande mar de fanatismo. Sattler sabia muito claramente: o movimento tinha que ter forma, e ele lutou por uma forma que fixaria limites e ao mesmo tempo preservaria a liberdade. Ele escolheu como slogan 'a esgrima das Escrituras Sagradas', da mesma maneira que Menno Simons enfatizou o valor do texto bíblico, posteriormente. Esse, talvez, também corre perigo. Mas onde está o evangelho de Jesus Cristo estaria perfeitamente seguro entre nós, homens da terra?


"A ação de Sattler, como posteriormente a de Menno Simons, fixou o movimento anabatista em uma pedra sólida, sim, salvou a igreja". (Das Evangelium von Jesus Christus in der Welt:Vortrage und Verhandlungen der Sechsten Mennonitischen Weltkonferenz, Karlsruhe, 1958, p. 340).

27. Friedmann, op clt., "The Schleitheim Confession. . ." p. 82 If. Wenger, op clt., "The Schleitheim Confession of Faith" p, 243 ff. Fritz Blanke, "Beobachtungen zorn Altesten Tiiuferbekenntnis," ARG, XXXVII, 1940, pp, 242 If. ME, Vol. I, p. 447.
Heinrich Bohmer, Urkunden zur Geschichte des Bauemkrieges und der Wiedertaufer, De Gruyter, Berlin, 1933, pp, 25 If.

28. Samuel Macauley Jackson que traduziu o Elenchus de Zwinglio em Selected Works of Huldreich Zwingli (Philadelphia and New York, 1001) pp. 123-258, também traduziu de segunda mão os Sete Artigos em inglês. Jackson desconhecia a existência do original alemão e a importância histórica do documento. Ele apenas recorreu ao texto como "a confissão dos batistas" de Bernese. Esta provavelmente foi a primeira tradução inglesa do texto, desde que Calvino publicou sua "A Short Instruction" em Londres em 1549, incluindo apenas fragmentos do texto de Schleitheim. W. J. McGlothlin estava mais atento que Jackson acerca do significado do original alemão mas ainda desavisado da existência de várias impressões no Século XVI, reproduziu a tradução "Bernese Baptist" conforme Jackson tinha apurado do Elenchus, em sua Baptist Confessions of Faith, Philadelphia, 1911, pp. 3 If., de onde foi tomado por Wm. Lumpkin, Baptist Confessions, 1959, 22 ff.. A tradução por Wenger (veja nota 25) que em muito contribuiu para alertar os pesquisadores americanos sobre o significado de Schleitheim é o única tradução moderna antes da presente reedição.

29. Pierre Widmer and John Yoder, "Princlpes et Doctrines Mennonites," Brussels and Montbeliard, 1955, pp. 49-55.

30. Heinold Fast, Der linke Flugel der Reformation; Klassiker des Protestantismus, Band IV; Sammlung Dietrich, Bremen, 1962, pp. 60 If. Fast preparou também, a reedição definitiva do texto original, mencionada em Band II (Ost-Schweiz) de Quellen zur Geschichte der Taufer in der Schweiz, Zwingli-Verlag, Zürich, editors L.von Muralt and H. Fast.

31. Um conceito significativo no pensamento de Michael Sattler é o do Vereinigung, que, de acordo com o contexto, ser pode ser traduzido de muitas maneiras diferentes, no título o que significa "União", aqui na saudação pode ser traduzido mais naturalmente por "reconciliação" ou "expiação", mais tarde, no texto, na forma passiva do particípio, significa "ser conduzido à unidade". Assim, a mesma palavra pode ser utilizada para a conciliação na obra de Jesus Cristo, para o procedimento pelo qual os irmãos chegam a um pensamento comum, para o estado de concordância em que se encontram, e para o documento que determina o acordo a que chegaram. H. Fast sugere que aqui, em conexão com "o sangue de Cristo", o significado pode ser "comunhão"; conforme 1 Cor, 10:16.

32. Ou, literalmente, "ordenado"; a proposição de J. C, Wenger, "se espalhou por todos os lugares conforme ordenado por Deus, nosso Pai" é uma boa paráfrase se "ordenado" puder ser entendido sem conotação sacramental ou predestinativa.

33. Este termo "estrangeiros" foi interpretado por Cramer Berna, 605, nota 1, em um sentido geográfico ou político, referindo-se a não-suíços. Kiwiet, op. CLT., p. 44, concebe o mesmo significado mas vai mais longe dizendo que os anabatistas suíços quebraram a comunhão com os alemães. Mas esse entendimento é impossível por várias razões:

Em 1520 não era tão forte assim o senso de identidade nacional, dividido em claras linhas geográficas; Sattler e Reublin, líderes na reunião, não eram suíços;

Os libertinos a que Schleitheim se referia, embora Denck (ou Bucer) pudessem ser incluídos, eram (se anabatistas) certamente em sua maior parte suiços, ou seja, os entusiastas de St. Gall (H. Fast "Die Sonderstellung Taufer der em St. Gallen e Appenzell, "Zwlngllana XI, 1960, pp. 223ff.), e Ludwig Hatzer.

Este termo tem uma referência bem diferente, é uma alusão a Efésios. 2:12 e 19, comprovando o efeito conciliador do Evangelho em homens anteriormente alienados pela incredulidade.

34. "Dirigir" e "ensinar" têm como objeto "o mesmo", isto é, a "obra de Deus parcialmente iniciada em nós". paráfrase de Wenger, "dirige a mesma e (nos) ensina" é mais suave, mas enfraquece a imagem impressionante da "obra de Deus" no homem que pode ser "parcialmente iniciada", "proclamada", "dirigida" e "ensinada". Há, no entanto, motivo para Bohmer conjecturar que originalmente pode ter sido usada a palavra keren (guiar) ao invés de leren (ensinar).

35. "Langer Randen" e "Hoher Randell, são colinas com vista para Schleitheim e não, como um leitor moderno poderia pensar, uma referência ao fato de Schleitheim ser próxima da fronteira (no mundo político contemporâneo).

O original diz "Schlaten am Randen". Uma meia dúzia de aldeias no sul da Alemanha suportará nomes como Schlat, Schlatt, ou Schlatten. Uma delas, perto de Engen em Baden, também é identificada como "am Randen", e até recentemente alguns acreditavam ser ali o local de origem dos sete artigos. As provas, agora geralmente aceitas, com relação a Schleitheim perto de Schaffhausen, são facilmente encontradas:

JJ Riiger, um cronista de Schaffhausen, escrevendo por volta de 1594, identifica Schleitheim com os sete artigos. No dialeto local, o equivalente a "ei" no modemo alemão é longo como em Schlaten, ao passo que em outras aldeias Schlatten ou Schlat tem um "a" curto; Sendo sujeita a jurisdições sobrepostas e, portanto, difícil para a polícia, com Klettgau e Schleitheim em sua borda, era relativamente segura e acessível para os anabatistas e, assim, mais um ponto de encontro ligando os principais centros na Alemanha, e no sudoeste e nordeste da Suíça. Esta foi a primeira área onde W. Reublin, amigo de Sattler, esteve ativo após sua expulsão do Zurique no início de 1525. Esta situação jurídica continuou ao longo do século; O prof F. Blanke analisa a questão do lugar em Z, VI, pp. 104 f.; também o faz Werner Pletscher, "Wo entstand das Bekenntnis von 1527?" MGB, V, 1940, pp. 20 f.

36. Segundo Bohmer, uma linha de impressão foi deslocada na impressora. O texto parece dizer literalmente, " fomos montados em pontos e artigos". O verbo aqui é novamente "verelnlgt". Na tradução de Wenger, "somos uma só mente permanecendo no Senhor" é a melhor paráfrase, mas sacrifica a construção passiva verbal que é importante para o escritor. "Os pontos e artigos" podem muito bem permanecer no resto da frase, no texto original: "fomos unidos em pontos e artigos" ou "manter-se firme no Senhor nestes pontos e artigos".

37. Começando com os parênteses "(louvor e glória a Deus somente)", as frases de encerramento do presente número não se refere simplesmente a uma determinação comum para ser fiel ao Senhor, mas muito mais especificamente à experiência real em Schleitheim e o sentido de unidade (Verelnlgung) que os membros portaram no decorrer da reunião. "Todos os irmãs sem contradição" é a descrição formal e "completamente em paz" é a definição subjetiva deste senso de orientação do Espírito Santo. Zwinglio considerou a menção "nós viemos juntos" como a prova de culpa, sectarismo e do caráter conspiratório do anabatismo (Elenchus, Z, VI, p. 56).

38. 1 Coríntios. 14:33.

39. Ds. HW Meihuizen respondeu recentemente com grande eficácia a questão: "quem eram os 'falsos irmãos', mencionados nos artigos Schleitheim?" (op. CLT., pp. 200 e ss.). O método de Meihuizen coloca na cena da Reforma anabatistas de todos os matizes, bem como reformadores, especialmente aqueles em Estrasburgo que Sattler havia deixado recentemente. Comparando as posições teológicas conhecidas destes homens com as declarações de Schleitheim, Meihuizen conclui que Schleitheim deve ter sido dirigida contra Denck, Hubmaier, Hut, Hiitzer, Bucer e Capito. É possível concordar com esta descrição das posições em questão, sem ser convencido que a reunião era claramente dirigida contra alguns homens em particular que especificamente não foram convidados. Se há alguém se enquadra aí, este provavelmente seria Hiitzer com quem Sattler estivera há pouco em Strasbourg, e que era o único deles que poderia ser acusado de tendências libertinas. Para o presente propósito, ou seja, a fim de compreender o significado deste documento, basta ser claro a partir da evidência interna (de acordo com Meihuizen):

Que algumas pessoas previamente ligadas a algumas das posições condenados estavam presentes em Schleitheim a fim de serem participantes do evento e de "serem trazidos à unidade", os "falsos" irmãos mencionados na carta secreta não eram apenas os Reformadores do estado-igreja, pelo menos alguns deles estavam dentro do Anabatismo;

Que a ênfase maior nos sete artigos recai sobre os pontos de separação teológica final da reforma: o batismo, a relação entre a proibição e a ceia, a espada, e o juramento. Aqui a lista é tão paralela ao documento a partir de Estrasburgo, que se supõe que Sattler possa ter desenvolvido seu esboço quando ele ainda estava em Estrasburgo;

Que, na justaposição da carta de apresentação e os sete artigos, Sattler afirma uma articulação interna entre as posições dos anabatistas marginais e espiritualistas, que diferia das de Zürich Schleitheim, e dos reformadores evangélicos.

40. H.W. Meihuizen lê a frase "para sua própria condenação" no sentido de que a assembléia Schleitheim tomasse medidas para excomungar os libertinos aos quais o texto se refere. "The Concept of Restitution in the Anabaptism of Northwestern Europe", MQR, vol. XLIV, abril 1970, p. 149. Isso não é possível. O verbo "ergeben" refere-se ao abandono à lascívia libertina, não à ação anabatista. Para que a interpretação de Meihuizen prevaleça deve-se omitir os parênteses presentes no original.

41. "Glieder" (membros) em alemão tem apenas o significado relacionado com a imagem do corpo, o tom de "pertinência" de um grupo, o que torna a frase "os membros de Deus" incomum em português, não está presente no original.

42. Gal. 5:24.

43. O uso da primeira pessoa do singular aqui é a demonstração de que a carta de apresentação foi escrita, provavelmente após a reunião, por um indivíduo.

44. Esta é a conclusão da carta introdutória e do estilo epistolar. A "carta de apresentação" não está no manuscrito de Berna, e os sete artigos provavelmente circularam na maioria das vezes sem ela.

45. Com uma exceção, cada artigo começa com a mesma utilização da palavra "vereinigt" como particípio passivo, a qual nós reproduzimos assim literalmente como uma lembrança do significado de "Vereinigung" para Sattler.

46. Aqui a versão impressa identifica as seguintes passagens das Escrituras (dando apenas o número do capítulo): Mt. 28:19; Mc. 16:6; Atos 2:38, Atos 8:36, Atos 16:31-33; 19:4.

47. Nachwandeln, a andar depois, é a aproximação mais íntima do texto de Schleitheim ao conceito de discipulado (Nachfolge), que mais tarde se tornou especialmente corrente entre os anabatistas.

48. Duas interpretações desta frase são possíveis. "Ser flagrado inadvertidamente" poderia ser uma descrição de cair em pecado, em paralelo com a anterior expressão "de alguma forma escorregar e cair". Isto significa que o pecado é para o discípulo de Cristo, em parte, uma questão de ignorância ou desatenção. Cramer, Berna, p. 607, nota 2, e Jenny, p. 55, busca explicar que todo o pecado é de alguma forma involuntário, isto é, que, no momento da decisão o pecador é enganado e não está plenamente consciente da sua gravidade. Calvin (por alguma razão baseado na tradução francesa) explica essa passagem dizendo que os anabatistas diferenciavam pecados perdoáveis e imperdoáveis, com apenas os inadvertidos sendo motivo da preocupação conciliadora da congregação. Ou a referência pode estar ligada à maneira como a pessoa culpada foi descoberta.

49. A versão impressa insere "ou banido".

5O. Esta referência a Mt. 18 é a única referência na Escritura aos primeiros textos manuscritos. "Regra de Cristo" ou "Comando de Cristo" é uma designação comum para este texto, Cf, J. Yoder: "ligar e desligar". Concern 14, Scottdale, 1967, esp. pp. 15. Se, outras citações das Escrituras identificadas nas notas de rodapé não estão marcadas no texto, a citação abundante da linguagem bíblica sem interesse em indicar a fonte da citação é uma indicação da fluência com que os anabatistas manejavam o vocabulário bíblico e é, provavelmente, provavelmente também é uma indicação de que eles pensavam nesses textos enquanto expressão de uma verdade significante em vez de "textos de prova".

51. Neste ponto, Walter Kohler, o editor da versão impressa, sugere a passagem de Mt. 5:23. Se "a ordenação do espírito" refere-se especificamente a "antes de partir o pão" e significa apontar para um texto da Escritura, esta poderia ser uma provável; ou 1 Coríntios 11 poderia ter sido aludida, mas "ordenação do espírito" não é a maneira usual com que os anabatistas se referem a uma citação da Bíblia, a frase pode significar também um convite a uma atitude pessoal e flexível, guiada pelo Espírito Santo, na ênfase pela reconciliação.

52. Este é o único ponto em que a palavra "vereinigt" não é utilizada no início de um artigo, presumivelmente porque ocorre mais tarde na mesma frase.

53. Vereinigt: aqui a palavra não tem nenhum dos sentidos detalhados acima, mas aponta para outro, para a obra de Deus na constituição da unidade da Igreja Cristã.

54. 1 Coríntios 10:21, alguns textos tem aqui "São Paulo".

55. A maior parte do debate ecumênico sobre a validade dos sacramentos focaliza tanto o status sacramental do oficiante como o entendimento doutrinário do significado dos emblemas. Convém salientar que a compreensão dos anabatistas da comunhão não se refere ao sacramento mas aos participantes. Não é invalidada por um oficiante não autorizado ou por um conceito insuficiente sobre o sacramento, mas pela ausência de uma verdadeira comunhão entre os presentes.

56. Observe a mudança de "mundo" para "eles". "O mundo" não é discutido independente das pessoas que constituem a ordem regenerada.

57. 2 Cor.6: 17.

58. Rev. 18:4. Alguns textos lêem "que o Senhor pretende trazer sobre eles".

59. Vereinigt.

60. A versão impressa acrescenta "e fugir".

61. O prefixo mais amplo pode significar tanto "contra" como "pró" (o moderno wieder). Ambos os significados são obviamente aplicáveis tanto às igrejas da Reforma de Estrasburgo como às das cidades suíças, ambas são anti-papistas (tendo quebrado com a comunhão romana) e pró-papistas (tendo mantido ou reintegrado certas características do catolicismo). As traduções anteriores preferiram registrar como "papista e anti-papista", mas outra leitura traz uma maior agudeza de sentido, e é apoiada pela tradução de Zwinglio. Assim, a alegação de que as novas igrejas protestantes são em alguns pontos cópias do que havia de errado com o catolicismo é já um dado adquirido no início de 1527.

62. Gazendienst. O manuscrito de Berna e as primeiras impressões registram Gottesdienst ("adoração"); mas Zwinglio, que tinha outros manuscritos, traduziu como" idolatria". Uma vez que as duas palavras se referem à freqüência na igreja, "idolatria" é menos redundante. "Idolatria" era uma designação corrente em todo o movimento Zwingliano para com as estátuas e imagens no culto católico.

63. Ktlchgang, que literalmente significa freqüência à igreja, não tem dimensão de congregação para ele, mas refere-se a conformidade com padrões estabelecidos por todos aqueles que, embora talvez simpatizando com os anabatistas, ainda evitavam qualquer censura pública sendo vistos regularmente nos cultos da igreja estado.

64. O manuscrito de Berna registra "Bürgschaft", ou seja, uma garantia de segurança ou apoio a uma promessa, e pertence à esfera econômica e social. Se a "descrença" aqui se refere a uma falta de sinceridade, então as "garantias e compromissos de 'incredulidade' significaria questões como a assinatura de notas e hipotecas e depoimentos em questões de boa fé. Martinho Lutero declarou fortemente que tais garantias, mesmo em boa fé, eram não só imprudentes, como também imorais, uma vez que o fiador se coloca no lugar de Deus". ("Sobre o comércio e usura, 1524, em Works of Martin Luther, Muhlenburg, Filadélfia, 1001, vol. IV, pp. 9 Se. ). Seu argumento é, portanto, muito paralelo ao dos anabatistas sobre o juramento. Uma perspectiva mais provável é que "descrente" é sinônimo de "mundano", uma referência a guildas e clubes sociais. Zwinglio traduz com foedera, "convênios". Bullinger confirma essa interpretação por repreender os anabatistas quanto ao comprimento (Von dem unverschampten frafel..., Pp. Cxxi para cxxviii) pela sua oposição às associações e sociedades (pundtnussen gselschafften und), à concórdia e à amizade (Vertrag fruntschafft unnd) com os incrédulos, e à alegria temporal (Froud zytliche zymliche). O texto impresso mais tarde mudou para Bürgschaft Bürgerschaft (cidadania), que é menor, no lugar do art. IV. Em abril 1527 Zwinglio não tinha certeza do que aquilo significava, mas inclinou-se a "servir como fiador" (Z, IX, p. 112); em agosto, quando ele escreveu o Elenchus ele interpreta isso como "cidadania", talvez referindo-se aos anabatistas pela recusa em cumprir o juramento do cidadão. Mas se Bürgerschaft deve significar a cidadania, os "compromissos da incredulidade" ainda devem significar algum tipo de envolvimento, jurídica, econômico ou social com os infiéis (Z, VI, p. 121). Lc. 16:15, a referência a "abominações" pode ser aludida.

65. A versão impressa acrescenta: "sem dúvida".

66. A versão impressa consta "e anticristão".

67. Mt. 5:39.

68. 1 Tm. 3:7. Os intérpretes não são claros sobre onde repousa o foco do art. V. Seu primeiro impulso é proclamar o pastor como uma pessoa moralmente digna, ou seja, há uma crítica à prática de nomear-se em razão de sua educação ou conexões sociais sem levar em conta sua estatura moral. A tradução de Zwingli move o foco por traduzir "o pastor deve ser um da congregação", ou seja, não alguém de outro lugar. Era do conhecimento de Zwinglio que os anabatistas rejeitavam a nomeação de um ministro de uma paróquia para o conselho de uma cidade distante, e ele deixou tal conhecimento influenciar sua tradução.

69. A versão impressa acrescenta, "para conduzir os irmãos e irmãs em oração, para começar a partir do pão...."

70,1 Coríntios. 9:14.

71. A mudança no número aqui de "pastor" para "se eles pecarem" é explicada pelo fato dessa frase ser uma citação de 1 Tm. 5:20.

72. "Cruz" é já por esta altura um clichê muito claro ou "termo técnico" designativo de martírio.

73. Talvez "instalado" seria menos inclusivo ao mal sacramental. Verordnet não tem nenhum significado sacramental.

74. "Lei" aqui é uma referência específica ao Antigo Testamento. Significativamente o verbo aqui não é verordnet mas apenas geordnet, transmitindo mais um sentido de permanência ou da instituição divina específica. Deve-se notar que em toda essa discussão "espada" refere-se à competência judiciária e policial do Estado, não há nenhuma referência à guerra no art. VI, há uma breve no IV.

75. "Sem a morte da carne" é uma leitura clara do manuscrito mais antigo. Zwinglio, no entanto, entendeu "em direção à entrada para a morte da carne", uma possível alusão a 1 Cor. 5; a diferença no original é apenas entre a e o.

76. Mt. 11:29.

77. In. 8:11.

78. Jn. 8:22.

79. Ltc:. 12:13.

80. Duas interpretações são possíveis para "não discernir a ordem de Seu Pai". Isso pode significar que Jesus não respeita, como sendo uma obrigação para ele, o serviço no estado no ofício de rei, embora a existência do Estado seja uma ordenança divina. O mais provável seria a interpretação que Jesus avaliou a ação das pessoas que queriam fazê-lo rei como não provocada (ordenada) por Seu Pai.

81. Mt. 16:24.


82. Mt. 20:25.


83. Rom. 8:30.


84. 1 Ped. 2:21.


85. Fil. 3:20.


86. Aqui a versão impressa acrescenta Mt. 12:25: "Pois todo reino dividido contra si mesmo será destruído". A referência se solidariza com Cristo como Cabeça ecoa diretamente os pontos 4 e seguintes da carta de Estrasburgo.


87. Mt. 12:25.


88. Mt. 5:34-37.


89. Heb. 6:7 ss.


90. Mt. 5:35.


91. A tradução de Zwinglio contem um argumento aqui: "Se é ruim jurar, ou até mesmo usar o nome do Senhor para confirmar a verdade, então os apóstolos Pedro e Paulo pecaram, porque juraram".


92. Lc. 2:34.


93. A diferença entre o "ensinado" e "diz que" está no original, que resulta do fato de as referências bíblicas estarem sempre no presente: "Cristo diz", Paulo diz", "Pedro diz".


94. Isto conclui o artigo Sete.


95. Vereinigt.


96. A segunda referência a 2 Coríntios. 6: 17.


97. Tit. 2:11-14.


98, 24 de fevereiro.


99. Este documento não tem título, o título escolhido aqui reflete o rótulo dado na (moderna) tabela de conteúdo do volume de materiais de arquivo UP 80 no Arquivo do Estado de Berna. Nenhuma tradução completa para o Inglês foi publicada; o texto foi desenvolvido por Delbert Gratz, Bernese anabaptists, Scottdale, 1953, p. 25, e por Robert Friedmann, MQR, 1955, p. 162. Jean Séguy publicou uma tradução e comentários no Cristo Seul (Jornal dos menonitas franceses) No.1 (p. 13) e N º 2 (p. 5), 1967. O texto parece ser idêntico a cópia dos sete artigos, de modo que pode-se presumir que circularam juntos e foram concebidos simultaneamente. (Cf. p. 32.)

100. Pode significar: "na providência de Deus, a Palavra é pregada para nós", segundo a qual "Ordnung" remete para as obras de Deus em realizar a Reforma e a pregação do evangelho, ou "a Palavra de Deus é pregada de acordo com o padrão divino", com a ênfase no redescobrimento do verdadeiro legado divino na ordem da igreja. O seguinte "segundo a qual" pode, portanto, se referir à pregação ou à ordem correta.


101. In 1. 2:8.

102. "Sich ben": talvez inclua um elemento de aprendizagem mecânica da narrativa do evangelho e do ensino, uma vez que a alfabetização e a posse de Bíblias era rara.

103. "Ler" inclui exposição. "Leituras" foi um dos primeiros nomes dados às reuniões de estudo realizadas em Zurique e St. Gall, antes da fundação das congregações anabatistas.

104. "Aquele a quem Deus deu o melhor entendimento deve explicar isso" pode significar que, para cada passagem em particular, quem entende o seu significado deveria falar. Então, teríamos um retrato de uma reunião com uma liderança assente, sem nenhum papel de controle por parte do "pastor" mencionado no Artigo V. Então, pode-se inferir, como faz Jean Séguy, que este texto testemunha um tempo antes das decisões de Schleitheim, quando congregações funcionavam sem um líder nomeado. É, no entanto, também possível que "aquele a quem Deus deu o melhor entendimento" possa ser um circunlóquio para um líder reconhecido espontaneamente no grupo local.

105. Esta "leitura" pode muito bem ser recitação mecânica. Esta referência ao Saltério é uma das raras referências anabatistas primitivas a exercícios devocionais não-congregacionais. Pode ser mais um traço (veja acima p. 23, nota 19) de uma herança do monasticismo.

106. 1 Tm. 2:8.

107. Mt. 18: IS, cf. nota acima.

108. O fundo comum é visto aqui como uma bolsa especial para necessidades específicas, não como um comunismo total de consumo, tal como foi estabelecido, não muito tempo depois na Morávia. É significativo que o anabatista não-huterita também considerasse seguir o exemplo econômico dos primeiros cristãos de Jerusalém.

109. Rom. 14:17. A suposição de que a congregação que se reúne freqüentemente em torno de uma simples refeição pode estar ligada a sua evasão de clubes sociais e corporações (acima, p. 38, art. IV.

110. A Ceia do Senhor, especificamente identificada como tal, é evidentemente distinta das demais refeições, embora ambas fossem praticadas tão freqüentemente quanto quando os irmãos se encontravam. (Cfr. Art. 1).



Endereço do texto original em alemão: http://www.museum-schleitheim.ch/bekenntnis/artikel1.htm


Em inglês:
http://www.mcusa-archives.org/library/resolutions/schleithiem/sword.html
http://www.cresourcei.org/creedschleitheim.html e
http://www.anabaptists.org/history/schleith.html


(*) Esta tradução está incompleta e longe de ser definitiva, portanto, qualquer contribuição dos leitores no sentido de melhorá-la será muito bem vinda.

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Texto original em alemão

Brüderlich vereinigung etlicher Kinder Gottes / sieben artikel betreffend.

Item, ein Sendbrieff Michaels Sattlers / an ein gemein Gottes / sampt kurzem / doch wahrhafftigen anzeig / wie er seine leer zu Rottenburg am Necker / mit seinem blut bezeuget hat Freud / fried / und barmherzigkeit / von unserem Vater / durch die vereinigung des blutes Christi Jesu / mit sampt den gaben des Geistes / der vom Vater gesend wird / allen Gleubigen zu sterke und trost / und bestendigkeit in aller trübsal / bis an das ende / Amen. Sey mit allen liebabern Gottes / und Kindern des Liechtes / welche zerstrewt sind / allenthalben / wo sie von Gott unserem Vater verordnet sind / wo sie versamlet seind einmütiglich / inn einem Gott unnd Vater unser aller / Genade und fried im Herzen sey mit euch allen / Amen.

Lieben in dem Herren / Brüder und Schwestern / Uns ist alwege zum ersten und fürnemsten angelegen / Ewer trost und versicherung eweres Gewissens / welches etwan verwirret was / da mit ir nicht immer als die auslendigen von uns gesondert würden / und schier vast ausgeschlossen nach billigkeit / sondern das ihr euch widerumb wenden möchten zu den waren eingepflanzten gliedern Christi / die da gerüstet werden durch gedültigkeit / und erkennung sein selbs / und also widerumb mit uns vereinbart würden in der krafft eines Göttlichen Christlichen Geists und eifers nach Gott.

Es ist auch offenbar / mit was tausent listigkeit der Teuffel uns abgewendet hab / damit er inen das werck Gottes / welches inn uns zum theyl barmherziglich und gnediglich angehebt ist worden / zerstöre unnd zu boden richt. Aber der trewe Hirt unser Seelen Christus / der solchs angehabé hat in uns / der wird dasselbe bis an das ende richten und leren / zu seiner ehr und unserm heil / Amen.

Lieben Brüder und Schwestern / wir / die da versamlet sind gewesen im Herrn / zu Schlaten am Randen / mit einander in stücken und artickeln / thun kunt allen liebabern Gottes / das wir vereinigt sind worden / So uns betreffen im Herre zu halten / als die gehorsamen Gottes Kinder und Söne und Töchtern / die da abgesondert sind / und sollen sein von der welt / in alweg thun und lassen / und Gott sey einig preis un lob / ohne aller Brüder widersprechen ganz wol zufrieden. In solchem haben wir gespüret die einigkeit des Vatters / und unsers gemeinen Christi / mit irem geist mit uns gewesen sein / Dann der Herr ist der Herr des friedes und und nit des zancks / wie Paulus anzeygt, Das ir aber verstanden /in was artickeln solchs geschehen sey /sollen ir mercken und versthon.

Es ist von etlichen falschen brüdern unter uns grosse ergernis ein gefürt worden / das sich etlich von dem Glauben abgewendedt haben / in dem sie vermeint haben / die freyheit des Geystes unnd Christi / sich uben unnd brauchen / solche aber haben gefehlet der wahrheit / unnd seindt ergeben worden (zu irem urtheil) der geylheyt unnd freyheyt des fleisches / und haben geachtet / der glaub und lieb mög es alles thun und leiden / und inen nichts schaden noch verdamlich sein / dieweil sie also glaubig seyen.

Merckent ir glieder Gottes in Christo Jesu / der glaub an himelischen Vater /durch Jesum Christum ist nicht also gestalt /wircket und handelt nicht solche ding / so diese falsche brüder und schwestern handelen und leren / hüten euch und seint gemant vor solchen / dann sie dienen nicht unserm Vater /sonder irem Vater dem Teuffel.
Aber ir nicht also / dann die da Christi seint / die haben ir fleisch gecreuziget mit sampt allen gelüsten und begierden / ir verstan mich wol / unn die brüder welche wir meynen / Absonderteuch von inen / denn die sie sind verkehrt. Bittend den Herren umb ire erkantnus zur busse / und uns umb bestendigkeit / den angegriffnen weg führt zu wandeln / nach der Ehr Gottes / und seines Sons Christi / Amen.

Die artickel so wir gehandelt haben/ unnd in denen wir eins worden / sein diese.
1.Tauff. 2.Ban. 3. Brechung des Brots. Absunderung von greweln. 5. Hirten in der gemeyn. 6. Schwert. und der 7. Eyd. Zum ersten / So mercked von dem Tauffe.

Der Tauff folg geben werden allen denen so gelernt seind die bus unnd enderung des lebens / unnd glauben in der warheit / das ire sünd durch Christum hinweggenomen seyen / un allen denen / so wöllen wandeln in der aufferstehung Jesu Christi / auff das sie mit im auffestehn mögen /und allen denen so es in solcher meynung von uns begeren und fordern / durch sich selbs. Mit dem werden ausgschlossen alle kinder tauff / des Bapsts höchste und erste grewel. Solches habt ir grund unnd zeugnus der Schrift / un brauch der Apostel / Matt. 27. Marc.16. Art.2. 8. 16. 19. Des wöllen wir uns eynfaltiglich / doch festiglich / halten und versichert seyn.

Zu andern / Seind wir vereiniget worden von dem Bann / also / Der Bann sol gebrauch werden mit allen denen / so sich dem Herrn ergeben haben / nachzuwandeln in seinen geboten / und mit allen denen / die in einem leib Christi getaufft sein worden / und sich lassen brüder oder schwester nennen / und doch etwan entschlipffen / unnd fallen in ein fal und sünd / und unwissentlich uber eilt werden. Die selben sollen vermant werden zum andernmal heymlich / und zum drittemal offentlich / vor aller gemeyn getrafft oder gebant werden nach dem befehl Christi / Matth. 18. Solches aber sol geschehen nach ordenung des Geist Gottes vor dem brotbrechen / damit wor einmütiglich und in einer liebe von eynem brotbrechen unnd essen mögen / unnd von eynem Kelch trincken.

Zum dritten / In dem Brodbrechen seind wir eynes worden und vereinbaret / Alle die ein Brodbrechen wollen / zur gedechtnus des brochnen Leibes Christi / Unnd alle die von einem tranck trincken wollen zu einer gedechtnus / des vergossenen blutes Christi / die sollen vorhin vereiniget sein in einem leibe Christi / das ist / in die Gemeine Gottes / auff welchem Christus das Haupt ist / nemlichen /durch den Tauffe / Dann wie Paulus anzeiget / so mögen wir nicht auff einmal teilhaftig sein des HERREN Tisch unnd der Teuffel Tisch / Wir mögen auch nicht auff einmal theilhfftig sein / und trincken von des HERRN Kelch / und des Teufels kelch / das ist alle die gemeinschaft haben mit den todten wercken der finsternus / die haben kein theil am liecht /also alle die dem Teuffel folgen und der welt / die haben kein theil mit denen die zu Gott aus der Welt beruffen seyn / alle die in dem argen ligen / die haben kein theil an dem guten.

Also auch sol und mus seyn / welchen nicht hat die beruffung eins Gottes zu einem glauben / zu einem Tauff / zu einem Geist / zu einem Leib / mit allen kindern Gottes gemein / der mag auch nit mit ein ein Brot gemacht werden / wie denn seyn mus / wo man das Brot in der warheit / nach dem befelch Christi brechen will.
Zum vierden / seind wir vereyniget worden von der absunderung. Sol geschehen von dem bösen und dem argen / das der Teuffel in der Welt gepflanzt hat / also /allein das wir nicht gemeinschaft mit inen haben / unnd mit inen lauffen in die gemenge irer greuweln / das ist also/ Dieweil alle (die nit getretten seyn / in die gehorsam des glaubens / und die gehorsam des glaubens / und die sich nicht vereynigt haben mit Gott / as sie seinen willen thn wollen) ein grosser grewel vor Gott sein / so kann und mag anders nicht von inen wachsen oder entspringen dann grewlich ding. Nun ist je nichts anders in aller creatur /dann guts und böses / glaubig unnd unglaubig finsternus unnd liecht / Welt / und die aus der Welt sind / Tempel Gottes und die Götzen / Christus und Belial / und keynes maf mit dem andern theyl haben.
Nu ist uns auch das gebot des Herrn offenbar / in welchem er uns heist abgesundert sein und werden von dem bösen / so wöl er unser Gott sein / und werden wir seine Söne und töchter sein..

Weiternvermant er uns daurmb von Babylon / und dem irdischen Egypto auszugon / das wir nicht auch theyhafftig werden irer qual / und leiden / so der Herr uber sie füren würt..

Aus dem allem sollen wir lerne das alles / was it mit unserm Gott unnd Christo vereyngt ist nichts anders sei / Dann die grewel / welche wir meiden sollen und fliehen. In dem werden vermeint alle Bepstlich unnd widerbepstliche werck / und Gottes dienste / versamelung / kirchgang / Weinheuser / Burgerschafften / und verpflichtung des unglaubens / unnd andere mehr der gleichen / die dann die welt für hoch helt / und doch stracks wider den befelch Gottes gehandelt werden / nach der mas aller ungerechtigkeiten / die in der welt ist. Von diesem allem sollen wir abgesundert werden / und kein theil mit solchen haben / dann es sein eitel grewel / die uns verhasset machen vor unserem Christo Jesu / welcher uns entledigt hat von der dienstbarkeit des Fleisches / unnd uns gschickt gemacht dem dienst Gottes durch den Geist / welchen er uns geben hat.

Allso werden nu auch von uns angezweifelt die unchristlichen / auch teuffelischen waffen des gewalts fallen / als da seint Schwert / Harnasch /und dergleichen / und aller irer brauch für freunde / oder wider die Feind / in krafft des worts Christi / Ir söllend dem ubel nit widerstan.

Zum fünften / seind wir vereyniger worden von den Hirten in der gemein Gottes also Der Hirt in der gemein Gottes sol einer sein nach der ordnung Pauli / ganz und gar der ein gut zeugnus hab / von denen die ausser dem glauben seind. Solches ampt sol sein lesen / vermanen und leren / manen / straffen / bannen / in der gemein / und allen Brüdern und Schwestern zur besserung vorbeten / das Brot anheben zu brechen / und in allen dingen des Leibs Christi acht haben / das er gebawr unnd gebessert wird / und dem lesterer der Mund werde verstopfft.

Dieser aber sol erhalten werden / wo er mangel haben würd / von der gemein welche in erwehlt hat / damit welcher dem Evangelio dienet / von demselben auch lebe / wie der Herr verordnet hat. So aber ein Hirt etwas handlen würd / das zu straffen were / soll mit im nichts gehandelt werden on zween oder dreyen zeugen / Und so sie sünden / sollen sie vor allen gestrafft werden /damit die anderen forcht haben.

So aber dieser Hirt vertrieben / oder durch das creuz dem Herrn hingefürt würd / soll von stundan ein anderer an die stat verordnet werden / damit das Völcklein un heufflein Gottes nich zerstört werden.

Zum sechsten sein wir vereiniget worden von dem Schwert /also / Das Schwert ist ein Gottes ordnung / ausserhalb der volkomenheit Christi / welches den Bösen straffet unnd tödtet / und den Guten schützet und schirmet. Im Gesatz wird das Schwert geordnet / uber die Bösen zur Straffe / und zum todt / und dasselbige zubrauchen / sind geordnet die weltlichen Oberkeiten.

In der volkomenheit Christi aber / wird der Bann gebraucht / allein zu einer manung und ausschliessung des der gesündet hat on todt des fleisches / allein durch die manung und den befelh / nicht mehr zu sündigen.

Nu wird gefragt von vielen / die nicht erkennen den willen Christi / die nicht erkennen den willen Christi möge oder sol das Schwert brauchen / gegen dem bösen / umb des guten Schutz und schirm willen / oder umb der liebe willen:

Antwort ist offenbart einmütiglich also / Christus lert und befilcht uns / ds wir von im lernen sollen / dann er sey milt / und von herzen demütig / und so werden wir rhu finden unser Selen.. Nun saget Christus zum Heidnischen Weiblin / das im Ehebruch begriffen worden was / nicht das man es versteinigen solt / nach dem Gesatze seines Vaters (und er doch saget / Wie mir der Vater befohlen hat / also thu ich ) sonder der barmherzigkeit und verzeihung / und manung / nicht mehr zu sünden / und sprich / gang hin / unnd sünde nit mehr / Solches sollen wir uns genzlich auch halten / nach der Regel des Bannes.

Zum andern wirt gefragt / des Schwerts halben / Ob ein Christ sol urtheil sprechen in weltlichen zanck und spen / so die ungleubigen mit einander haben: Ist das die eynige antwort Christus hat nicht wöllen entscheiden oder urtheilen zwischen Brüder des erbtheils halben / sonder hat sich desselben gewidert / also sollen wir ihm auch thun.

Zum dritten / wird gefragt des Schwerts halben / Soll das ein Oberkeit sein / so einer dazu erwehlt wirt: Dem wirt also geantwort / Christus hat sollen gemacht werden zu einem König / und er ist geflohen / und hat nicht angesehen die ordnung seines Vaters / also sollen wir im auch thun / und im nachlauffen / so werden wir nicht in der finsternus wandeln/ dann er sagt selbs / welcher / nach mir kommen wöl / der verleugne sich selbs / und neme sein creuz auff sich und folge mir nach. Auch verbeut er selbst / den gewalt des schwerts und sagt / Die weltlichen Fürsten herrschen / etc. ir aber nit also. Weiter sagt Paulus / Welche Gott versehen hat / die hat es auch verordnet / das sie gleichherrig sein sollen dem ebenbild seins Sons / etc. Auch sagt Petrus / Christus hat gelitten / nit geherschet / und hat uns ein ebenbild gelassen/ das ir solt nachfolgen seinen fusstapffen.

Zu letzt wird gemerkt /das es dem Christen nicht mag zimen ein Oberkeit zu sein in den stücken / Der Obrer regiment ist nach dem fleisch / so ist der Christ nach dem Geist / ir heuser und wonung ist leiblich / in dieser welt / so ist der Christen im himel / ir burgerschafft ist in dieser welt / so ist der Christen burgerschaff im himmel / ihres streits und kriegs waffen sein fleischlich / unnd allein wider das Fleisch / der Christen waffen aber seind geistlich / wider die befestigunge des Teuffels / Die weltlichen werden gewapnet mit stahel und eisen / aber die Christen send gewapnet mit dem harnisch Gottes / mit warheit / gerechtigkeit / fried / glauben / heil / und mit dem wort Gottes. In summa / Was Chistus unser heupt auff uns gesinnet ist / das alles sollen die glieder des leibe Christi durch in gesinnet sein / damit keine spaltung in dem leib sey / dardurch er zerstöret werde / denn ein igliches reich das in im selbs zerteilt ist / wird zerstöret werden. So nun Chrisus also ist / wie von im geschrieben stehet / so müssen die glieder auch also sein / damit sein leib ganz und einig bleib / zu seiner selbes besserung und erbawung.

Zum siebenden / seind wir vereiniget worden von dem eyd /also / Der eyd ist ein befestigung unter denen / die da zancken / oder verheissen / und ist im Gesatz geheissen worden / das er sol geschehen / bey dem namen Gottes / allein war hafftig / und nit falsch. Christus der die vollkommenheit des Gesatzes leret / verbeut den seinen alles schweren / weder reche noch falsch / weder beym Himel / noch bey dem Erdreich / noch bey Jerusalem / noch bey unserm Haupt und das umb der ursach willen / wie er bald hernacher spricht / Dann ir mögen nicht ein haar weis oder schwarz machen. Sehend zu / darumb ist alles schweren verbotten / dan wir mögen nicht / das in dem schwerenverheissen wirt / erstatten / dieweil wir das aller geringst an uns / nit mögen endern.

Nun sind etlich / die dem eynfeltigen gebot Gottes nicht glauben geben / sonder sie sagen unnd fragen also / Ey nun hat Gott dem Abraham geschworen / durch sich selbs / dieweil er Gott was / (da er im verhies / das er im wol wölt / und wölt sein Gott sein / so er seine gebot hielt ) warumb solt ich dann nicht auch schweren / so ich einem etwas verhies: Antwort / Höre was die Schrifft sagt / Gott da er wolt den erben der verheissung uberschwencklich beweisen / das sein rath nicht wancket / hat er einen Eyde darzwischen gelegt / auff das wir durch zwey unwanckliche ding ( dardurch es unmöglich ist / das Gott liege) ein starken trost haben. Merck den Verstand dieser geschrifft / Gott hat gewalt zu thun das er dir verbeut / dann es ist im alles müglich. Gott hat dem Abraham geschworen einen eid / sagt die Schrifft / darumb das er beweise / das sein rhat nicht wancket / das ist / Es mocht im niemand seinem willen understahn und hindern / und darumb mocht er den eid halten / Wir aber mögen nichts / wie droben von Christo gesaget ist / das wie den halten oder leisten / darumb sollen wir nichts schweren.

Nu sagen etlich weiter also / Es sey nit bey Gott verbotten zu schweren / in dem newen Testament / und doch im alten gebotten / Sonder sey allein bey den Himel / Erdrich / Jerusalem / und bey unserm Haupt verbotten zu schweren. Antwort / höre die Schrifft / Wer da schweret bey dem Himel / der schweret beydem stul Gottes / und bey dem der darauff sizet. Merck / schweren bey dem Himel / ist verbotten / der nu ein stul Gottes ist / wie viel mehr ist verbotten bey Gott selbs? Ir narren und blinden / was ist grösser / der Stul oder der darauff sizet?

Noch sagen etlich / wann nu das unrecht ist / wann man Gott zu der warheit braucht / so habe Apostel Petrus und Paulus auch geschworen. Antwort / Petrus und Paulus zeuge allein das / welches von Gott dem Abraham durch den eid verheissen was / und sie selbs verheissen nichts / als die exempel klar anzeigen. Zeugen aber und schweren ist zweierley / Dann so man schweret / so verheisst man erst künfftig ding / wie dem Abrahe Christus verheissen ist worden / welchen wir lange zeit hernach entpfangen haben. So man aber zeuget / so zeyget man an das gegenwertig / ob es gut oder bös sey / wie der Simeon von Christo zu Maria sprach unnd zeuget / Sihe / dieser wirt gesezt zu einem fall und aufferstehung vieler in Israel / und zu einem zeichen dem widersprochen wirt.

Dergleichen hat uns Christus auch gelert / da er sagt / Ewer rede sol sein ja / ja / und nein / nein / dann was uber das ist / ist von argem. Er sagt / Ewer rede oder wort sol sein ja und nein Das man nit verstahn wölle / das er die meinung zugelassen hab. Christus ist eynfeltig ja und nein / unnd alle die in eynfeltig suchen / werden sein Wort verstahn/ Amen.

Liebe Brüder und Schwestern im Herren / das sind die Artickel / die etlich Brüder bisher irrig / und den waren verstand ungleich verstanden haben / unnd damit viel schwacher gewissen verwirret / dadurch der nam Gottes gar gröslich verlestert ist worden / darumb dann not ist gewesen / das wir vereynigt sind worden im herrn / Gor sey lob und preis / wie dann geschehen ist.

Nu / dieweil ir reichlich verstanden habt / den willen Gottes jez mal durch uns geoffenbart sein / wirt not sein / das ir den erkannten willen Gottes harriglich / unabgewelzt vollnbringen / Dann ir wisset wl / was dem Knecht zu lohn gehört der da wissentlich sündet.

Alles was is unwissentlich gethan und bekannt / haben unrecht gehandelt / das ist euch verzihen durch das gleubig Gebet / welches in uns in der versammlung verbracht ist für unser aller fehle und Schuld / durch die genedige verzeihung Gottes / und durch das blut Jesu Christi / Amen.

Habent acht auff alle die nicht wandlen nach der einfaltikeit Göttlicher warheit / die in diesem brieffe begriffen ist von uns in der versammlung / damit jedermann geregieret werde unter uns / durch die regel des Bans / und furohin verhüt werde dee falschen Brüder und Schwestern zugang unter uns.

Sondert ab von euch was bös ist / so wilder Herr ewer Gott sein / und ir wedent seine Sne und Töchter sein.

Lieben Brüder seid eingedenck was Paulus seinen Titum vermanet / Er spricht also / Die heilsam gnad Gottes ist erschienenallen / und züchtiget uns /das wir sollen verleugnen das ungöttlich wesen / und die weltlichen lüste / und züchtigt / gerecht / und Gott selig leben in dieser Welt / und warten auff diesebige Hoffnung und erscheinunge der herrligkeit de grossen Gottes / und unsers heilandes Jhesu Christi / der sich selbs für uns gegeben hat / auff das er uns erlöset von aller Ungerechtigkeit / unnd reiniget ihm selbs ein Volck zum eigenthumb / das da eifferig were zu guten Wercken. Das bedencket / unnd seient des geübet / so wird der Herr des friedens mit euch sein.

Der nam Gottes sei ewig gebenedeyet und hochgelobet / Amen. Der Herr gebe euch seinen frieden / Amen.

Acta Schlatten am Randen auff Matthie / Anno M.D.XXVII.

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Bereits 1527 (spätestens 1529) erschien die erste gedruckte Fassung der "Brüderlichen vereynigung" bei Peter Schöffer dem Jüngeren in Worms. Von diesem Erstdruck sind in der Literatur bis anhin nur 2 Exemplare beschrieben worden. Beide befinden sich im Besitz der Bayrischen Staatsbibliothek München. 1533 erschien der gleiche Text, ergänzt um ein Traktat über die Ehescheidung, bei Jacob Cammerlander in Strassburg. Eine dritte deutsche Ausgabe erschien um weitere kurze Texte angereichert in einem kleinen, handlichen Format um 1550. Von den 2 bekannten Exemplaren, beide finden sich mit der "Concordanz und Zeiger der namhafftigsten Sprüch aller Biblischen Bücher alts und news Testament" in einem Band zusammengebunden, befindet sich eines in der Mennonit Historical Library in Goshen und das zweite, hier abgebildete, im Ortsmuseum Schleitheim.

Übersetzung
Brüderliche Vereinigung etlicher Kinder Gottes, sieben Artikel betreffend
Freude, Friede und Barmherzigkeit von unserm Vater durch die Gemeinschaft des Blutes Jesu Christi, mitsamt den Gaben des Geistes, der vom Vater gesendet wird, allen Gläubigen zur Stärkung, zum Trost und zur Beständigkeit in aller Trübsal bis ans Ende. Amen.

Das wünschen wir allen Liebhabern Gottes und Kindern des Lichtes, welche zerstreut sind allenthalben, wohin sie von Gott unserem Vater verordnet und wo sie einmütiglich in einem Gott und Vater unser aller versammelt sind. Gnade und Friede im Herzen sei mit Euch allen. Amen.

Liebe Brüder und Schwestern in dem Herrn!

Uns liegt zuerst und vor allem daran. Euch zu trösten und Euer Gewissen, das eine Weile verwirrt war, zu stärken, damit Ihr nicht für immer als Heiden von uns abgesondert und mit Recht fast ganz ausgeschlossen werdet, sondern Euch wieder den wahren, eingepflanzten Gliedern Christi, die mit Geduld und Erkenntnis Christi ausgerüstet werden, zuwendet und so wieder mit uns vereinigt werdet in der Kraft eines göttlichen, christlichen Geistes und Eifers zu Gott.

Es ist offenkundig, mit welcher Tausendlistigkeit der Teufel uns hintergangen hat, damit er bei ihnen das Werk Gottes, das unter uns eine Zeitlang barmherzig und gnädig begonnen worden ist, zerstöre und zu Grunde richte. Aber der treue Hirte unserer Seele, Christus, der solches in uns angefangen hat, der wird es bis ans Ende führen und lehren zu seiner Ehre und unserm Heil. Amen.

Liebe Brüder und Schwestern! Wir, die wir zu Schleitheim am Randen im Herrn versammelt gewesen sind, tun allen Liebhabern Gottes kund, dass wir in den Stücken und Artikeln übereingekommen sind, die wir im Herrn halten sollen, wenn wir gehorsame Kinder, Söhne und Töchter Gottes sein wollen, die abgesondert von der Welt in allem Tun und Lassen sind und sein wollen. Gott allein sei Preis und Lob, dass es ohne den Widerspruch irgendeines Bruders und in voller Zufriedenheit geschehen ist. In dem allem haben wir gespürt, dass die Einigkeit des Vaters und des uns alle verbindenden Christus samt ihrem Geist mit uns gewesen ist. Denn der Herr ist der Herr des Friedens und nicht des Zankes, wie Paulus sagt. Damit Ihr aber versteht, in welchen Punkten das geschehen ist, sollt Ihr aufmerken und verstehen.

Es ist von einigen falschen Brüdern unter uns ein sehr großes Ärgernis erregt worden. Es haben sich einige vom Glauben abgewandt, indem sie meinten, sie übten und gebrauchten die Freiheit des Geistes und Christi. Aber sie haben die Wahrheit verfehlt und haben sich (sich selbst zum Gericht) der Geilheit und Freiheit des Fleisches ergeben und haben gedacht, der Glaube und die Liebe könnten alles tun und dulden und nichts könne ihnen schaden oder verwerflich sein, weil sie doch gläubig seien.

Merkt auf, ihr Glieder Gottes in Jesus Christus: Der Glaube an den himmlischen Vater durch Jesus Christus ist nicht so gestaltet, wirkt und handelt nicht solche Dinge, wie diese falschen Brüder und Schwester sie tun und lehren. Hütet Euch und seid gewarnt vor solchen! Denn sie dienen nicht unserm Vater, sondern ihrem Vater, dem Teufel.

Ihr aber nicht so! Denn die zu Christus gehören, die haben ihr Fleisch gekreuzigt mitsamt allen Lüsten und Begierden. Ihr versteht mich wohl und (wisst), welche Brüder wir meinen. Sondert Euch von ihnen ab! Denn sie sind verkehrt. Bittet den Herrn, dass sie zur Erkenntnis und zur Busse kommen und dass wir beständig sind, den begonnenen Weg weiterzugehen nach der Ehre Gottes und seines Sohnes Christus. Amen.
Die Punkte, die wir behandelt haben und in denen wir eins geworden sind, das sind diese:

1. Taufe, 2. Bann, 3. Brechung des Brotes, 4. Absonderung von Greueln, 5. Hirten in der Gemeinde, 6. Schwert, 7. Eid.

Zum ersten merkt Euch über die Taufe:

Die Taufe soll allen denen gegeben werden, die über die Busse und Änderung des Lebens belehrt worden sind und wahrhaftig glauben, dass ihre Sünden durch Christus hinweggenommen sind, und allen denen, die wandeln wollen in der Auferstehung Jesu Christi und mit ihm in den Tod begraben sein wollen, auf dass sie mit ihm auferstehen mögen, und allen denen, die es in solcher Meinung von uns begehren und von sich selbst aus fordern. Damit wird jede Kindertaufe ausgeschlossen, des Papstes höchster und erster Greuel. Dafür habt Ihr Beweise und Zeugnisse in der Schrift und Beispiele bei den Aposteln Matth. 27. Mark. 16. Apg. 2. 8. 16. 19. Dabei wollen wir einfältig, aber doch fest und mit Gewissheit bleiben.

Zum zweiten haben wir uns folgendermaßen über den Bann geeinigt:

Der Bann soll bei allen denen Anwendung finden, die sich dem Herrn ergeben haben, seinen Geboten nachzuwandeln, und bei allen denen, die in den einen Leib Christi getauft worden sind, sich Brüder oder Schwestern nennen lassen und doch zuweilen ausgleiten, in einen Irrtum und eine Sünde fallen und unversehens überrascht werden. Dieselben sollen zweimal heimlich ermahnt und beim dritten Mal öffentlich vor der ganzen Gemeinde zurechtgewiesen oder gebannt werden nach dem Befehl Christi. Das aber soll nach der Anordnung des Geistes Gottes vor dem Brotbrechen geschehen, damit wir alle einmütig und in einer Liebe von einem Brot brechen und essen können und von einem Kelch trinken.

Zum dritten, was das Brotbrechen anlangt, sind wir uns einig geworden und haben folgendes vereinbart:

Alle, die ein Brot brechen wollen zum Gedächtnis des gebrochenen Leibes Christi, und alle, die von einem Trank trinken wollen zum Gedächtnis des vergossenen Blutes Christi, die sollen vorher vereinigt sein zu einem Leib Christi, das ist zur Gemeinde Gottes, an welcher Christus das Haupt ist, nämlich durch die Taufe. Denn wie Paulus sagt, können wir nicht zugleich teilhaftig sein des Tisches des Herrn und des Tisches der Teufel. Wir können auch nicht zugleich teilhaftig sein und trinken des Herren Kelch und der Teufel Kelch. Das heißt: Alle, die Gemeinschaft haben mit den toten Werken der Finsternis, die haben kein Teil am Licht, also alle, die dem Teufel folgen und der Welt, die haben kein Teil mit denen, die aus der Welt zu Gott berufen sind. Alle, die dem Bösen verfallen sind, haben kein Teil am Guten. So soll und muss es auch sein: Wer nicht die Berufung eines Gottes zu einem Glauben, zu einer Taufe, zu einem Leib zusammen mit allen Kindern Gottes hat, der kann auch nicht mit ihnen zu einem Brot werden, wie es doch sein muss, wo man das Brot in der Wahrheit nach dem Befehl Christi brechen will.

Zum vierten haben wir uns über die Absonderung geeinigt:

Sie soll geschehen von den Bösen und vom Argen, das der Teufel in der Welt gepflanzt hat, damit wir ja nicht Gemeinschaft mit ihnen haben und mit ihnen in Gemeinschaft mit ihren Greueln laufen. Das heißt, weil alle, die nicht in den Gehorsam des Glaubens getreten sind und die sich nicht mit Gott vereinigt haben, dass sie seinen Willen tun wollen, ein großer Greuel vor Gott sind, so kann und mag nichts anderes aus ihnen wachsen oder entspringen als greuliche Dinge. Nun gibt es nie etwas anderes in der Welt und in der ganzen Schöpfung als Gutes und Böses, gläubig und ungläubig, Finsternis und Licht, Welt und solche, die die Welt verlassen haben, Tempel Gottes und die Götzen, Christus und Belial, und keins kann mit dem ändern Gemeinschaft haben.

Nun ist uns auch das Gebot des Herrn offenbar, in welchem er uns befiehlt, abgesondert zu sein und abgesondert zu werden vom Bösen; dann wolle er unser Gott sein und wir würden seine Söhne und Töchter sein. Weiter ermahnt er uns, Babylon und das irdische Ägypten zu verlassen, damit wir nicht auch ihrer Qualen und Leiden teilhaftig werden, die der Herr über sie herbeiführen wird. Aus dem allen sollen wir lernen, dass alles, was nicht mit unserem Gott und mit Christus vereinigt ist, nichts anderes ist als die Greuel, die wir meiden und fliehen sollen. Damit sind gemeint alle päpstlichen und widerpäpstlichen Werke und Gottesdienste, Versammlungen, Kirchenbesuche, Weinhäuser, Bündnisse und Verträge des Unglaubens und anderes dergleichen mehr, was die Welt für hoch hält und was doch stracks wider den Befehl Gottes durchgeführt wird, gemäss all der Ungerechtigkeit, die in der Welt ist. Von all diesem sollen wir abgesondert werden und kein Teil mit solchen haben.

Denn es sind eitel Greuel, die uns verhasst machen vor unserm Jesus Christus, welcher uns befreit hat von der Dienstbarkeit des Fleisches und fähig gemacht hat zum Dienst Gottes durch den Geist, welchen er uns gegeben hat. So werden dann auch zweifellos die unchristlichen, ja teuflischen Waffen der Gewalt von uns fallen, als da sind Schwert, Harnisch und dergleichen und jede Anwendung davon, sei es für Freunde oder gegen die Feinde - kraft des Wortes Christi: Ihr sollt dem Übel nicht widerstehen.

Zum fünften haben wir uns über die Hirten in der Gemeinde folgendermaßen geeinigt:

Der Hirte in der Gemeinde Gottes soll ganz und gar nach der Ordnung von Paulus einer sein, der einen guten Leumund von denen hat, die außerhalb des Glaubens sind. Sein Amt soll sein Lesen und Ermahnen und Lehren, Mahnen, Zurechtweisen, Bannen in der Gemeinde und allen Brüdern und Schwestern zur Besserung vorbeten, das Brot anfangen zu brechen und in allen Dingen des Leibes Christi Acht haben, dass er gebaut und gebessert und dem Lästerer der Mund verstopft wird. Er soll aber von der Gemeinde, welche ihn erwählt hat, unterhalten werden, wenn er Mangel haben sollte. Denn wer dem Evangelium dient, soll auch davon leben, wie der Herr verordnet. Wenn aber ein Hirte etwas tun sollte, was der Zurechtweisung bedarf, soll mit ihm nur vor zwei oder drei Zeugen gehandelt werden. Und wenn sie sündigen, sollen sie vor allen zurechtgewiesen werden, damit die ändern Furcht haben. Wenn aber dieser Hirte vertrieben oder durch das Kreuz zum Herrn hingeführt werden sollte, soll von Stund an ein anderer an seine Stelle verordnet werden, damit das Völklein und Häuflein Gottes nicht zerstört, sondern durch die Mahnung erhalten und getröstet wird.

Zum sechsten haben wir uns über das Schwert folgendermaßen geeinigt:

Das Schwert ist eine Gottesordnung außerhalb der Vollkommenheit Christi. Es straft und tötet den Bösen und schützt und schirmt den Guten. Im Gesetz wird das Schwert über die Bösen zur Strafe und zum Tode verordnet. Es zu gebrauchen, sind die weltlichen Obrigkeiten eingesetzt. In der Vollkommenheit Christi aber wird der Bann gebraucht allein zur Mahnung und Ausschließung dessen, der gesündigt hat, nicht durch Tötung des Fleisches, sondern allein durch die Mahnung und den Befehl, nicht mehr zu sündigen. Nun wird von vielen, die den Willen Christi uns gegenüber nicht erkennen, gefragt, ob auch ein Christ das Schwert gegen den Bösen zum Schutz und Schirm des Guten und um der Liebe willen führen könne und solle. Die Antwort ist einmütig folgendermaßen geoffenbart. Christus lehrt und befiehlt uns, dass wir von ihm lernen sollen; denn er sei milde und von Herzen demütig, und so würden wir Ruhe finden für unsere Seelen. Nun sagt Christus zum heidnischen Weiblein, das im Ehebruch ergriffen worden war, nicht, dass man es steinigen solle nach dem Gesetz seines Vaters -- obgleich er sagt: wie mir der Vater befohlen hat, so tue -, sondern spricht (nach dem Gesetz) der Barmherzigkeit und Verzeihung und Mahnung, nicht mehr zu sündigen: "Gehe hin und sündige nicht mehr“. Zweitens wird wegen des Schwertes gefragt, ob ein Christ Urteil sprechen soll in weltlichem Zank und Streit, den die Ungläubigen miteinander haben. Die Antwort ist diese: Christus hat nicht entscheiden oder urteilen wollen zwischen Bruder und Bruder des Erbteils wegen, sondern hat sich dem widersetzt. So sollen wir es auch tun. Drittens wird des Schwertes halber gefragt, ob der Christ Obrigkeit sein soll, wenn er dazu gewählt wird. Dem wird so geantwortet: Christus sollte zum König gemacht werden, ist aber geflohen und hat die Ordnung seines Vaters nicht berücksichtigt. So sollen wir es auch tun und ihm nachlaufen. Wir werden dann nicht in der Finsternis wandeln. Denn er sagt selbst: "Wer mir nachfolgen will, der verleugne sich selbst und nehme sein Kreuz auf sich und folge mir nach“. Auch verbietet er selbst die Gewalt des Schwertes und sagt: "Die weltlichen Fürsten, die herrschen" usw.; "ihr aber nicht also". Weiter sagt Paulus: "Welche Gott zuvor ersehen hat, die hat er auch verordnet, dass sie gleichförmig sein sollen dem Ebenbild seines Sohnes" usw. Auch sagt Petrus: "Christus hat gelitten, nicht geherrscht und hat uns ein Vorbild gelassen, dass ihr seinen Fußstapfen nachfolgen sollt". Zum letzten stellt man fest, dass es dem Christen aus folgenden Gründen nicht ziemen kann, eine Obrigkeit zu sein: Das Regiment der Obrigkeit ist nach dem Fleisch, das der Christen nach dem Geist. Ihre Häuser und Wohnung sind mit dieser Welt verwachsen; die der Christen sind im Himmel. Ihre Bürgerschaft ist in dieser Welt; die Bürgerschaft der Christen ist im Himmel. Die Waffen ihres Streits und Krieges sind fleischlich und allein wider das Fleisch; die Waffen der Christen aber sind geistlich wider die Befestigung des Teufels. Die Weltlichen werden gewappnet mit Stachel und Eisen; die Christen aber sind gewappnet mit dem Harnisch Gottes, mit Wahrheit, Gerechtigkeit, Friede, Glaube, Heil und mit dem Wort Gottes. In summa: Wie Christus, unser Haupt über uns, gesinnt ist, so sollen in allem die Glieder des Leibes Christi durch ihn gesinnt sein, damit keine Spaltung im Leib ist, durch die er zerstört wird. Denn ein jedes Reich, das in sich selbst zerteilt ist, wird zerstört werden. Da nun Christus so ist, wie von ihm geschrieben steht, so müssen die Glieder auch so sein, damit sein Leib ganz und einig bleibt zu seiner eigenen Besserung und Erbauung.

Zum siebten haben wir uns über den Eid folgendermaßen geeinigt:

Der Eid ist eine Bekräftigung unter denen, die zanken oder Versprechungen machen, und es ist im Gesetz befohlen, dass er im Namen Gottes allein wahrhaftig und nicht falsch geleistet werden soll. Christus, der die Erfüllung des Gesetzes lehrt, der verbietet den Seinen alles Schwören, sowohl recht als auch falsch, sowohl beim Himmel als auch beim Erdreich, bei Jerusalem oder bei unserm Haupt, und das aus dem Grund, den er gleich darauf ausspricht: "Denn ihr könnt nicht ein Haar weiß oder schwarz machen". Sehet zu! Darum ist alles Schwören verboten. Denn wir können nichts von dem garantieren, was beim Schwören versprochen wird, weil wir an uns nicht das Geringste ändern können. Nun sind einige, die dem einfältigen Gebot Gottes nicht Glauben schenken, sondern sagen und fragen so: Ei, nun hat Gott dem Abraham bei sich selbst geschworen, weil er Gott war (als er ihm nämlich versprach, dass er ihm wohl wollte und dass er sein Gott sein wollte, wenn er seine Gebote hielte); warum sollte ich nicht auch schwören, wenn ich einem etwas verspreche? Antwort: Höre, was die Schrift sagt: "Als Gott den Erben der Verheißung auf überschwängliche Art beweisen wollte, dass sein Ratschluss nicht wankt, legte er einen Eid ab, damit wir durch zwei unerschütterliche Dinge (wodurch es unmöglich war, dass Gott lügen könnte) einen starken Trost haben". Merke die Bedeutung dieser Schriftstelle: Gott hat Gewalt zu tun, was er dir verbietet. Denn es ist ihm alles möglich. Gott hat dem Abraham einen Eid geschworen - sagt die Schrift -, um zu beweisen, dass sein Rat nicht wankt. Das heißt: Es kann niemand seinem Willen widerstehen und hinderlich werden. Darum konnte er den Eid halten. Wir aber vermögen es nicht, wie es oben von Christus ausgesprochen ist, dass wir den Eid halten oder leisten. Darum sollen wir nicht schwören. Nun sagen weiter einige so: Es ist im Neuen Testament nicht verboten, bei Gott zu schwören, und im Alten sogar geboten. Dagegen sei lediglich verboten, beim Himmel, Erdreich, bei Jerusalem und bei unserm Haupt zu schwören.
Antwort. Höre die Schrift: "Wer da schwört beim Himmel, der schwört beim Stuhl Gottes und bei dem, der darauf sitzt". Merke: Schwören beim Himmel, der ein Stuhl Gottes ist, ist verboten. Wie viel mehr ist es bei Gott selbst verboten! Ihr Narren und Blinden, was ist größer, der Stuhl oder der darauf sitzt? Auch sagen einige so: Wenn es nun unrecht ist, dass man Gott zur Wahrheit gebraucht, so haben die Apostel Petrus und Paulus auch geschworen. Antwort: Petrus und Paulus bezeugen allein das, was von Gott Abraham durch den Eid verheißen war, und sie selbst verheißen nichts, wie die Beispiele klar zeigen. Aber Zeugen und Schwören ist zweierlei. Denn wenn man schwört, so verheißt man Dinge, die noch in der Zukunft liegen, wie dem Abraham Christus verheißen wurde, den wir lange Zeit hernach empfangen haben. Wenn man aber zeugt, dann bezeugt man das Gegenwärtige, ob es gut ist oder böse, wie der Simeon zu Maria von Christus sprach und ihr bezeugte: "Dieser wird gesetzt zu einem Fall und einer Auferstehung vieler in Israel und zu einem Zeichen, dem widersprochen wird".
Dasselbe hat uns auch Christus gelehrt, als er sagte: "Eure Rede soll sein ja ja und nein nein; denn was darüber ist, ist vom Argen. Er sagt: Eure Rede oder euer Wort soll sein ja und nein, was man nicht so verstehen kann, als ob er den Eid zugelassen habe. Christus ist einfältig ja und nein, und alle, die ihn einfältig suchen, werden sein Wort verstehen. Amen.

Liebe Brüder und Schwestern im Herrn! Das sind die Artikel, die einige Brüder bisher falsch und dem wahren Sinn zuwider verstanden haben. Sie haben damit viele schwache Gewissen verwirrt, wodurch der Name Gottes sehr schwer gelästert worden ist. Darum ist es notwendig gewesen, dass wir im Herrn übereingekommen sind, wie es auch geschehen ist. Gott sei Lob und Preis. Weil Ihr nun den Willen Gottes reichlich verstanden habt, wie er jetzt durch uns offenbart ist, wird es notwendig sein, dass Ihr den erkannten Willen Gottes beharrlich und ohne Aufschub vollbringt. Denn Ihr wisst wohl, was dem Knecht an Lohn gehört, der wissentlich sündigt.

Alles, was Ihr unwissentlich getan habt und was Ihr bekannt habt, unrecht gehandelt zu haben, das ist Euch verziehen durch das gläubige Gebet, das in uns in der Versammlung vollbracht ist für unser aller Verfehlung und Schuld, durch die gnädige Verzeihung Gottes und durch das Blut Jesu Christi. Amen.

Habt acht auf alle, die nicht nach der Einfältigkeit göttlicher Wahrheit wandeln, die in diesem Brief von uns in der Versammlung zusammengefasst ist, damit jedermann unter uns regiert werde durch die Regel des Banns und forthin der Zugang der falschen Brüder und Schwestern unter uns verhütet werde.

Sondert ab von Euch, was böse ist, so will der Herr Euer Gott sein und Ihr werdet seine Söhne und Töchter sein.

Liebe Brüder, seid eingedenk, mit was Paulus seinen Titus ermahnt. Er spricht so: "Die heilsame Gnade Gottes ist erschienen allen und züchtigt uns, dass wir sollen verleugnen das ungöttliche Wesen und die weltlichen Lüste und züchtig, gerecht und gottselig leben in dieser Welt und warten auf dieselbe Hoffnung und Erscheinung der Herrlichkeit des großen Gottes unseres Heilands Jesus Christus, der sich selbst für uns gegeben hat, auf dass er uns erlöste von aller Ungerechtigkeit und reinigte sich selbst ein Volk zum Eigentum, das da eifrig wäre zu guten Werken. Das bedenkt und übt Euch darin, so wird der Herr des Friedens mit Euch sein.

Der Namen Gottes sei ewig gebenedeit und hoch gelobt. Amen.

Der Herr gebe Euch seinen Frieden. Amen.

Geschehen in Schleitheim am Randen, auf Matthiae (24. Febr.), Anno 1527.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Suco de Clorofila

Suco de Clorofila Terrapia




Esta é a nossa primeira Receita Viva!

Se você está interessado na Culinária Viva começe pelo Suco! Muito rapidamente vai observar mudanças e bem estar! Em diversos países a extração da clorofila tem sido realizada com extratores especiais, que não encontramos no Brasil. Esta receita abaixo é a nossa interpretação brasileira que pode ser preparada por todos! Vejam como é fácil:

Processe no liquidificador 2 maçãs e extraia o sumo passando num coador de pano ou voal. Não coloque água, basta prensar a maçã com um pepino ou uma cenoura inteira para pressionar. Devolva o sumo ao liquidificador e acrescente aos poucos as folhas verdes comestíveis como: grama de trigo — folha de abóbora — folha de batata-doce — couve —chicória - acelga — alface — agrião — hortelã — capim-limão ou outra que desejar. Lembrar que o objetivo é extrair o sumo verde, portanto você pode usar qualquer folha verde comestível que tiver em casa ou ainda as folhas não cultivadas comestíveis. Acrescentar uma xícara de semente germinada. Coe novamente num coador de pano para retirar as fibras, pois desse modo a clorofila pode ser melhor absorvida.

Observações:

* 1. Não substitua a maçã por outra fruta, pois elas interferem na absorção da clorofila. Se quiser, pode acrescentar legumes;
* 2. As sementes germinadas de casca dura (muita celulose) podem ser usadas nos sucos, pois serão coadas ao final. Por exemplo: girassol com casca, arroz c/ casca, aveia c/ casca, painço, alpiste etc...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Oração da propina ou o verbo do Distrito Federal



Eu roubo, tu roubas, ele rouba, nós roubamos, vós roubais, eles roubam, e o povo otário paga.

Aqui não há nada de novo. Já vimos esse filme muitas vezes. Ao contrário do que acontece, é errado falar em corrupção do PT, do PSDB, do PMDB, do DEM, ou dos políticos em geral. O sistema é corrupto em sua própria natureza. Refiro-me aqui a todo e qualquer sistema político ou econômico onde a forma de organizar a sociedade, o poder de decisão sobre nossas vidas, a educação e o futuro de nossos filhos, a segurança alimentar, e quase tudo o que nos diz respeito, é transferido para outrem.

Isso não pode ser considerado racional, sadio, coerente. Deve ser considerado uma aberração! O homem sadio, física, espiritual e intelectualmente, preferiria morrer a submeter toda sua existência, ou parte dela, ou uma fração que fosse, nas mãos desses vermes engravatados que atendem pelo nome de classe política.

Mas nós fazemos assim. A cada dois anos o ciclo se repete de forma previsível. A sujeira acaba lançada para debaixo dos tapetes municipais, estaduais, federais. "A culpa é do povo que não escolhe bem seus representantes", papagueiam TVs, rádios, jornais, revistas, blogs, tribunais eleitorais. O que é mais uma mentira para meios que sempre foram os porta-vozes de tudo aquilo que é essencialmente falso?

Cada novo anúncio confirma a mentira do anúncio anterior. "É o que você precisava". Cada nova eleição confirma a mentira da eleição anterior. Não demora muito a "festa da democracia!" logo vira "trem da alegria" ou "mar de lama". Enfim, cada nova denúncia de corrupção confirma o óbvio, o sistema é corrupto em sua própria natureza.

Qual a saída? Matá-lo de fome.

Quem o alimenta somos nós. Empresários nunca pagaram absolutamente NADA de impostos! Eles sempre os repassam nos preços de seus produtos e serviços, e quem paga somos nós, o povo. Nós sustentamos tudo em nossos ombros, desde os salários dos 50.000 nomeados sem concurso em Brasília, ou seja, indicados por parlamentares em troca da não fiscalização do executivo, até as propinas que se alternam entre empreiteiras, prestadoras de serviços e políticos.

Use tua imaginação, tua criatividade. Sonegue, sonegue, sonegue. Na pior das hipóteses não seremos cúmplices do sistema. Na melhor das hipóteses, se formos suficientemente numerosos, certamente mataremos essa politicalha imunda de fome.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Filme Os Radicais (The Radicals, 1990)






Os Radicais, 1990


Partes de 1 a 10 com legendas em português no youtube: Parte 1, que acabei de publicar: http://goo.gl/IMZC

Arquivo com legendas em português (não oficial, traduzida por mim) do filme The Radicals: http://tiny.cc/bE78f

Para baixar filme (audio em inglês, sem legenda) procure no google digitando "the radicals, 1990, download"

Capa do filme e comentários (parece que o cd original tem a opção de audio, dublagem, em português): http://goo.gl/Pyn5

Este filme mostra as origens dos grupos que mais tarde viriam a ser chamados de anabatistas, do grego ανα (novamente, pela segunda vez) + βαπτιζω (batizados), ou "rebatizados". Cristãos adeptos da Reforma Radical que pretendiam sobretudo um retorno às práticas singelas e comunalísticas do cristianismo primitivo descritas em ATOS 4:32-35, por exemplo.

História dos radicais anabatistas


O filme The Radicals, 1990, que aborda a dramática história de Michael e Margaretha Sattler e as origens do movimento anabatista na Europa no início do Século XVI, foi relançado em DVD pelo Comitê Histórico da Igreja Menonita (www.mcusa-archives.org).

O novo DVD do premiado filme também inclui comentários do historiador John Sharp e do escritor Myron Augsburger.

Augsburger, autor do romance Pilgrim Aflame que serviu de inspiração para The Radicals, acredita que o filme pode ajudar a esclarecer os espectadores sobre os anabatistas. A história de Michael Sattler enfoca a questão crítica do que realmente significa ser discípulo de Jesus, de acordo com Augsburger.

The Radicals, vencedor do CINE Golden Eagle em 1990 e medalha de prata do Festival de Cinema de Houston, insere em seu novo DVD um documentário de meia hora sobre anabatismo, ilustrado com cenas do filme. O DVD também inclui uma versão condensada da história, apropriada para crianças.

The Radicals
foi lançado em 1990 por Brothers & Sisters, um grupo de jovens cineastas menonitas empenhado em explorar questões da fé através dos meios de comunicação. A equipe inclui Jim L. Bowman, J. Ron Byler, D. Michael Hostetler e Joel Kauffmann. Bowman encabeça sua própria agência de produção de vídeo e frequentemente trabalha para agências menonitas; Byler é diretor executivo adjunto da Igreja Menonita estadunidense; Hostetler é diretor do Nazareth Village, em Nazaré, Israel. Kauffmann é o criador do desenho animado Pontius’ Puddle e tem escrito roteiros para a Disney Television.

"Queríamos contar a história de Michael Sattler de uma maneira que penetrasse na mentalidade de pessoas que não querem ouvir falar de religião", disse Hostetler.

Kauffman disse que os menonitas e outros anabatistas se destacam pela dimensão histórica e pelo desafio sobre o que fazemos no presente e até onde podemos ir com nossa fé.

A análise histórica de John Sharp, diretor do MC USA Historical Committee and Archives pode ajudar os espectadores a compreender o contexto e a importância da experiência de Michael Sattler e outros anabatistas primevos. "Sattler é importante para nós", disse Sharp, "porque ele foi o autor da Confissão Schleitheim, um acordo que catalisou muitos grupos separados de anabatistas. Podemos aprender com a clareza e a força do testemunho de Sattler durante o seu julgamento e sua coragem durante a sua execução".

O novo DVD amplia o público do The Radicals, oferecendo uma dublagem de alta qualidade em espanhol e português. As legendas estão disponíveis para pessoas com deficiência auditiva. As legendas em inglês podem ser alternadas com a dublagem em espanhol, tornando o filme acessível em vários idiomas.

"A introdução de Sharp e a convincente entrevista de Augsburger, fornecem idéias e informações adicionais sobre o movimento anabatista que torna o filme uma valiosa ferramenta de aprendizagem [...] para além das fronteiras do mundo menonita", disse Kauffmann.

O DVD também inclui um making of onde os produtores do filme são intrevistados, além de Norbert Weisser, o ator que interpreta brilhantemente Michael Sattler no filme. Weisser teve papéis de destaque em muitos filmes, como Três Amigos e Lista de Schlinder.

The Radicals foi produzido em 1989 em locações na Europa, com um elenco incluindo milhares de pessoas e milhares de horas de trabalho voluntário. O filme foi financiado através de contribuições dos menonitas na América do Norte e da Europa e foi exibido pela primeira vez nos cinemas em comunidades menonitas. Gateway Films / Vision Video tem funcionado como o principal distribuidor do vídeo. O novo DVD foi criado por Tim Bowman.

O DVD está disponível para uso doméstico e bibliotecas por $ 29,99 ($25 para encomendas de duas cópias ou mais) no MC USA Historical Committee (www.mcusa-archives.org). Ou no Historical Committee toll-free pelo 866-866-2872. Este DVD é uma excelente ferramenta para introduzir questões de fé junto aos amigos, vizinhos e jovens.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Como escapar do serviço militar

Por Phydia de Athayde

Caio Maniero D’Auria é um enxadrista. Calculista. Paciente. Insistente. Irritante, até. Graças a essas características, tornou-se, aos 22 anos, o primeiro brasileiro dispensado do serviço militar obrigatório por “razões políticas e filosóficas”. Na prática, significa que ele foi dispensado sem nem precisar jurar à bandeira. Para muitos, a formalidade é apenas um detalhe. Para ele, uma batalha de quase cinco anos de duração em defesa da “liberdade”.

Todos os anos 1,6 milhão de jovens alistam-se e cerca de 100 mil são incorporados ao Exército, à Marinha ou à Aeronáutica (em 2008 foram 80 mil), segundo o Ministério da Defesa. Desses, 95% declararam no alistamento desejo de servir. Os que não queriam, foram convocados por ter alguma habilidade necessária à unidade militar da região. “A Estratégia Nacional de Defesa pretende alterar esse quadro, de modo a que o serviço militar seja efetivamente obrigatório, e passe a refletir o perfil social e geográfico da sociedade brasileira”, anuncia o Ministério da Defesa, sem dar detalhes de como isso será feito.

Por ora, a única exigência feita para os dispensados é uma pastosa cerimônia de Juramento à Bandeira, tão esvaziada quanto a obrigação de executar o Hino Nacional antes das partidas de futebol em São Paulo. Ninguém reclama. Caio recusou-se.

Determinado a encontrar um meio válido de não jurar à bandeira, entranhou-se nas leis militares. Telefonou para o Comando Militar do Sudeste e soube que podia pedir para prestar um serviço alternativo e que, por não haver convênio firmado, isso resultava na dispensa automática. “Mas a secretária da Junta Militar me falou que só Testemunhas de Jeová podiam alegar objeção de consciência. Ela me mandou jurar à bandeira, mas eu estaria mentindo se jurasse dar a vida pela nação, pois jamais faria isso”, diz, com um sorriso tímido de quem mal deixou a adolescência.

De próprio punho, Caio redigiu uma “declaração de imperativo de consciência”, e declarou-se anarquista. A Junta Militar exigiu a declaração de uma associação anarquista confirmando o vínculo. Caio, então, contatou mais de vinte organizações em busca de, como diz, uma “carta de alforria”. Perdeu um ano nessa. “Os anarquistas brasileiros não tiveram a coragem de colocar em prática o que tanto pregam. A maioria está mais interessada em festinhas”, reclama. E pondera: “Acho que eles tiveram medo de ser fichados pelo Exército”.

Desiludido, encontrou na internet a organização Movimento Humanista. Enfim, sentiu que seria atendido. “Pregamos a não-violência e somos contra o serviço militar obrigatório”, diz Paulo Genovese, coordenador do grupo, que faz reuniões semanais e promove a Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência.

Diante de nova declaração de objeção de consciência, a Junta pediu dados dos integrantes e o CNPJ da organização. Três meses depois, foi preciso detalhar quais eram as incompatibilidades do movimento com o serviço militar.

Era janeiro de 2008. “Passei noites em claro redigindo. Fui pessoalmente entregar”, diz, satisfeito. Sustentou que os humanistas colocam “o ser humano como valor central”, enquanto os militares devem defender a pátria “mesmo com o sacrifício da própria vida”. E que o “repúdio à violência” é incompatível com o “amor à profissão das armas”.

Quatro anos e oito meses após se alistar, Caio pegou seu Certificado de Dispensa do Serviço Alternativo. Em 2008, apenas seis jovens foram eximidos por objeção de consciência. Nos últimos cinco anos, 232. Mas Caio foi pioneiro. “Nunca motivos políticos livraram alguém, o meu processo é o número 001/08. Abri um precedente e agora tenho onde lutar por minha liberdade e pela dos demais”, comemora ele, que é analista de dados de telemarketing. Há anos quer prestar concurso público. Agora pode.

Extraído de http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=3593

sábado, 7 de novembro de 2009

Anabatistas: Separados Por Opção, Marginais Pela Força

Extraído de http://www.anabaptists.org/history/sepamarg.html traduzido no google tradutor e revisado por Railton de Sousa Guedes, sugestões para melhorar esta tradução serão sempre bem vindas.

Anabatistas: Separe By Choice, Marginal By Force (1)
por Elizabeth Scott
Bacharel em Artes, História
College of Wooster, Wooster, OH
Master of Arts in Religion
Yale Divinity School, New Haven, CT
Master of Science in Library and Information Science
University of Kentucky, Lexington, KY

O Copyright © 1995 deste trabalho é PROPRIEDADE INTELECTUAL DE ELIZABETH SCOTT. NENHUMA PARTE DESTE DOCUMENTO PODE SER eletronicamente ou mecanicamente reproduzida ALÉM DO USO ESTRITO.

Introdução


(* Neste estudo, a palavra "anabatista" é usada como um termo descritivo para o grupo de pessoas que é mais conhecido na história pela sua prática de batismo de adultos. Não pretende ser um termo definitivo para suas crenças, nem pretende demonstrar que houve qualquer tipo de agrupamento congruente entre as pessoas que descreve).

* Os anabatistas da Europa Central evoluiram em uma época de caos social e religioso, desenvolveram idéias originais sobre a Igreja e o Estado, e preservaram uma visão descontroladamente radical da sociedade. Eles mantiveram esta postura não apenas diante de graves perseguições em seu início, mas conservam muitas dessas diferenças até os dias de hoje. Quem os anabatistas eram e o que fizeram enquanto grupo reconhecível são perguntas difíceis de responder, apesar dos diversos estudos acadêmicos dos últimos anos.

Os acadêmicos modernos ligam os primórdios anabatistas tanto às heresias medievais como à igreja medieval, o que contribui pouco para responder as perguntas sobre quem eles eram e o que os manteve juntos. Seu principal impulso parece ter sido um retorno à igreja do Novo Testamento, que se tornou um dos atributos mais reconhecidos dos anabatistas desde o trabalho de Franklin Littell sobre o assunto, "The Origins of Sectarian Protestantism", onde apareceu pela primeira vez. Alguns de seus ensinamentos mais conhecidos, como os ensinamentos sobre a proibição da espada, têm sido observados por estudiosos como James Stayer, com essa idéia em mente. Outros atributos dos anabatistas, especialmente aquelas que marcaram seu lugar na sociedade da Reforma, também têm sido objeto de estudos recentes, como os de Claus-Peter Clasen em "A Social History of Anabaptism". Como estes, e alguns outros estudos destacam, os anabatistas estavam tentando reviver o que poderia ser entendido como a igreja do Novo Testamento através de uma variedade de ensinos e ações. No entanto, os anabatistas, embora sempre insistentes no modelo de igreja do Novo Testamento, estavam passando por muitos problemas mundanos apenas parcialmente associados ao resgate da igreja primitiva.

Entre os problemas enfrentados pelos anabatistas, um dos mais relevantes foi o impacto que o anabatismo provocou durante os primeiros anos da Reforma. Os ensinamentos e o modo de vida dos anabatistas, de acordo com os próprios anabatistas, eram apenas formas de tentar restabelecer a verdadeira igreja, uma igreja de crentes. Obviamente, esse não parece ter sido o objetivo dos ministros reformistas nem da Igreja Romana. De muitas formas foram esses ensinamentos e atos que fizeram dos anabatistas objeto de numerosas perseguições nas mãos da Igreja e do Estado. Os diálogos e discussões entre anabatistas e ministros reformadores mostram algumas das principais diferenças entre os grupos. As reações, tanto da Igreja Católica como da sociedade mostram que os ensinamentos e o modo de vida dos anabatistas afetaram a maior parte da sociedade. Muitos destes efeitos são refletidos na historiografia sobre os anabatistas, que é muito hostil a eles e aos seus ensinamentos. Continua a ser um dos maiores problemas na ciência moderna separar a hostilidade dos seus biógrafos das circunstâncias da existência anabatista.

Este problema nos trabalhos acadêmicos ilustra o quão marginalizados os anabatistas tem sido desde seu início, deixa muitas questões para os estudiosos menos hostis decifrarem. De onde vem o impulso para o separatismo anabatista? Foi a sociedade da Reforma que forçou os anabatistas a se tornar uma comunidade de separatistas, ou foram os anabatistas e os seus ensinamentos que pesaram mais? O impulso para entrar e permanecer dentro de uma sociedade de mártires é certamente difícil de identificar. Segundo estudos mais recentes, os anabatistas tiveram bastante ensinamentos exclusivos para excluí-los das igrejas, especialmente porque a maioria desses ensinamentos eram hostis às igrejas. Mas os anabatistas também se manteviveram como uma pequena seita, enquanto outros reformadores e suas igrejas cresceram em grande número. Por sua vez, isso ajudou reafirmar as diferenças entre os anabatistas e os outros. Esta marginalização dos anabatistas pela sociedade da Reforma, como resultado dos muitos ensinamentos que os obrigou a serem separados, serviu para limitar o impacto dos anabatistas.

Ensinamentos anabatistas e controvérsias

Anabatismo, de acordo com Franklin Littell, é um termo impreciso para descrever os grupos em questão. Anabatismo oficialmente significa re-batizar, mas o grupo de pessoas que passaram a ser conhecidos como anabatistas nunca considerou que qualquer rebatismo ocorreu. Em vez disso eles refutaram todo o conceito do batismo infantil (1). Ainda assim, eles se tornaram conhecidos como anabatistas, como resultado dos batismos de adultos que eles praticavam. As diferenças entre eles e outros reformadores é muito mais profunda do que o sinal externo do batismo, no entanto. Os anabatistas estavam muito mais preocupados com o restabelecimento da verdadeira igreja em um modelo apostólico do que com qualquer outro tipo de reforma. (2) O desejo de uma mudança na ênfase do exterior, a aparência da igreja, para um interior cheio de autoridade foi o principal motivo de discórdia entre os anabatistas e seus contemporâneos (3).

Os anabatistas foram primeiramente tratados como um movimento a partir dos batismos de George Blaurock, Denck Hans e Grebel Conrad em 1525. (4) Estes rebatismos cimentam o fato de que havia um grupo de pessoas que não concordava com a Igreja Romana sobre determinadas práticas, mas que também não se conformava com os recém-emergentes líderes reformadores. Algumas das grandes distinções que se tornaram evidentes nos anos seguintes a este ato são encontradas em um documento de 1527 atribuído a Michael Sattler, um dos primeiros mártires anabatistas, e alguns de outros primitivos líderes anabatistas. Embora não normativo, ele oferece uma visão mais clara de alguns dos temas básicos que eram vistos como teologia anabatista.

Nos artigos de Schleithem, Sattler deixa claro que as diferenças entre ele e seus seguidores e seus contemporâneos não poderiam ser facilmente desmanteladas. Incluído no artigo, há discussões sobre: "batismo, banimento [excomunhão], partir do pão [Ceia do Senhor], separação da abominação [sistema político existente], pastores na Comunidade [ministros], a espada, o juramento, etc."(5) Os artigos, que discutem profundamente os ensinamentos destes anabatistas sobre as questões acima, deixam bem claro que estes anabatistas refutam tanto a corrente política da Igreja Romana como a recém-formada política dos líderes reformadores.

Com base no modelo apostólico da igreja que eles pretendiam resgatar, os anabatistas não tinham nenhuma intenção de permitir que padres e monges mediassem sua fé. Os artigos tanto sobre batismo como Ceia do Senhor, deixam claro que ambos os atos foram para aqueles que tinham sido "chamados por Deus para uma fé, um batismo, um espírito, e um corpo na comunidade de todos os filhos de Deus".(6) As outras questões tornam claro que a separação era a única maneira de garantir a pureza da comunidade de Deus.

"No que tange à separação, concordamos que ela é necessária diante do mal que o diabo tem plantado no mundo. Simplesmente não comungaremos com pessoas más, não nos associaremos a elas, nem participaremos de suas abominações". (7)

Os anabatistas escrevem isto, obviamente, referindo-se aos reformadores e à Igreja Romana, como males da Igreja. Para lidar com esses males, eles estavam pedindo uma completa separação dessas influências. Esta desaguou na tentativa de restaurar a igreja primitiva, uma forma relativamente fácil de chamar a atenção para a falta de pureza dos ministros reformadores em sua tentativa de reformar a já existente, decadente Igreja Romana.

Outro aspecto deste debate, o debate sobre a volta ao modelo apostólico da igreja ou a reforma do modelo romano da Igreja, torna-se evidente no traçado do desenvolvimento dos anabatistas em seus primeiros anos. Em seus primeiros anos, muitos dos anabatistas eram seguidores de Zwinglio em Zurique (8). Contudo, como foi mostrado, os anabatistas eram muito mais radicais do que reformadores, como Zwinglio, sobre o conceito do modelo de Igreja, e especialmente sobre as manifestações destas noções.

Uma das principais manifestações deste problema é a noção anabatista do batismo, como o artigo de Schleithem salienta. Isto formou um ponto principal de discórdia entre Zwinglio e seus seguidores. John S. Oyer descreve a base dessa discordância muito sucintamente:

"O desacordo se situava no que especificamente o ato simbolizava. Os anabatistas administravam como símbolo da experiência de regeneração do indivíduo através da fé, e de sua promessa de obedecer a Cristo, penhor de comportamento ético. É óbvio que crianças não podem receber o batismo, porque elas eram incapazes de fé e de compromisso voluntário com qualquer programa ético. Zwinglio via o batismo como um símbolo de pertinencia a um grupo religioso, como um paralelo do Novo Testamento para a prática da circuncisão do Antigo Testamento. Como tal, as crianças deveriam ser batizadas" (9).


O centro dessa discordância reside na noção de modelo de igreja, embora a linguagem não deixa claro como seria de esperar. Para os anabatistas, o batismo simboliza o espírito da vida na igreja, não um símbolo de um mero membro. O ato do batismo, como Oyer assinalou, foi para os anabatistas um ato de regeneração. Este ato culminava com uma promessa para Cristo e para a congregação, e terminaria muito provavelmente no martírio (10).

Outro aspecto que levou à discordância, e subsequente refutação pelos ministros reformadores, foi a visão particular dos anabatistas do partir do pão. Ela foi encontrada nos artigos de Schleithem, e era inerente a idéia de uma igreja de crentes. Como Lutero e outros reformadores tinham já estabelecido, o sacramento da Ceia do Senhor tornou-se um grande ponto de discórdia para todos os reformadores. Entre essas controvérsias houve a questão da presença real, algo que Lutero afirmou. Ele diferia os católicos romanos na base da fé como relevante para a salvação, mas ele insistiu no fato de que os beneficiários do sacramento não estavam participando de um mero ato simbólico. (11) Os anabatistas, no entanto, não estavam preocupados com a questão de presença. Sua principal preocupação era com a lembrança da morte de Cristo através do simbolismo do ato, não com os aspectos sacrificiais do sacramento.

A crença na missa como um sacrifício incorporou muitos aspectos da religião romana que os anabatistas estavam se esforçando para mudar, inclusive o foco externo da igreja, a regra da igreja sobre as pessoas e sua salvação, e o uso da igreja em vários assuntos. Em uma carta a Thomas Müntzer, Grebel Conrad e outros irmãos suíços delinearam alguns dos problemas que eles tinham com relação ao sacramento. Eles escrevem:

"Embora seja apenas pão, onde a fé e o amor fraternal prevalecer será partilhado com alegria. Quando observado nesse sentido na congregação, deve significar para nós que somos verdadeiramente um pão e um só corpo, e que estamos destinados a estar lá irmanados uns aos outros ... ... assim, a missa, enquanto alimento individual, é abolida. A ceia, no entanto, deve ser uma manifestação de unidade. Não é uma missa ou sacramento .... ... como os pregadores evangélicos agem, fazem da ceia um ídolo real que eles criaram e estabeleceram em todo o mundo. É preferível uns poucos devidamente instruídos na palavra de Deus, crendo corretamente, andando em virtudes, e observando ritos [bíblicos] do que muitos com doutrina falsa, adulterada e enganosa". (12).

Como o documento deixa claro, os anabatistas eram inflexíveis sobre a importância tanto do seu sentido de comunidade, como da descoberta dentro da Ceia do Senhor, e da corrupção destas coisas pela Igreja Romana e pelos ministros reformadores. Estas diferenças relativas à Ceia do Senhor claramente não surgem apenas a partir da reflexão teológica. Elas eram uma refutação dos ensinamentos papistas há muito tempo em evidência na Igreja Romana, e apenas levemente alterados pelos ministros reformadores. O ato de participação na Ceia do Senhor à maneira dos anabatistas foi também um reflexo do que eles consideravam como um retorno à verdadeira natureza bíblica do rito.

Contudo, reformadores como Lutero recusaram-se a compreender a interpretação anabatista do rito. Para Lutero, a negação da presença real significava que os beneficiários tinham o poder de ganhar a sua própria salvação, representando não somente uma teologia da justificação pelas obras, mas também a perda das pessoas, creditando tais coisas às forças do mal. Os anabatistas consideravam a sua própria experiência religiosa como autossuficiente e aí reside em maior gráu o desprezo de Lutero para eles (13). Inerente a desconsideração de Lutero pela autoridade altamente personalizada dos anabatistas foi a ameaça que ele temia à ordem civil enquanto resultado de tal personalização. Outros reformadores também salientam esse aspecto da teologia anabatista.

A ameaça de uma Igreja Livre

Tanto Zwinglio como Bullinger achavam que a principal motivação para os anabatistas estava a divisão da Igreja. (14) Como os anabatistas e os líderes de Zurique tinham visões muito diferentes da natureza da igreja, esse não é um conceito muito desenvolvido. Afinal, Zwinglio e seus seguidores acreditavam que a existência de crentes e da proclamação da verdadeira fé, foram os sinais da verdadeira fé. Os anabatistas consideravam que isso não poderia acontecer a menos que houvesse uma separação completa e absoluta com a Igreja Romana. Eles não poderiam cumprir uma reforma que tivesse lugar dentro da própria Igreja (15). Os anabatistas defendiam que a Igreja Romana era obra do diabo. Devido a isso, eles acreditavam ser necessário fugir dessa coisa abominável. Eles escrevem:

"De tudo isso, devemos saber que tudo o que não está unido com o nosso Deus e Cristo é uma abominação da qual devemos fugir. Com isto queremos dizer todas as ações e serviços religiosos dos papas e neo-papas, assembléias, romarias eclesiásticas, lojas de vinho, compromissos e obrigações de falta de fé, e outras coisas deste tipo, que o mundo realmente respeita muito, são feitos em oposição direta aos mandamentos de Deus" (16).

Como resultado dessas crenças, tão claramente em revolta contra os ensinamentos da Igreja Romana e as reformas dos ministros protestantes, os anabatistas eram na sua maioria forçados a uma posição de pessoas perseguidas. Os ministros reformadores viram a Igreja como algo resgatável a partir do nível de pecado em que tinha caído. A Igreja, naturalmente, via a si mesma como algo também redimível. Os anabatistas no entanto, via ambas as visões como essencialmente erradas, o que lançou estes grupos contra eles.

Como fica claro pela observação de estudos acadêmicos, os anabatistas nem sempre foram tratados favoravelmente pelos seus cronistas. Seus contemporâneos os viam como ameaças à sociedade, assim como os estudiosos mais tarde. É fácil ver porque, enquanto grupo, eram visto como problemáticos. Os anabatistas não tentaram se encaixar facilmente no molde da sociedade em que eles foram formados. Como observou Littell, a razão para isso resulta principalmente de sua crença em um resgate da igreja verdadeira, que era completamente separada da sociedade mundana e que tinha crescido acima da sociedade mundana. Muitas vezes isso se manifesta em rebeliões civis, grande parte delas resultante de seu estrito e altamente desenvolvido ensino sobre a espada, ou a eficácia da coerção.

Ensinamentos sobre Direitos Civis e Ordem Eclesial


Como a discussão acima indica, a ameaça à ordem civil representada pelos anabatistas foi grave o suficiente para transformá-los em uma seita dos mártires. Embora muito dessa perseguição fosse resultado de suas próprias doutrinas religiosas sobre batismo e Ceia do Senhor, muito também foi resultado da sua crença na natureza maléfica da sociedade mundana e o fato de que tinham de se distanciar dela. A fim de fazer isso, eles desenvolveram um ensino altamente estruturado, que se tornou conhecido como o ensino sobre a espada. Este ensinamento sobre a espada tem sido um dos temas de um estudo recente sobre a natureza sócio-histórica dos anabatistas.

Além dessa construção em cima do ensino de Littell sobre teoria do modelo da igreja, o historiador social James Stayer usa a discussão político-filosófica para ilustrar a tensão entre os anabatistas e seus contemporâneos. O conceito dos anabatistas sobre a natureza maléfica da sociedade e sobre o uso da força nunca foi afastado de seus ensinamentos religiosos, nem de suas relações com a sociedade, ao contrário do que dizem alguns de seus contemporâneos. Stayer deixa claro em toda sua obra que os anabatistas não foram os únicos reformadores a formular consistentes pontos de vista sobre a natureza dos atos de coersão e do envolvimento da igreja nestas coisas. Ele escreve:

"Inicialmente reformadores e anabatistas compartilharam pensamentos similares com relação àqueles que colocam a política acima dos cristãos, aqueles que a viam como um instrumento para a realização dos limitados objetivos cristãos, e aqueles que exigiam que ela trouxesse a vitória completa de Cristo" (17).


Como essa afirmação sugere, para muitos dos reformadores, o uso da força para consolidar uma ordem social em que as reformas possam ser implementadas foi fundamental em seu ensino. (18) Entre aqueles que acreditavam desta forma estavam Lutero e Zwinglio, bem como alguns dos primeiros anabatistas, como Balthasar Hubmaier. Para estes reformadores, os quais Stayer chama de realpoliticos e moderadamente apolíticos, o uso da força era tão estreitamente alinhado com o governo secular que poderiam divorciá-lo de sua corrupção, aderir o principal objetivo da igreja e prosseguir com suas reformas. Muitos anabatistas concordaram com essa premissa básica, e alguns, como o peregrino Marpeck, chegaram ao ponto de defender os cristãos no governo como uma forma de garantir uma sociedade mais cristã. Outros anabatistas, no entanto, achavam que ver essas duas esferas como totalmente incompatíveis não era prudente.

Stayer tem dois grupos restantes nos quais ele coloca a maior parte dos anabatistas. O primeiro destes grupos é o menos preocupante aqui, aqueles que seguiram o caminho da espada cruzada, ou a crença de que a força era tão boa quanto o instrumento da oração na realização de seus objetivos. Estes foram os mais apocalípticos dos anabatistas (19). Para a maior parte sua preocupação com o fim dos tempos e a entrega ao uso da espada resultou no fim dos tempos chegando mais cedo do que o previsto pelo praticante. Embora seja este grupo o que recebeu mais atenção dos seus contemporâneos e do campo hostil dos historiadores, sua opinião sobre este assunto não foi muito duradoura.

No entanto, o último grupo, o grupo radical apolítico, foi o que sobreviveu com mais sucesso. Eles desenvolveram idéias de não-resistência e de não-intervenção em um gráu bem refinado. Entre os apoliticos radicais, que incluiu os huteritas e os anabatistas pós-Munster, que evoluiram para menonitas, a visão da igreja modelada pelo Novo Testamento foi fundamental para seu ensino. Para as seitas Stabler (homens com equipes de subordinados), o ensino da espada como uma opção viável foi parte do ensino do Velho Testamento, e um princípio legal do Velho Testamento. Para estes grupos, a lei do Novo Testamento, com seu ensinamento de amor, que significou o fim da lei do Antigo Testamento, era motivo de preocupação. (20) Estes grupos tentaram viver este ensinamento de amor retirando-se do mundo em comunidades que deveriam servir como um testemunho da sua religião. Entre os huteritas, cujas comunidades moravianas representaram à altura do ideal utópico entre os anabatistas, escrever sobre o ensino a respeito da espada tornou-se quase um artesanato. Eles sentiram que a literatura poderia ajudá-los na regulação e compreenção de todas as implicações da não-resistência e da não-participação no governo (21). Esta tendência básica foi seguida de perto por Menno Simons e seus seguidores, embora submetidos a um desenvolvimento mais lento até assumirem uma posição mais forte sobre o assunto (22).

A Proibição ou Banimento

Intimamente associada ao uso da coerção e da participação da Igreja nos assuntos seculares está o problema da disciplina interna. Mesmo nos artigos de Schleithem, esta aliança é clara. Eles escrevem:

"A espada é ordenada por Deus fora da perfeição de Cristo. Ela mata as pessoas, pune o mal, protege e defende os bons. Na lei, a espada é criada para punir e matar os ímpios, e as autoridades seculares são estabelecidas para usá-la. Mas, na perfeição de Cristo, a proibição só será utilizada para advertir e expulsar quem pecou, sem levar a carne para a morte, e somente usando admoestação e o comando 'não peques mais'" (23).

Como a crença no apoliticismo radical, a crença e o ensino sobre a proibição eram intimamente ligados com as diferenças entre a lei do Velho Testamento e a lei do Novo Testamento. Algumas seitas apocalípticas utilizavam a lei do Velho Testamento e aplicavam o terror como fazem os governantes, especialmente em lugares como Munster. Esta não era a norma, especialmente para as seitas Stabler (24). As seitas Stabler refinaram a idéia da utilização da proibição que, de acordo com um estudioso primitivo, ilustrava a diferença entre cristãos e judeus, porque o uso da proibição significava perdão, a marca dos cristãos. (25) O uso da proibição geralmente inclui uma espécie de excomunhão da parte ofensora, depois da comunidade abordar ele ou ela sobre o pecado. Embora haja muitas visões diferentes sobre suas implicações, finalidade e utilização na sociedade é claramente encontrada nos escritos sobre a proibição por Menno Simons:

"Em suma, todos aqueles que abertamente levam uma vida vergonhosamente carnal, e aqueles que estão danificados pela doutrina herética imunda (Tito 3:10), e que não será superada pelo vinho e óleo do Espírito Santo, mas que permanecem após terem sido advertidos e instados para serem recuperados com toda razoabilidade, mas permanecem obstinados em sua caminhada e corrompida opinião. Eles devem, finalmente, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, mas pelo poder do Espírito Santo, que é obrigatório pela palavra de Deus, a contragosto, mas por unanimidade, separá-lo da Igreja de Cristo, e então, segundo as Escrituras; deliberadamente evitar a associação com ele ou ela, em obediência divina, até que se arrependam" (26).

Como esta declaração torna claro, a propósito da proibição era punir aqueles que estavam tornando a igreja imunda. Uma igreja de verdadeiros crentes era o que os anabatistas mais queriam. A proibição foi a única forma de manter a disciplina na comunidade ou dentro de uma sociedade que já tinha indeferido o uso da força coercitiva como anticristã, e que tinha que manter-se o mais fortemente possível, especialmente em face da grave perseguição. Para os anabatistas, permitir uma pessoa pecaminosa viver a vida da maneira que desejava seria prejudicial para a sociedade como um todo. Eles já eram diferentes em muitos aspectos, e não precisam de ser forçados a aceitar o mau testemunho de um pecador.

Anabatistas e Sociedade

Algumas diferenças entre os anabatistas e a sociedade como um todo são muito fáceis de reconhecer. Elas incluem o modo de falar e vestir aprovado pelo anabatistas, a comunidade de bens praticada pelos anabatistas e as diferenças de culto. Além disso, os anabatistas se recusam a prestar juramentos ou pagar impostos, coisas essenciais para a vida das cidades e vilas do século XVI, e uma forma definitiva de traição contra o governo. (27) A crença anabatista nestas questões, foi, como a maioria das regras anabatistas, resultado de uma adesão estrita ao exemplo de Jesus. No entanto, esta adesão pelo simples exemplo bíblico não fez nada para diminuir a ameaça diante dos poderes do mundo. Muitas vezes esses atos bem simples foram atos que levaram à perseguição. Não importa o que eles estavam fazendo, eles sempre foram considerados violação da lei. Por não serem batizados, estavam violando a lei. Muitas vezes eles eram obrigados a ir à igreja, apesar de suas diferenças com a igreja. Eles foram perseguidos em uma variedade de questões, tanto religiosas como civis (28).

O estudo de Claus-Peter Clasen sobre os anabatistas destaca como o mundo deve ter visto esta nova seita "revolucionária". Seu interesse não era como eles a desenvolveram ou em como eles eram diferentes teologicamente, mas em como essas diferenças levaram ao inquietante movimento anabatista. Embora Clasen considere os anabatistas como um pequeno incidente diante da Reforma, ele mostra o impacto do diferente estilo anabatista de vida sobre a sociedade da Reforma, em especial as perseguições que receberam (29).

Embora todos os estudos sobre os anabatistas destaquem as perseguições que sofreram, a análise de Clasen une muito claramente seu estilo único a estas perseguições. Torna-se claro que os atributos originais dos anabatistas resultaram em sua marginalização pela sociedade. Eles não só disseram que a sociedade era diabólica e condenada ao inferno, como também se recusavam a participar dela, mesmo no dia-a-dia de suas famílias e comunidades. Como todas as provas tornam claro, a idéia básica da sociedade do século XVI, era que o governo e a religião estavam intimamente ligados. Os anabatistas sofreram por isso durante toda a sua existência, especialmente na premissa básica de que cada indivíduo anabatista tinha o direito de participar em toda e qualquer decisão sobre qualquer assunto. (30) O ponto culminante do livre pensamento e livre-arbítrio anabatista foi o estabelecimento das comunidades huteritas na Morávia. Segundo Clasen, a fim de viver nessas comunidades utópicas na periferia de Santo Império Romano, os anabatistas desistiam de toda sua família (exceto aqueles que também eram anabatistas) e todos trocavam sua propriedade privada pelo comunalismo religioso (31).

Nestas comunidades, muitas vezes funcionado em plena capacidade por causa dos novos imigrantes, os anabatistas seguiam um modelo rigoroso de vida comunitária. Cada criança que nascia era acolhida comunalmente. Todo o trabalho era feito em benefício da comunidade. A própria comunidade era governada por uma hierarquia que tentava preservar a ordem civil, mantendo o livre-arbítrio religioso. Esta ordem era mantida através da utilização da proibição, que era rigorosamente cumprida. O objetivo da comunidade era fazer uma comunidade de crentes que superasse em todo e qualquer indivíduo as noções papais tradicionais ou da autoridade civil (32). Dessa forma, no seio destes grupos comunitários, a noção de comunidade de crentes atingiu sua maturidade.

As comunidades huteritas na Morávia certamente não foram poupadas nas perseguições generalizadas que tiveram lugar em toda a sociedade da Reforma. Como observa Clasen, às vezes eles foram perseguidos mais fortemente do que alguns anabatistas que viviam dentro da sociedade maior. Mas, como todas as perseguições, as implementadas contra as comunidades huteritas serviam como exemplo do que poderia acontecer com anabatistas dentro da sociedade da Reforma.

Historiografia


A fim de compreender os anabatistas e seu lugar marginal na sociedade, é necessário compreender tanto seus ensinamentos como o modo como foram tratados pelos historiadores. De um modo geral, a abordagem acadêmica para com os anabatistas não lhes foi favorável. Os pesquisadores dos anabatistas enfrentaram muitos problemas durante seus longos anos de estudos. Esses problemas incluem a ausência de um grupo coeso de anabatistas, e a falta de um líder facilmente identificável. Mesmo o mais moderno dos acadêmicos deve dividir os anabatistas em um mínimo de seis grandes grupos geográficos para descrever seus ensinamentos e desenvolvimento (33). Inerente a esta falta de afunilamento é a ausência de qualquer tipo de declaração de crenças, o que levou algumas das mais importantes generalizações (na sua maioria hostis) serem identificadas com os anabatistas.

Importante para a natureza dos estudos acadêmicos é o pano de fundo que esses estudiosos estabelecem. Os que não foram apologéticos foram principalmente hostis aos anabatistas. Como já foi demonstrado, o anabatismo nunca teve seu espaço facilitado na sociedade. Aqueles que os estudavam o faziam geralmente tentando desacreditá-los de um ângulo ou outro. Como é que um grupo marginal, divorciado tanto da igreja romana como dos recém-formados ministros reformadores, desacreditado e aparentemente subversivo poderia ser considerado normal, ou mesmo tolerado? Às vezes, o descrédito não foi difícil de estabelecer, eventos como o derramamento de sangue em Munster em 1534-1535 foram descritos como normais, bem como algumas ligações com revolucionários. É desnecessário dizer que os ministros reformadores e os historiadores posteriores cultivaram ao máximo essas teorias, em parte assegurando que os anabatistas permanecessem uma anomalia na história.

Mesmo os estudiosos do século XX que são favoráveis aos anabatistas não estão isentos de problemas na investigação. Como Hans Jurgen Goertz escreve: a investigação histórica não está, pois, preocupada com as idéias em si, mas com idéias na sua relação com as condições históricas"(34). Como essa declaração deixa claro, os problemas de pesquisa estão ligados ao capricho da história e da visão do historiador, o que torna a coerência e a visão imparcial difícil. Na história anabatista, o que interessa é o gráu de polarização estabelecendo vieses normativos, e como isto ajudou a limitar o impacto dos anabatistas.

Outro dos principais problemas em matéria de investigação anabatista, que já dura desde o início da investigação, é a discussão de onde surgiu o anabatismo e quando o movimento começou. Isso inclui problemas de ligações com o cristianismo medieval, ligações com líderes camponeses, e o efeito que essas coisas tiveram sobre o crescimento e o impacto anabatista. (35) Por muito tempo, as origens dos anabatistas foram ainda mais obscurecidas pelas diferentes teorias sobre esse tema. Para alguns setores prevaleceu a crença de que o anabatismo tornou-se proeminente em Zurique, juntamente com o camponês revolucionário Thomas Muntzer. Esta teoria, primeiro desenvolvida por Heinrich Bullinger no final do século XVI, foi uma idéia que perdurou entre os acadêmicos hostis até o começo do século XX. Este segmento também conectou todos os anabatistas aos revolucionários em Munster. Estas ligações provocaram graves prejuízos a uma visão coerente do anabatismo até ao século XX.

Por volta do século XIX, no entanto, outros estudiosos focaram diferentes aspectos das origens, o que diminuiu um pouco a hostilidade. Urban Haeberle e Ludwig Keller destacaram a influência das heresias medievais e dos valdenses sobre os primeiros anabatistas. Essas teorias foram acompanhadas pela obra de Albrecht Ritschl, que postulava que os anabatistas reviveram o monaquismo medieval em suas reformas. (36) Werner Packull e Kenneth Davis, dois influentes estudiosos modernos, também analisaram as relações entre o cristianismo medieval e os anabatistas. Sua obra marcou alguns dos principais pontos na viragem nos estudos sobre os anabatistas, diminuindo assim ainda mais os aspectos controversos do assunto. Como Jurgen Goertz assinala, o caráter e o desenvolvimento do anabatismo, bem como suas origens, são controversos (37). Grande parte das pesquisas necessárias para a formulação de uma imagem do mundo e da natureza dos anabatistas foi obscurecido por seu lugar na própria história. Como Hershberger escreve: "Uma vez que o voluntarismo na igreja, a separação entre Igreja e Estado e as idéias de liberdade religiosa pelas quais os anabatistas lutaram tão corajosamente no século XVI, passaram a ser amplamente aceitos, o movimento desprezado começou a chamar a atenção dos estudiosos (38).

Como essa afirmação se torna mais e mais verdadeira, começam a surgir idéias que tratam dos aspectos mais controversos do anabatismo. A maioria dos estudiosos modernos surgiram após esta descoberta, inclusive aqueles que vieram da tradição da Igreja Livre, aqueles que emergiram do campo marxista, aqueles cujo interesse reside na história da Igreja, e aqueles que estavam mais preocupados com a natureza sociopolítica dos anabatistas. Entre os estudiosos modernos mais conhecido por seu trabalho sobre o anabatismo, a obra de Franklin Littell permanece como guia para a investigação anabatista na história da igreja. Littell debruçou-se sobre a origem e a natureza do anabatismo precoce, a fim de discernir a verdadeira natureza de seu foco sobre o modelo da igreja primitiva. As obras de Packull e Davis, citadas acima, também expandem essa idéia, em certa medida, especialmente em comparação com as idéias iniciais dos reformistas da Igreja. Alguns dos modernos historiadores sociais, incluindo James B. Stayer e Claus-Peter Clasen, foram capazes de se concentrar sobre os diferentes aspectos do anabatismo a fim de verificar o seu caráter, principalmente como resultado da expansão do acesso ao material primário e dos avanços proporcionados pelos escritos de Hershberger.

Todas essas obras, e algumas outras, são bem sucedidas ao traçar um retrato dos anabatistas na época da Reforma que se destacaram como um exemplo para as possibilidades de uma igreja voluntária e livre. O padrão que emerge, especialmente à luz da discussão entre os principais reformadores e os anabatistas, ajuda a mostrar como os anabatistas sobreviveram por causa de suas crenças originais, apesar da constante perseguição e da limitação de seu impacto devido a essa repressão.

Conclusão


Como quase todas as obras sobre os anabatistas tornam claro, as crenças originais dos anabatistas, em especial os que lidam com o ensino sobre a espada, resultaram em graves perseguições contra eles. Mas esses mesmos ensinamentos que lhes causaram tanta perseguição também foram fundamentais para a compreensão de quem eles eram, como pessoas e como cristãos. Nem mesmo diante da severa perseguição sofrida os anabatistas admitiram estarem errados em suas crenças. Parece que eles foram quase que ajudados pelas seus perseguições na manutenção de suas posições, a perseguição ajudou a cimentar a necessidade de tais ensinamentos estritos sobre tais assuntos delicados.

Os ensinamentos originais dos anabatistas causaram numerosas perseguições e sujaram as mãos da sociedade da Reforma. Em vez de serem vistos como uma Igreja dedicada a revitalizar o exemplo de Jesus e do Novo Testamento, eles foram vistos como subversivos e prejudiciais para a saúde da sociedade. A Igreja Romana declarou-os hereges, e os ministros reformadores fizeram o possível para desacreditá-los. A ameaça desta tensão, contudo, não tiveram o efeito desejado. Os anabatistas mais ardentes não retornaram à sociedade em mutação. Eles não mudaram os seus ensinamentos para incorporar uma visão mais abrangente da igreja. Em vez disso, eles se tornaram ainda mais convencidos de que tanto a Igreja como a sociedade civil eram más. Isso conduziu a mais ensinamentos condenando tanto o mundo como a igreja, que por sua vez levou a mais perseguição pelas mãos daqueles que os condenaram. Finalmente, a maioria dos anabatistas, ou aqueles que permaneceram após as severas perseguições, se retiraram da sociedade inteiramente, movendo-se em comunidades projetadas em torno de seus ensinamentos. Mesmo após as mais severas perseguições, os anabatistas e seus descendentes se recusaram a se reintegrar na sociedade. Em vez disso, eles se mudaram para o continente norte-americano, mais livre, onde a tolerância permitiu-lhes manter seus ensinamentos originais e vida comunal sem maiores problemas.

Não é nenhuma surpreza as dificuldades que os anabatistas sofreram em sua sociedade. Seus ensinamentos eram hostis a qualquer tipo de sociedade, civil ou eclesiástica, onde aportassem. O tratamento a eles dispensado por muitos estudiosos também foi uma mera extensão do medo básico, por nunca terem defendido uma sociedade que repudiasse qualquer coisa diferente da regra do amor. No entanto, o exemplo dos anabatistas, trazido para fora do tumulto do século XVI, é algo que o mundo moderno poderia aprender. Seu modelo exclusivo, que a Igreja e a sociedade poderiam adotar, com a política e o medo se subordinando ao amor e à comunidade, permanece como testemunho para as possibilidades de uma igreja voluntária, e as possibilidades de uma sociedade livre.

Notas


(1) Franklin Littell, The Origins of Sectarian Protestantism: A Study of the Anabaptist View of the church, (New York: The Macmillan Company, 1964), p. XVI. Hereafter referred to as Littell.

(2) Ibid.

(3) Ibid. p. 5.

(4) William Estep, The Anabaptist Story,(Nashville: Wiliam B. Eerdmans Publishing Company, 1975), p. 11.

(5) Michael Sattler, "The Schleithem Articles," in The Radical Reformation, ed. Michael G. Baylor,(Cambridge: Cambridge University Press, 1991), p. 174. Herafter referred to as Schleithem.

(6) Ibid. p. 175.

(7) Ibid.

(8) James Stayer et. al., "From Monogenesis to Polygenesis," in The Mennonite Quarterly Review, Vol. XLIX January 1975, No. 1, p. 88. Hereafter referred to as "From Monogenesis..."

(9) John S. Oyer, Lutheran Reformers Against Anabaptists,(The Hague: Martinus Nijhoff, 1964), pp. 203-204. Hereafter referred to as Oyer.

(10) Claus-Peter Clasen, Anabaptism A Social History, 1525-1618,(Ithaca: Cornell University Press, 1972), pp. 99-101. Hereafter referred to as Clasen.

(11) Oyer, p. 36.

(12) Conrad Grebel, et. al., "Letters To Thomas Muntzer from the Swiss Brethren, Conrad Grebel and Others, Zurich, September 5, 1524," in Anabaptist Beginnings (1523-1533) A Source Book,(Nieuwkoop: B. De Graaf, 1976), pp. 33-34.

(13) Oyer, p. 38.

(14) Idem, pág. 205.

(15) Ibid. 205-206.

(16) Schleithem, p. 175-176.

(17) James B. Stayer, Anabaptists and the Sword,(Lawrence: Coronado Press, 1972), p. 28. Hereafter referred to as Anabaptists and the Sword.

(18) Ibid, pp. 2-3.

(19) Ibid, pp. 150-151, 215, et al.

(20) Ibid, p. 149.

(21) Ibid, pp. 167-168.

(22) Ibid, p 316.

(23) Schleithem, p. 177.

(24) Anabaptists and the Sword, pp. 255-261.

(25) Ibid., p. 168.

(26) Menno Simons, "On the Ban", in Spiritual and Anabaptist Writers, (Philadelphia: The Westminster Press, 1957). pp. 270-71.

(27) Clasen, pp. 172-175.

28Ibid., pp. 359-375.

(29) Ibid., p. 428.

(30) Ibid. p. 182.

(31) Ibid. p. 295.

(32) Ibid. pp. 235-280.

(33) "From Monogenesis...", p. 86.

(34) Hans Jurgen Goertz, "History and Theology: A Major Problem of Anabaptist Research Today," in The Mennonite Quarterly Review, Vol. LIII, July 1979, no 3. p. 186. Hereafter referred to as Goertz.

(35) "From Monogenesis...", p. 86.

(36) Clasen, p. 6-8.

(37) Goertz, p. 177.

(38) Guy F. Hershberger, "Introduction," in The Recovery of the Anabaptist Vision, (Scottdale: Herald Press, 1957), p. 1.

Bibliografia


Obras Gerais


Anabaptist Beginnings (1523-1533) A Source Book. ed. William R. Estep. Nieuwkoop, B. De Graaf. 1976.

Clasen, Claus-Peter. Anabaptism: a Social History, 1525-1618 Switzerland, Austria, Moravia, South and Central Germany. Ithaca. Cornell University Press. 1972.

Estep, William R. The Anabaptist Story. Grand Rapids. William B. Eerdmans Publishing Company. 1975

Littell, Franklin Hamlin. The Origins of Sectarian Protestantism A Study of the Anabaptist View Of the Church. Nova York. The MacMillan Company. 1964.

Oyer, John S. Lutheran Reformers Against Anabaptists: Luther, Melancthon and Menius and the Anabaptists of Central Germany. The Hague. Martinus Nijhoff. 1964.

The Radical Reformation. ed/trans. Michael G. Baylor. Cambridge. Cambridge University Press. 1991.

The Recovery of the Anabaptist Vision A Sixtieth Anniversary Tribute to Harold S. Bender. ed. Guy F. Hershberger. Scottdale. Herald Press. 1957.

Spiritual and Anabaptist Writers. eds. George H. Williams and Angel M. Mergal. Filadélfia. The Westminster Press. 1957.

Stayer, James M. Anabaptists and the Sword. Lawrence. Coronado Press. 1972.

Williams, George Hunston. The Radical Reformation. third Edition. Kirksville. Sixteenth Century Journal Publishers, Inc. 1992.

Periódicos


The Mennonite Quarterly Review. vol. XLIX and LIII. Goshen. Mennonite Historical Society. 1975 and 1979.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dive! Trailer



Os supermercados em todo o país estão enchendo suas lixeiras com alimento. Não com alimento podre, estragado, mas com bilhões de quilos de alimento bom, comestível.

Por quê? Porque a data de vencimento se aproxima? Porque custa menos simplesmente jogar fora o excesso de alimento ao invés de fazer algo útil com ele? Seja qual for a resposta, a contradição é profunda: alimento está sendo jogado fora nas comunidades mesmo onde as pessoas estão passando fome.

Acompanhe o cineasta Jeremy Seifert e seu círculo de amigos, eles mergulham no lixo, nos becos e caçambas de lixo dos supermercados de Los Angeles. No processo, eles descobrem milhares de dólares de boa comida e uma horrível verdade sobre desperdício nos Estados Unidos: os supermercados sabem que estão jogando fora coisa útil e se recusam a fazer qualquer coisa sobre isso.

Entretanto, Seifert e seus amigos já não gastam dinheiro com compras. Com nada mais do que um grande apetite e um estômago forte, "mergulham" no salmão do Pacífico, na carne moída, nas costeletas de cordeiro, no frango, lombo de porco, nas cargas de frutas frescas, legumes e pão. Tudo totalmente comestível, totalmente de graça, e totalmente ilegal.

Por que esses supermercados não dão a comida que jogam fora para pessoas que precisam dela? Seifert leva esta questão para a frente dos escritórios dessas empresas, na tentativa de descobrir. O resultado é diversão, jornalismo de guerrilha, e apelo à ação.

A força do filme reside na sua capacidade de motivar: você vai passar a questionar o gerente do supermercado, e aprenderá sobre o desperdício de alimentos e o papel que desempenha na sua comunidade. No final, você pode até deparar-se diante de uma lixeira.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Riquezas: uma isca eficaz

Mamom, a isca infernal

“Tudo o que vem de cima é bênção, irmão”. Esta frase é muito comum entre os que chamamos de “cristãos evangélicos”.

Um pequeno avião de traficantes de drogas caiu na costa atlântica da Nicaragua. Este avião era procedente da Colômbia e estava carregado de cocaína que seria levada para a região norte para ser consumida pelos drogados das ruas de alguma cidade norte americana. Cocaína pela qual alguns talvez até haviam matado e roubado. Mas, caiu nas mãos de “cristãos evangélicos” que viviam próximos da costa atlântica da Nicaragua.

E o que aconteceu com essa cocaína que agora se encontrava nas mãos de pessoas que poderiam levantar-se no culto de domingo pela manhã e dar um testemunho impressionante? É assombroso saber que agora na costa atlântica há belos edifícios “dedicados a Deus” que foram construídos com o dinheiro procedente da venda da droga.

É assombroso também saber que há lugares onde a droga é escondida na casa do pastor quando se sabe que a polícia vem revistar certo povoado. Ora, quem pensaria que a droga estaria na casa do pastor? Mas, realmente, será de estranhar que ocorram coisas assim nas comunidades “cristãs” na costa atlântica da Nicaragua?

Não devemos nos esquecer que em outras partes do mundo os “cristãos”:
# Roubam ao cobrar altos juros,
# Tornam-se ricos às custas do duro trabalho dos pobres,
# Mentem para poder fazer negócios lucrativos,
# Afirmam que as riquezas são bênçãos de Deus.

“Tudo o que vem de cima é bênção, irmão”, dizem. Não. Realmente não é de estranhar que existam “cristãos” que venderam a droga que caiu do céu na sua comunidade.

Temos de concordar num ponto muito essencial: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1ª Timóteo 6:10). A Bíblia está certa quando afirma que “os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (1ª Timóteo 6:9).

Você ama o dinheiro? Você cairia na armadilha do diabo a qual tem o dinheiro como isca? Ou, talvez você já tenha caído nesta armadilha?

Infelizmente, o maior empenho em muitíssimas igrejas evangélicas atualmente se baseia numa coisa: no dinheiro. Por exemplo, grande parte das campanhas evangelísticas são realizadas, não porque o evangelista verdadeiramente ama as almas perdidas, mas, porque busca as suas ofertas e também se empenham em defender a teologia própria da sua denominação, atraindo dessa forma a outros e mantendo os seus fiéis.

“A teologia da prosperidade”, como a conhecemos hoje em dia, não é algo novo. Este erro tem estado conosco desde o tempo de Constantino. Ele acreditava que já que os cristãos são filhos do Rei, então eles deveriam ter templos muito mais bonitos do que os templos dos pagãos. Pois, os pagãos adoram a deuses mortos, enquanto os cristãos adoram ao Criador do céu e da terra. Constantino também se assombrou com o fato dos pastores serem muito pobres, pois, davam gratuitamente do seu tempo para a obra, além de trabalhar. 1 Então, à partir desta época passou a haver ministros da palavra que recebiam um salário por seus labores na igreja.

Esta teologia da prosperidade se difundiu como nunca antes à partir da década de setenta, sob a direção de líderes dinâmicos tais como, Oral Roberts, Kenneth Hagin, Kenneth e Glória Copeland, Benny Hinn, Dr. Paul Yonggi Cho, e outros.

Como ponto de partida, os seguidores desta doutrina usam textos do Antigo Testamento que prometem a prosperidade material aos que seguem a Deus (Malaquias 3:8–12; Deuteronômio 11:13–15; 28:1–14, entre outros). Afirmam que, visto sermos filhos do Rei, devemos ter de tudo, pois Deus não quer, segundo eles dizem, ver a nenhum de seus filhos na pobreza. Apoiam esta afirmação citando versículos como Deuteronômio 28:12–13:

“O SENHOR te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado. E o SENHOR te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo”.

E, segundo dizem os partidários desta crença, como se pode chegar a ter todas estas bênçãos econômicas? Através de suas ofertas, é lógico! E é lógico também que deve ser o melhor de suas posses. E não se preocupe pela perda porque ao que tem fé, lhe recompensará tudo o ofertado, com acréscimos abundantes. Carro, casa grande, uma moto, computador. Ao que tem fé, se lhe concederá tudo isto e muito mais!

“Verdade?”, pergunto.

Bem, pelo menos ao pastor daquele que tem este tipo de fé, será concedido tudo isto e muito mais! É incrível que tantas pessoas se deixem enganar por estas promessas de pastores amigos do dinheiro. Mas, isto acontece porque as pessoas em suas igrejas também são igualmente amigas do dinheiro. Oferecem com a intenção de receber.

Esta ganância de querer ter mais do que os outros, apela muito para a natureza pecaminosa. Quem não gostaria de ter de tudo e levar uma vida tranquila? Quem não gostaria de poder ofertar um pouquinho e receber bastante? Mas, isso não é o que nos ensina o Novo Testamento. Antes, ele nos diz: “Se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2ª Tessalonicenses 3:10).
Já não vivemos sob o Antigo Testamento. Agora Deus nos manda arrepender-nos de todo o amor ao dinheiro. Na realidade, o Novo Testamento em vez de promover a riqueza pessoal, diz:

* “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6:19–21).
* “Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13:5).
* “Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.” (1ª Timóteo 6:6–8).
* “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).
* “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1ª João 2:15).
* “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Porque é mais fácil entrar um camelo pelo furo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Lucas 18:24–25).
* “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lucas 6:20).

Estes versículos não nos deixam com nenhuma dúvida do que ensina o Novo Testamento com respeito ao amor pelo dinheiro. E o exemplo de Jesus e outros no Novo Testamento coincidem perfeitamente. Vejamos:
Jesus

Morreu deixando somente a roupa que usava. Não tinha nem onde “reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Foi enterrado numa sepultura alheia. Sobre Ele foi dito: “Sendo rico, por amor de vós se fez pobre” (2ª Coríntios 8:9). O seu ensino foi: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35). Então pergunto: Por que os seguidores dele deveriam se tornar ricos por fazer ofertas a Deus obrigando-o a lhe dar mais?
Paulo

Foi um evangelista internacional. Às vezes havia irmãos que lhe mandavam donativos para que pudesse continuar com a obra (Filipenses 4:10–19). Não obstante, ele pôde dizer:

* “Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes ” (2ª Tessalonicenses 3:7–9).
* “De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário. Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:33–35).

Então pergunto: Por que este famoso evangelista internacional nunca teve grandes riquezas? Se tivesse seguido ao deus que seguem muitos “evangelistas” de hoje em dia, ele teria andado em seu próprio barco e nos melhores cavalos. Em vez disso, sofreu fome e sede, frio e nudez (2ª Coríntios 11:26–27).
O mendigo

Viveu na mais miserável pobreza. Sofria de enfermidades crônicas. Sem dúvida alguma, foi filho de Deus porque quando morreu, foi levado diretamente “para o seio de Abraão” (veja Lucas 16:19–31). Então pergunto: Por que este filho fiel do Rei viveu em tão grande miséria estando aqui na terra?
A viúva

Ela ofereceu tudo o que tinha (Marcos 12:41–44). Tudo o que tinha somava apenas duas moedinhas de muito pouco valor. Jesus elogiou-a por sua boa disposição em dar, mas a Bíblia em nenhuma parte nos diz que Ele a abençoou posteriormente com riquezas materiais. A minha pergunta então é: Se a viúva era filha do Rei, por que vivia em tão profunda pobreza? Por que Jesus não a abençoou com uma abundância de coisas materiais?
Os pobres segundo o mundo

“Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?” (Tiago 2:5). Os pobres segundo este mundo são escolhidos por Deus, mas continuam sendo pobres. A minha pregunta então é: Se Deus os escolheu como seus filhos, por que não lhes deu riquezas também?

O Novo Testamento diz que Deus suprirá aquilo que necessitarmos. Mas fala do básico: sustento e abrigo. O ser humano, ao contrário, quer mais, e mais, e mais, e mais… E alguns amantes do dinheiro até mesmo estão dispostos a deixar que o evangelista também amante do dinheiro os explorem. Creem que ao deixar serem explorados desta forma, Deus lhes dará as coisas materiais que tanto cobiçam para gastá-las em seus próprios deleites e luxos.

Há uma passagem, sim, no Novo Testamento que fala que Deus nos abençoa materialmente. Vejamos: “E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se deem graças a Deus” (2ª Coríntios 9:8–11). Visto que os Coríntos haviam dado em abundância, Paulo lhes disse que Deus era poderoso para dar-lhes mais para que eles também pudessem dar mais. Mas nunca para acumular ou para gastar em seus próprios deleites e luxos!

O amor ao dinheiro sufoca a palavra de Deus e a torna infrutífera. Jesus afirmou: “E o que foi semeado entre espinhos, é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera” (Mateus 13:22).

Deixará você que a palavra de Deus seja sufocada na sua vida pelo engano das riquezas que se prega tanto atualmente?

Deixará que o diabo o mantenha em sua armadilha com a isca das riquezas oferecida por ele?

Ou amará você a Jesus, Rei dos reis e Senhor dos senhores, aquele que não tinha nem onde reclinar a sua cabeça e teve que tomar emprestado um jumentinho para entrar em Jerusalém?

Sigamos a esse Jesus. Não caiamos na armadilha do diabo e de seus comparsas.

Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.

Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.(1ª Timóteo 6:3–10).

—Timoteo D. Miller

1Veja: Bercot, O Reino que alvoroçou o mundo, pp.151-152 e Euzébio, Constantine, Livro II, caps. 44-46.

Os textos bíblicos citados neste artigo fazem parte de:
A Bíblia Sagrada - Tradução de João Ferreira de Almeida, (ACF)
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil - Copyright © 1994,1995

extraído de http://www.elcristianismoprimitivo.com/portugues/as-riquezas-uma-isca-eficaz.htm

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tudo Bandido!

II seminario brasileiro sobre o pensamento de Jacques Ellul


II SEMINÁRIO BRASILEIRO SOBRE O PENSAMENTO DE JACQUES ELLUL

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O denominado "progresso técnico" e a busca desenfreada pelo "desenvolvimento econômico" norteados pela eficácia a qualquer custo levaram o homem a colher juntamente com os efeitos positivos dos avanços técnicos um caudal de efeitos desastrosos em escala planetária como a poluição do ar, da água e da terra que por sua vez é causa de crescentes mudanças climáticas. No final, é o próprio homem que é atingido diretamente. Problemas como a desertificação; a falta de água potável; o desmatamento indiscriminado; assoreamento de rios e lagos; tratamento inadequado do lixo que já polui os oceanos com vazamento de substâncias letais e quantidades impressionantes de plástico: garrafas, embalagens, sacos e fragmentos industriais; extinção de espécies da flora e da fauna, danos na camada de ozônio, etc.

A situação é dramática, porém, em todos os níveis de poder, no oriente e no ocidente a resposta é a mesma: "sigam consumindo!", como já ouvimos muitas vezes na atual crise financeira. Dessa forma gastam-se rios de dinheiro para salvar as aparências e para induzir o povo a ir às compras mantendo assim o status quo.

Estamos, pois, diante de uma questão crucial que extrapola os estreitos limites de uma disciplina: como poderemos continuar a viver sobre a terra com padrões de consumo de progresso e desenvolvimento econômico sempre crescentes com recursos que sabemos escassos e alguns já à beira do esgotamento?

A resposta a essa indagação não encontra respostas fáceis a começar pela fascinação do homem pelo luxo, pelo conforto e pelas comodidades da vida moderna. Todos aspiram a ter o padrão american way of live de gastança e desperdício. Por outro lado assistimos à mistificação de que tudo será arranjado pelo Estado, à ilusão de que os políticos resolverão os problemas de gestão material das cidades, do País e do mundo. Porem, isso não é tudo, em troca de uma doce alienação no consumismo o homem manipulado pelas eficazes técnicas de propaganda também se demitiu da sua responsabilidade diante da liberdade, do justo e do verdadeiro.

Entretanto a realidade exige o questionamento do atual modelo de desenvolvimento e mudanças urgentes. Mas, mudar em que sentido? Alguns falam em revolução? Mas, qual revolução? Uma nova sociedade? Mas qual o lugar do homem nessa sociedade? Eis o grande desafio!

Jacques Ellul (1912-1994), pioneiro das lutas ecológicas na defesa da costa da Aquitânia, que foi professor de História do Direito na Faculdade de Direito e no Instituto de Estudos Políticos de Bordeaux, teve a coragem, em defesa do homem, de fazer a crítica do atual sistema, denunciando a ambivalência do progresso técnico, a ilusão da objetividade das ciências humanas e o otimismo cientifista. Assim, esse segundo seminário brasileiro sobre o pensamento de Jacques Ellul, se propõe reunir pesquisadores nacionais e internacionais que se identificam com o desafio elluliano de pensar globalmente e agir localmente no complexo mundo contemporâneo.

O seminário tal como a obra de Ellul é decididamente interdisciplinar e transdiciplinar, sendo bem-vindas comunicações no âmbito da História do Direito e das Instituições, da Filosofia da Técnica, da Ciência Política, do Direito, da Mídia e da Propaganda, da Ética e da Tecnologia.

A leitura de algumas obras de Ellul como "A Técnica e o Desafio do Século" (Rio: Paz e Terra, 1968); "Mudar de revolução: o inelutável proletariado" (Rio: Rocco, 1985); "L'illusion politique" (Paris: La Table Ronde, 2004); "Le Système technicien" (Paris: le cherche midi, 2004) e "Le bluff technologique" (Paris: Hachette, 1988) entre outras, são referências bibliográficas recomendadas pela organização para a elaboração dos trabalhos.

Texto retirado do folder do seminário

Técnica e Direito em um mundo de recursos finitos:
o homem na obra de Jacques Ellul

05 e 06 de novembro de 2009



INSCRIÇOES

Aluno FDSBC: pessoalmente no Centro de Atividades Complementares (CAC)

Público Externo: clique aqui para acessar a ficha de inscrição, preencha e envie por e-mail para cac@direitosbc.br.

Período de inscrição: De 13 a 27/10/2009

Clique aqui para acessar a programação completa do evento

fonte: http://www.direitosbc.br/seminario_jacques.htm

Anarquia Verde: Prepare-se para o colapso do mundo industrial!




Um grupo de “anarquistas verdes” se prepara para participar da próxima reunião da “TING” na Finlândia e para a “Grande Partida” rumo as “Terras Libertadas” na Guiana Francesa.

Na seqüência das reuniões de anarquistas não conservadores neste verão 2009 – isso mesmo, porque ainda há, infelizmente, anarquistas conservadores que querem manter as indústrias e as suas fábricas, que ainda acreditam no mito do progresso e nos "benefícios" da tecnologia, que para eles seria apenas preciso passar as fábricas sem líderes, graças à auto-gestão anarquista, que tudo seria "lindo e maravilhoso". Nós, anarquistas não conservadores, não faremos nada para conservar este mundo poluente e absurdo. Para nós, trata-se de agir muito mais do que contra o capitalismo, trata-se de agir diretamente contra esta civilização!

Na Suécia e nos Montes Cárpatos, ao sul da Ucrânia, fizemos uma série de reuniões neste verão de 2009, onde se debateu muito as idéias da Anarquia Verde, as propostas de John Zerzan[1]. Tivemos a oportunidade de receber a visita dos russos que tinham convidado este estadunidense divulgador da corrente anarco-primitivista, que esteve algum tempo atrás em Moscou .

A partir das discussões decidimos participar da reunião da "TING", em dezembro próximo, na Finlândia. Este encontro reúne duas vezes por ano os descendentes do "Gathering of the Tribes", desde 1978. Ele foi organizado pela primeira vez em 1967, nos Estados Unidos, pelo poeta, escritor da contra-cultura e ativista ecológico Gary Snyder.

Este movimento alternativo verde está bastante próximo do movimento "Rainbow Warriors", iniciado pelos índios Hopi, e retomado pelos hippies em Woodstock, que organizaram o primeiro "Rainbow", no Oregon, na Califórnia. Estes grandes festivais anuais hippies apareceram na Europa e mantiveram-se desde 1981.

E como o “Rainbow Europeu de 2010” terá lugar, por volta de junho, na Finlândia, decidimos deixar a nossa torre de marfim de anarquistas puros e radicais e irmos ao encontro destes ecologistas, muitas vezes menos politizados e atolados no lamaçal da mística da "Nova Era", pois entre os milhares de jovens em busca de "outra vida" e querendo "deixar a Babilônia", quiçá, existirão muitos que poderão se sensibilizar e reconhecer-se em formas mais radicais de anarquismo, como esta tendência chamada "primitivista", que rejeita decididamente a civilização, vista como um erro, que foi a causa do surgimento de sociedades hierárquicas, dos estados, do produtivismo industrial capitalista e comunista e do ódio às mulheres, assim como à natureza, fonte também dos problemas ambientais e das catastróficas políticas atuais.

Assim, a partir de dezembro próximo, a propósito da “TING”, poderemos ser tentados a permanecer na Finlândia, para nós uma oportunidade para ensaiarmos uma vida selvagem e tribal, praticando tecnologia primitiva, graças à ajuda daqueles e daquelas anarquistas que participaram dos cursos de sobrevivência[2].

E tudo aprenderemos diretamente da natureza... Tanto em termos de relações sociais: a luta contra o surgimento de líderes, a luta contra o machismo, respeito absoluto pela igualdade, o não a qualquer hierarquia, auto-educação das crianças... Na medida em que o saber fazer permitirá no futuro boicotar tudo e qualquer coisa que venha da sociedade industrial, e, portanto, viver em auto-subsistência.

Na Finlândia, Lasse Nordlund[3] é um mestre na matéria, a sua experiência de vida é única. Tudo em nós será aperfeiçoado para ficarmos aptos a viver como anarquistas, antes mesmo do fim do mundo industrial. Porque estamos ansiosos para termos uma vida livre e feliz!

Experimentaremos, em grupo, as nossas capacidades de vivermos em comunhão com a natureza, na atividade que realizaremos na área do “Rainbow Europeu de 2010”, onde 1000-2000 jovens, famílias, crianças, irão receber e iniciar a vida na natureza, já que mais e mais pessoas chegam totalmente inexperientes aos “Rainbow”.

No URVISION, curso de vida selvagem e livre organizado pela Rede Vildvaxande[4] em agosto de 2009, na Suécia, perto de Mölnbo, muitos acharam pouco esses 10 dias, e lamentou-se também o encontro da Polônia, em 2008, que durou só um mês. Mas desta vez, na Finlândia, ter-se-á oportunidade de ficar muito mais tempo, dando-se a si mesmo uma pausa depois de dezembro de 2009.

Além disto, para os mais entusiastas, este será o salto definitivo para a vida anarquista, uma vez que está previsto consagrar o Outono de 2010 para trabalhar em comum com o objetivo de reunir o dinheiro necessário à partida, a "Grande Partida[5]", para esta terra de 2 milhões de hectares, encontrada no sul da Guiana Francesa, área de "Terras Libertadas", como diriam os anarcas dos anos 1900, que foram re-visitadas por alguns companheiros e companheiras no início de 2009, e onde os muito bons e sentidos contatos com os índios da Amazônia foram confirmados.

Mas, primeiro, antes da "Grande Partida", devem ser partilhados por todos e todas vários meses de vida na natureza na Europa, para ficar apto a iniciar tal viagem. Daí esta idéia de nos encontrarmos na Finlândia. Para os russos que têm um problema de visto para o acesso aos países da União Européia, um espaço alternativo está previsto para agosto de 2010, na Moldávia.

Prepara-te bem! Conhece-te bem!

Não cometamos desta vez os erros dos e das anarcas da La Cecília[6]!

Por uma vida em harmonia com a Natureza!

N o t a s

[1] Sobre John Zerzan: www.johnzerzan.net

[2] Cursos de sobrevivência: www.teachingdrum.org

[3] Ler a brochura "The Foundation of our Life", 32 págs , em www.saded.in

[4] Rede Vildvaxande: www.vildvaxande.org

[5] Um grupo de “anarquistas verdes” europeus pretende se aventurar e criar uma comunidade na Guiana Francesa.

[6] Alusão à Colônia Cecília, uma comunidade anarquista fundada em 1890 e dissolvida em 1894, no Paraná, Brasil. Mais infos: http://www.ifch.unicamp.br/ael/website-ael_publicacoes/cad-8/Artigo-1-p09.pdf

Tradução > Liberdade à Solta

Fonte: Fortaleza Europa